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Belle Epoque

Postado por Andréa Araújo em 08/07/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Época de progresso tecnocientífico dos países europeus


A Belle Epoque pertence a língua francesa e refere-se a um período que ficou conhecido na História Moderna como “bela época”.  Vivenciada pelos países da Europa, ocorreu no final do século XIX, logo após a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), e início do século XX, quando apontaram-se os indícios bélicos da Primeira Guerra Mundial

Os governantes das potências europeias, principalmente da França, adotaram uma política de estabilidade econômica que impulsionou o crescimento do comércio, a urbanização e o êxodo rural em muitas cidades.

Na Belle Epoque muitos países europeus passaram por um intenso processo de industrialização e progresso tecnocientífico.  O resultado disso foi a dinamicidade das cidades, uma cultura do divertimento e a prosperidade material das pessoas que passaram a cultivar uma vida mais boêmia nos grandes centros. 

Destaca-se ainda o grande investimento nas pesquisas científicas, ou seja, valorização do cientificismo. Uma vez que surgiu nesse período inúmeras inovações caracterizaram o progresso civilizacional nunca visto antes, como os alimentos de melhor qualidade, luz elétrica e meios de transporte rápidos e eficientes pelas ruas.

Inclusive, foi o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa e dos meios de transporte que fomentaram a cultura urbanística e da diversão. Pessoas de várias classes sociais passaram a frequentar novos espaços dentro dos centros urbanos europeus.

Outro fator muito importante realizado na Belle Epoque foram os investimentos em políticas públicas higienistas. As metrópoles puderam garantir uma saúde pública de qualidade e menos insalubre graças a diminuição de epidemias e doenças infectocontagiosas. 
 
Entre esses investimentos estava as pesquisas do cientista francês Louis Pasteur, que logrou grande contribuição para a medicina higienista com a criação da vacina antirrábica.

Na obra “Anos vertiginosos: mudança de cultura no Ocidente (1900-1914)” o jornalista e historiador Philipp Blom fez a seguinte afirmação acerca das mudanças tecnocientíficas e culturais ocorridas na Belle Epoque nas sociedade europeias: 
Velocidade e euforia, angústia e vertigem eram temas recorrentes entre 1900 e 1914, quando as cidades explodiram em suas dimensões e as sociedades foram transformadas, a produção em massa entrou para a vida cotidiana, os jornais tornaram-se impérios das comunicações, o público de cinema contava-se às dezenas de milhões e a globalização trazia aos pratos dos britânicos carne da Nova Zelândia e cereais do Canadá, aniquilando a venda de velhas classes fundiárias e promovendo a ascensão de novos tipos: engenheiros tecnocratas, as classes urbanas.

Belle Epoque: progresso tecnocientífico e a cultura cosmopolita


Ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico foram o tripé da Belle Epoque. As invenções tecnológicas que surgiram alargaram espaço para uma cultura cosmopolita

É importante destacar que os países da Europa progrediram economicamente nessa época porque houve a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, no século XVIII, que possibilitou desde então uma economia mecanizada e a produção em larga escala, além do investimento no ramo da tecnologia e do aperfeiçoamento das técnicas de produção.

O cotidiano das pessoas nos grandes centros urbanos tornou-se mais fácil, confortável e próspero. 

Entre as invenções tecnológicas surgidas na Belle Epoque destacam-se:

• Telégrafo sem fio;
• Telefone;
• Gramofone;
• Fonógrafo;
• Locomotivas a vapor;
• Bondes elétricos;
• Automóvel;
• Cinema;
• Avião.

Destaca-se ainda que foi nesse período de progresso material que ocorreu a popularização do automóvel nas cidades europeias. Inclusive, o modelo do carro Ford T, fabricado nos Estados Unidos, revolucionou a indústria automobilística no mundo. O seu criador, Henry Ford, implantou uma linha de montagem que ficou conhecida como Fordismo


As invenções tecnológicas da Belle Epoque possibilitaram a fabricação do automóvel Ford T. (Foto: Wikipédia) 
Paz armada

Os avanços tecnológicos da Belle Epoque voltaram-se também para o investimentos em armas de guerra, como canhões, carros blindados, metralhadoras, gases tóxicos, etc. Por isso, houve o contraponto negativo desse progresso que foi chamado de paz armada.

Muitos países começaram a competir pela hegemonia mundial, ou seja, entraram na frenética competição para obter o título de mais desenvolvido ou mais influente economicamente. Nesse momento,  começaram a surgir as feiras de ciências a fim de enaltecer o desenvolvimento tecnológico de cada país. A feira de Paris foi um exemplo disso, com 24 mil apresentações. 

Durante a Belle Epoque houve muitos críticos desse progresso material, a exemplo do psiquiatra austríaco Sigmund Freud. Ele acreditava que no futuro a massa iria sofrer  as consequências do alto desenvolvimento industrial aliado as rivalidades entre nações.

A Primeira Guerra Mundial foi a finalização do clima de otimismo plantado na Belle Epoque e previsto pelos críticos.

A cultura boêmia de Paris


A França foi o principal país europeus a tornar-se símbolo da Belle Epoque logo após o estabelecimento da Terceira República Francesa (1870). O governo francês elaborou um plano econômico que possibilitou quarenta e quatro anos de prosperidade, paz entre os estados e otimismo nacional.

A capital do país – Paris – se constituiu como polo da cultura boêmia, da indústria do divertimento e da arte. Dessa maneira, a sociedade francesa começou a frequentar diversos espaços sociais de cultura, lazer e diversão na cidade. 

Além de construções arquitetônicas emblemáticas que evidenciavam o glamour e a “época de ouro” do local, a exemplo da Torre Eiffel erguida no Campo de Marte (Champ de Mars), a capital pariense foi o ponto de partida para o desenvolvimento da indústria cinematográfica mundial, como a produtora de filmes Hollywood, nos Estados Unidos, que destacou-se no início do século XX. Isso graças a primeira amostra de cinema no Grand Café em 1895.


 A Torre Eiffel tornou-se um dos símbolos da modernidade de Paris. (Foto: Wikipédia) 

As bilheterias dos cinemas franceses ficavam lotadas de um público consumista e ansioso pelas novidades das artes audiovisuais. Já as casas de concertoteatroslivrarias, cafeteriaspraças e parques públicos atraíram pessoas ávidas em vivenciar o grande progresso civilizacional das produções parisiense.

Destacava-se ainda as noites regadas a muitas apresentações da divertida dançacancan” nos cabarés. Lindas bailarinas articulavam altos pontapés, piruetas e passos sincrônicos nos palcos. 


O público se divertia e apreciava o cancan nas noites de Paris. (Foto: Wikipédia)

Dessa forma, a capital francesa passou a ser referência mundial na produção e exportação de cultura.

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