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Biblioteca de Alexandria

Postado por Ana Letícia Reis em 28/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Um dos primeiros centros de conhecimento da humanidade


A Biblioteca de Alexandria durante seus sete séculos de existência foi considerada um dos primeiros centros de conhecimento da antiguidade. Um patrimônio científico e cultural às margens do Mar Mediterrâneo que abrigou cientistas e pesquisadores importantes como Euclides de Alexandria, Herófilo, o físico Arquimedes, entre outros tão importantes para o conhecimento humano.

História


A Biblioteca de Alexandria foi estabelecida na Dinastia Ptolemaica no século III a.C. pelo rei Ptolomeu II. A vontade de obter conhecimento era tamanha que criaram uma espécie de lei que reunia todos os pergaminhos das embarcações que aportassem na cidade de Alexandria. 

Eles tinham o anseio de adquirir uma cópia de cada livro da face da terra, então pegavam os pergaminhos das embarcações, faziam as cópias que na época eram feitas manualmente e depois que ficavam com as originais e devolviam as cópias. Ou até mesmo confiscavam as obras e compensavam os donos com uma quantia em dinheiro. 

A Biblioteca de Alexandria conseguiu reunir cerca de 1 milhão de livros, o que parece pouco se comparado ao material encontrando nas grandes bibliotecas como a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos que reúne hoje mais de 164 milhões, porém, deve ser levado em consideração a dificuldade de reprodução na época já que não haviam computadores e sequer impressões. Esse agrupamento dos manuscritos só foi possível porque Alexandria era a capital do Império Egípcio, além de ser uma cidade portuária do Mar Mediterrâneo.

Assim a Biblioteca de Alexandria tinha um grande fluxo de informações tornando-se conhecida como o centro do conhecimento, também conhecida como Cidadela da Consciência e do Conhecimento Humano, o que atraiu estudiosos de todo o mundo.

Em cerca de sete séculos de existência, a Biblioteca de Alexandria instigou a sede pelo conhecimento e a investigação de cientistas que descobriram assuntos tão conhecidos na atualidade como Euclides de Alexandria que desenvolveu conceitos da Geometria, Arquimedes, o físico; Aristarco de Samos que presumiu a circulação dos planetas em torno do sol; além de Herófilo que apresentou a estrutura dos vasos sanguíneos e do cérebro. 

Pouco se sabe sobre a estrutura física da Biblioteca de Alexandria, porém alguns registros contam que tinha muitos jardins, um observatório, sala de dissecação e até um zoológico. O Antigo Testamento foi traduzido nessa biblioteca do hebraico para o grego.

Teorias sobre a destruição da Biblioteca de Alexandria


Existem muitas histórias sobre como aconteceu a destruição da biblioteca, entre elas a perseguição cristã que ocorreu no século III d.C. com as repressões religiosas que incentivaram ataques e mortes.

Até então, Alexandria era uma cidade de prestígio pela sua sede em conhecimento e por ser a capital do Egito Antigo, porém houve destruições na cidade que atingiram moradores tanto cristãos quanto de outras religiões, pois Alexandria era considerada uma cidade pagã.

Após o cristianismo tornar-se religião oficial em Roma, seus seguidores ficaram cegos no fanatismo dos bispos e teólogos que passaram a criticar as ideias Alexandrinas que já haviam sido muito respeitadas um dia.


Historiadores acreditam que a Biblioteca de Alexandria foi incendiada. (Foto: Wikipedia)

O imperador Teodósio e o bispo Teófilo comandaram alguns ataques contra o paganismo que gerou o despojamento por toda a cidade, inclusive na Biblioteca de Alexandria por hospedar linhas de estudo e pensamentos que eram consideradas propagações do paganismo.

Outra teoria é de que a biblioteca passou por uma série de incêndios e que um deles teria sido causado por Júlio César que perseguia Ptolomeu XIV, assim que ele conheceu Cleópatra. 

Durante a Guerra Civil da República Romana, os soldados de Júlio César atearam fogo aos próprios navios com intuito de bloquear a frota de Ptolomeu XIV, mas o fogo se alastrou causando devastação e atingindo inclusive a Biblioteca de Alexandria destruindo cerca de quarenta mil obras.

E ainda há quem acredite que o general árabe Amir ibne Alas conquistou o Egito e determinou que destruíssem todos os manuscritos que fossem de encontro ao Alcorão, o que ocasionou também a destruição de muitas construções de Alexandria como palácios e outras casas que foram abandonadas pela população.

A nova Biblioteca Alexandrina


Inspirada na Biblioteca de Alexandria construíram, em 2002, a Biblioteca Alexandrina que impressiona o mundo com seu design que é considerado uma das mais belas edificações da cidade. A Biblioteca Alexandrina abriga a maior coleção de livros da África.

Em sua estrutura ousada e grandiosa que contém museus, um planetário, auditórios e laboratórios, além de uma sala de leitura principal que tem mais de 20 mil metros quadrados coberta por vidro. Suas paredes externas possuem caracteres com diferentes idiomas encontrados em manuscritos antigos.


A parte externa da Biblioteca Alexandrina possui caracteres de vários idiomas. (Foto: Flikr)

 A Biblioteca Alexandrina possui livros raros que foram doados por intelectuais e governos internacionais, além de esculturas e pinturas com exibições permanentes e museus que são: O Museu de Antiguidades, o Museu de Manuscritos, o Museu da Ciência e o Museu de Sadat. Essa construção gerou o custo de 65 milhões de dólares trazendo muito simbolismo com suas memórias de desenvolvimento intelectual da cultura, da ciência e saber humano.

Seu sistema de computadores permite o acesso a outras bibliotecas e várias obras já estão digitalizadas para não correr o risco de perder novamente o acervo que contém por volta de 400 mil livros. Entre eles, dez mil livros considerados raros, 300 mil títulos de publicação periódica, 100 mil manuscritos, 50 mil vídeos e 200 mil cassetes de áudio. Sua coleção mais importante evidencia as civilizações do Mediterrâneo Oriental

A autoria do projeto é de arquitetos noruegueses e demorou sete anos para concluir sua construção que foi financiada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e pelo governo egípcio. 


A Biblioteca Alexandrina pode preservar 8 milhões de livros em seu subsolo. (Foto: Flikr)

A construção principal aparenta um cilindro inclinado de granito cinza com letras de alfabetos antigos em vários idiomas que apresentam as bases do conhecimento. Conta com um subsolo que pode preservar tranquilamente 8 milhões de livros, como salas de conferências, biblioteca para cegos. Outra estrutura à parte lembra um satélite.

Em geral a estrutura central comporta onze pisos nos quais sete são na superfície e quatro são subterrâneos. Em 2013 a Biblioteca recebeu o prêmio Calouste Gulbenkian dos Direitos Humanos em Portugal. 

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