O maior diplomata do Brasil
O Barão do Rio Branco foi um advogado e político brasileiro que atuou em diversas áreas e se provou relevante na construção da história do país. Natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1845 e fez parte da composição do Brasil Império e do Brasil República, além de ser filho do Visconde do Rio Branco, grande estadista brasileiro.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, representante do Partido Conservador, sendo deputado de Mato Grosso quando ainda era uma província e gerenciador de crises diplomáticas, o Barão do Rio Branco foi um dos pioneiros da história nacional.

O Barão do Rio Branco foi o patrono da diplomacia no Brasil. (Foto: Wikipédia)
Barão do Rio Branco e sua relevância para o Brasil
Formado em Direito, o primeiro cargo público do Barão do Rio Branco foi o de promotor no interior do Rio de Janeiro, em Nova Friburgo. Logo depois, em meio à Guerra do Paraguai, foi acompanhante de seu pai exercendo a função de secretário da missão especial no Paraguai e Rio da Prata.
Enquanto esteve em países da Europa, escreveu várias obras literárias. Uma das mais conhecidas é Memória sobre o Brasil, que foi apresentada na Rússia, durante exposição de São Petersburgo. O conteúdo da maior parte de seus trabalhos jornalísticos e literários era focado nas razões da pátria, pois além de ser defensor do regime monárquico, era um grande patriota.
O Barão do Rio Branco contribuiu para o desenvolvimento do Brasil de diversas formas. A que mais se destacou foi a questão da diplomacia utilizada em meio aos conflitos gerados com outros países por causa de disputas territoriais. O barão conseguiu vencer a maioria de suas lutas, sem armamentos e guerras, contra países como França, Bolívia, Venezuela, Argentina e Peru.
Floriano Peixoto, ex-presidente, nomeou o barão em 1893 para ser o defensor de interesses territoriais do Brasil. Sua primeira empreitada litigiosa foi a disputa com a Argentina, que reivindicava parte dos territórios de Santa Catarina e Paraná. Foi o primeiro sucesso do barão como diplomata.
O segundo embate veio com a França, uma disputa pelo território do Amapá que fazia fronteira com a Guiana Francesa. A Suíça foi o país escolhido como árbitro. O diplomata brasileiro venceu mais uma vez.
Rodrigues Alves, também ex-presidente, depois de acompanhar as primeiras vitórias, o ofereceu o máximo cargo diplomático de uma nação, o de ministro das Relações Exteriores.
Tudo aconteceu pois existia um problema mais grave que precisava da astúcia de um diplomata com experiência. O Brasil se encontrava em disputa territorial com a Bolívia pelas terras do Acre. Em defesa de sua pátria, o Barão do Rio Branco argumentou que as terras pertenciam a quem as ocupava. A Bolívia não aceitava, porém as terras já estavam habitadas prioritariamente por colonos brasileiros que reivindicavam o território. O diplomata acabou ganhando mais uma vez a favor do Brasil.
Concessões foram criadas como obras e construções, acordos econômicos e territoriais para facilitar o acordo. Finalmente, o Acre foi totalmente incorporado ao Brasil, o que resultou para o Barão do Rio Branco a mais alta honraria que um político poderia obter na época. Pouco tempo depois, foi preciso resolver alguns conflitos com o Peru, que também pedia por parte das terras do Acre, porém um acordo foi feito e o Brasil pode finalmente gozar de seus direitos.
No total, em referência às fronteiras e territórios, o Barão do Rio Branco foi a chave responsável pela anexação de 900 mil quilômetros quadrados ao Brasil.
História e Trajetória
Sua vida acadêmica começou em Letras e logo depois migrou para a faculdade de Direito, quando tinha menos de 18 anos na cidade de São Paulo, porém finalizou o curso na capital pernambucana, Recife.
Em seu tempo na Europa começou a se interessar pela história de forma geral, o que o fez estudar e se dedicar a documentos e arquivos antigos que encontrava em bibliotecas lusitanas. Em uma de suas voltas ao Brasil, se tornou docente, lecionava geografia e história em colégios.
Depois de viver a experiência de promotor público, foi eleito como deputado da província do Mato Grosso. Nessa mesma época, sentiu identificação a respeito de questões do Império, como o abolicionismo. O Barão do Rio Branco tomou a frente para a Lei do Ventre Livre, que consistia na proibição da escravidão de crianças nascidas de escravas, ser assinada pela Princesa Isabel.
Foi fundador de um jornal periódico chamado “A Nação” e produziu biografias e ilustrações, exercitando assim sua capacidade jornalística, mesmo sem ter formação específica na área.
Depois de muitas tentativas, conseguiu na década de 1870 ser indicado como cônsul geral do Brasil em Liverpool, na Inglaterra. Dividiu residência entre Paris e Liverpool durante 25 anos, pois sua mulher Marie Stevens, atriz belga, e seus cinco filhos moravam na capital francesa.
O título de Barão do Rio Branco aconteceu no fim do Império em 1888 e foi dado pelo imperador Dom Pedro II, mas a boa relação entre os dois já era antecedente, pois existia um Conselho Privado que o Barão era auxiliar.
Mesmo na fase da República, continuou a utilizar seu título, pois defendia o modelo imperialista e buscava homenagear o pioneirismo de seu pai, que naquela época já havia morrido.
Morreu de problemas nos rins em 1912, aos 66 anos. Seu corpo encontra-se sepultado no Rio de Janeiro ao lado do seu pai, no Cemitério do Caju.
A capital do Acre, Rio Branco, tem este nome pela vitória territorial do barão frente à Bolívia. O Barão do Rio Branco foi e ainda é considerado como uma figura ilustre para a política e história brasileira, pois suas ações resultaram em diversas transformações.
Entre as ideias de melhorar a mobilidade, treinar soldados militares com as melhores técnicas e ao mesmo tempo buscar resolver conflitos entre países de forma diplomática sem violência e armas, ser contra a escravidão no Brasil e uma referência de desenvolvimento político, jurídico e de comunicação, o Barão do Rio Branco fez a diferença para a história do país.