Um confronto dividido em dois períodos

A palavra Guararapes tem origem indígena e significa "estrondo de tambores". (Foto: Wikipédia)
Cenário da época
Para entender a razão desse conflito é preciso voltar no tempo, mais precisamente em 1580, quando surgiu a União Ibérica. A União Ibérica constituiu uma unidade política que comandou toda a Península Ibérica, ou seja, Portugal, Espanha, algumas regiões do território da França, Gibraltar e Andorra.
Dois anos antes, em 1578, o Império de Portugal tinha sido derrotado pelos espanhóis na batalha de Alcácer-Quibir. Um dos fatores que mais marcaram esse episódio foi o desaparecimento do corpo de Dom Sebastião, rei de Portugal. A derrota gerou crise na sucessão do trono português. Temendo que a Espanha tivesse todo o controle português, a saída encontrada foi promover uma união dinástica.
As duas coroas, assim como as colônias que a elas pertenciam, tornavam-se uma só, nascia a União Ibérica. Na teoria, as duas coroas compartilhariam as benesses, mas na prática a história foi outra. Portugal dependia completamente da Espanha. Na época os espanhóis tinham o maior império do mundo, controlando inclusive a Holanda.
Para não ser sofrer com mais imposições, Portugal iniciou uma revolta contra a Espanha, evento entre 1640 a 1668 e ficou conhecido como a “Guerra da Restauração”. Diante do apoio francês, a Coroa Portuguesa saiu vitoriosa do conflito. Com o fim do domínio espanhol sobre os portugueses, as colônias também pertenceriam somente a Portugal, acordo garantido pelo tratado de Lisboa. O problema é que os holandeses não iam abrir mão facilmente da região pernambucana. O comércio do açúcar era extremamente lucrativo e eles já tinham investido muito capital naquela região.
Logo em seguida, os espanhóis decretaram que nenhuma de suas colônias poderiam fazer comércio com países fora de seus domínios, ou seja, os portos portugueses se fechariam para a produção açucareira da Holanda. Os senhores de engenho não gostaram nem um pouco do decreto.
Aquilo significava a perda de um grande mercado consumidor. Associado a isso, os impostos cobrados pelos holandeses ficavam cada vez mais altos e os produtores de açúcar saturados. Era uma questão de tempo para que holandeses e luso- brasileiros se desentendessem. Começava a Insurreição Pernambucana.
Insurreição Pernambucana
A Insurreição Pernambucana aconteceu no século XVII, entre 1645 e 1649. Luso-portugueses enfrentaram o exército da Holanda na tentativa de expulsá-los do território brasileiro. Os impostos cobrados pelos holandeses estavam cada vez mais altos, associado a isso estavam fatores como a cobrança dos empréstimos concedidos pela Companhia das Índias Ocidentais e a diferença religiosa.
Grande parte dos holandeses era judeu e protestante, já os portugueses professavam a fé no catolicismo. A luta pela libertação do Brasil uniu os indígenas do grupo potiguar e negros recém libertos aos luso-brasileiros. O principal enfrentamento aconteceu no Monte Tabocas, atual cidade de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco. Os luso-brasileiros saíram vitoriosos desse conflito, mas as disputas territoriais entre esses povos ainda não tinham acabado.
Primeiro conflito
A primeira parte da Batalha dos Guararapes aconteceu nos dias 18 e 19 de abril, quando a Holanda ainda estava sob o controle da União Ibérica, assim como Portugal. Os holandeses ora apoiavam os portugueses, devido ao domínio espanhol, ora ocupavam os territórios das colônias portuguesas no Brasil e na África.
Em 1648, Holanda e Espanha entraram em um acordo. Nesse tratado a Espanha pedia de volta as terras tomadas durante a Insurreição Pernambucana. Por causa disso, começaram os conflitos entre portugueses e holandeses. A primeira fase da Batalha dos Guararapes aconteceu no Morro dos Guararapes, uma capitania de Pernambuco.
Os holandeses se preparavam para reconquistar o Porto de Nazaré. Esse ponto era estratégico porque permitia o abastecimento de armas e munições que chegava de Arraial Velho do Bom Jesus para os portugueses.
Os neerlandeses também pensaram em ocupar o povoado de Muribeca, porque ali estava a produção de farinha de mandioca que alimentava os soldados. No entanto, Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros, dois generais do exército português, se anteciparam. Os holandeses não conseguiram chegar na posição planejada. O confronto foi praticamente aberto: 7.400 soldados que representavam a Holanda contra 2.200 soldados que combateram pelo Brasil.
Desse conflito os luso-brasileiros saíram vitoriosos. Desse grupo, 84 pessoas morreram. Do lado holandês, 1.200 mortes foram contabilizadas. Os soldados que lutavam pela Companhia Holandesa das Índias ganhavam em número, mas não em agilidade. Além de conhecer melhor o território, os defensores luso-brasileiros utilizavam táticas indígenas e emboscavam os inimigos nas matas.
Eles também faziam com que boa parte dos soldados holandeses se afogassem nos alagadiços. As armaduras, roupas de proteção muito comuns nas guerras europeias, atrapalhavam ainda mais o exército da Holanda.
Segunda parte da Batalha dos Guararapes
O segundo conflito da Batalha dos Guararapes aconteceu no dia 19 de fevereiro de 1649. Recuperados da primeira derrota, o exército holandês mandou novas tropas ao território brasileiro, mas o resultado foi o mesmo. Os luso-brasileiros saíram vitoriosos da Batalha dos Guararapes, agora, de uma vez por todas, os holandeses deixavam o Brasil.