Infância, juventude e descendência
Bartolomeu Dias nasceu em 1.450, no município de Mirandela, em Portugal. Antes dos 30 anos iniciou a carreira marítima, trabalhando na base militar de seu país de origem.
Foi um estudioso, dedicou-se a astronomia e matemática na Universidade de Lisboa, o que o tornou competente na hora de tomar decisões em alto mar. Os estudos agregaram a ele o entendimento de fenômenos físicos e das marés. Em uma época que se acreditava em mitos como monstros do mar, era necessário um comandante experiente e com vasto conhecimento para tomar decisões.
Não existem muitos registros familiares sobre Bartolomeu Dias. Sabe-se que teve um irmão, chamado Diogo Dias, que também foi um forte explorador do período. Ele se casou, mas não se sabe ao certo quem foi sua esposa. Dessa união, foram gerados dois filhos.
Aos 37 anos assumiu o comando de duas caravelas, rumo a exploração do sul das costas africanas. Essa tarefa partiu do rei D. João II. Em 1.500, participou da caravana que resultou no descobrimento do Brasil. Essa caravana mobilizou Portugal, com direito a festejos e missa no dia em que as embarcações partiram. Bartolomeu Dias foi responsável pelo comando de uma das navegações do capitão Pedro Álvares Cabral.
Bartolomeu Dias morreu em 29 de maio de 1.500, no litoral sul da África (região do Cabo).
Bartolomeu Dias e a viagem para África
Bartolomeu Dias fez parte da expansão das rotas de comércio de Portugal com os mercados orientais. Com a facilidade que os portugueses tinha de adentrar o oceano Atlântico por causa da localização do continente europeu, unido a outros fatores políticos, a exploração marítima era o principal meio de ascensão daquele povo por volta do ano de 1486.
O rei que governava Portugal durante esse período era Dom João II. Ele designou a Bartolomeu Dias a missão de criar relacionamentos com o rei africano Prestes João. Foi também atribuído a ele a tarefa de explorar o continente africano, encontrando a melhor rota para se ter acesso à Índia.
Ambicioso, Bartolomeu Dias tornou essa a missão como sua vida e começou uma aventura que tinha um grande objetivo: torna-se capitão e homem de confiança do rei.
Para essa grande expedição foram destinadas duas caravelas de 50 toneladas e uma naveta auxiliar, que seguiram o percurso: Angra dos Ilhéus e Cabo. Sem saber o que encontraria exatamente e sem porto para desembarcar, apesar de toda experiência, Bartolomeu Dias e a tripulação ficaram à deriva por volta de 13 longos dias. Isso aconteceu por causa de uma forte tempestade que caiu na região.
Quando a tempestade cessou, o português seguiu para o norte da África, que parecia ser bem maior do que o esboçado pelos mapas. Nesse momento, Bartolomeu Dias se deu conta que atravessou o continente africano até o extremo sul, local que batizou como Cabo da Tormenta por causa da tempestade que os atingiu e pelos dias ruins que passaram.
A ousadia de Dias impressionou o rei Dom João II e abriu vasta trilha econômica para Portugal, que a partir de então tinha caminho alternativo de comércio com o Oriente. Apesar de todos esses desdobramentos, o marinheiro não foi indicado para outra grande expedição.

Monumento de Bartolomeu Dias. (Foto: Wikipédia)
Descobrimento do Brasil
Anos mais tarde, ainda mais experiente, e depois de se tornar um dos mais influentes navegadores portugueses, Bartolomeu Dias foi designado para uma nova expedição.
Apesar de todo o prestígio, foi designado como coadjuvante para essa expedição. Pedro Álvares Cabral foi indicado e nomeado capitão-mor para coordenar uma expedição rica e ostensiva, com 13 navios e 1.500 homens, com destino a Índia, mas que resultou no descobrimento do Brasil. Naquela época era normal indicações para jovens com alto poder aquisitivo, mesmo que sua experiência não fosse tão vasta. Esse teria sido o caso de Pedro Álvares Cabral.
Estavam a bordo nessa frota fidalgos e religiosos, além de outros representantes da alta corte. Entre eles, o escrivão Pero Vaz de Caminha, que citou Bartolomeu Dias em alguns trechos da sua carta escrita ao rei:
“Sábado pela manhã mandou o Capitão fazer vela, fomos demandar a entrada, a qual era mui larga e tinha seis a sete braças de fundo. E entraram todas as naus dentro, e ancoraram em cinco ou seis braças — ancoradouro que é tão grande e tão formoso de dentro, e tão seguro que podem ficar nele mais de duzentos navios e naus. E tanto que as naus foram distribuídas e ancoradas, vieram os capitães todos a esta nau do Capitão-mor. E daqui mandou o Capitão que Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois homens, e os deixassem ir com seu arco e setas, aos quais mandou dar a cada um uma camisa nova e uma carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que foram levando nos braços, e um cascavel e uma campainha.”
Essa expedição foi organizada da seguinte forma:
Primeira divisão
• Duas caravelas latinas
• Um nau mercante
• Uma naveta de mantimentos – Gaspar Lemos
• Neu Capitania – Pedro Álvares Cabral
• Neu- Sota capitania – Sancho de Tovar
• Um nau mercante
• Uma naveta de mantimentos – Gaspar Lemos
• Neu Capitania – Pedro Álvares Cabral
• Neu- Sota capitania – Sancho de Tovar
Segunda divisão
• Um Nau – Diogo Dias
• Uma caravela latina – Bartolomeu Dias
• Uma caravela latina – Bartolomeu Dias