Saída do Reino Unido da União Europeia
Brexit é a união da palavra inglesa Britain (Bretanha) e Exit (saída). A abreviação é usada para falar da separação do Reino Unido (RU) com a União Europeia (EU). Iniciado em 2016, durante o comando do primeiro-ministro David Cameron, as discussões para a sua conclusão têm sido árdua e a finalização, que tinha o prazo de dois anos para acontecer, já foi adiada duas vezes.
O processo vai resultar em grande perda econômica para os países pertencentes do Reino Unido e também para o bloco econômico. Mesmo assim, a ala conservadora aprova a retirada do bloco.
Descubra abaixo os motivos e consequências do Brexit.
Motivos para deixar a UE
Muitos são os motivos para separação com a União Europeia. Defensores argumentam que desde que entraram no bloco, o Reino Unido perdeu a soberania nacional. Outros afirmam que a permanência traz déficits para a economia, com perda de 10.574,98 Milhões de euros (mais de R$ 4 bilhões), valor pago em contribuições obrigatórias para A União Europeia.
Outros motivos para a saída são:
• Maior controle da Imigração: para os grupos que são a favor da saída, o aumento de imigrantes tem criado maiores gastos com serviços públicos. Logo, com o término das relações com o bloco haveria uma economia de bilhões;
• Dinheiro para aplicar na saúde e educação: com o Brexit, o Reino Unido deixaria de pagar bilhões para continuar na União Europeia, dinheiro que poderia ser usado para investir nos setores da educação e saúde pública;
• Liberdade de negociação: os grupos conservadores afirmam que a Inglaterra perdeu autonomia quando entrou no bloco, pois todos os acordos são realizados por meio do Mercado Comum Europeu. Assim, consideram que a sua saída vai permitir que tenham liberdade de negociação com os outros países.

O Brexit trará diversas consequências para o reino Unido. (Foto: Pixabay)
Referendos
O Reino Unido planeja deixar o bloco econômico europeu desde 1975, ano em que o primeiro referendo (para saber se a população era favorável à permanência no bloco europeu) foi realizado.
A votação foi realizada no dia 5 de junho e contou com participação massiva da população nas urnas. Mesmo com objeções relacionadas com a soberania da região, os eleitores decidiram com mais 67% dos votos (dois terços dos votos válidos) por continuar na União Europeia.
O segundo referendo aconteceu em 2016. Na época, o primeiro-ministro britânico David Cameron concorria à reeleição. Para conseguir o apoio, ele realizou um acordo com o Partido Nacionalista e, como consequência, teve que convocar uma nova consulta com a população.
O resultado, desta vez, mostrava o interesse dos eleitores na separação e com 51% dos votos a população decidiu por sair do bloco. No entanto, ao contrário do primeiro referendo, o resultado mostrou uma divisão de opiniões, pois enquanto a Escócia, Irlanda do Norte e a cidade de Londres votaram por continuar no bloco, o resto da Inglaterra e País de Gales preferiam a retirada.
Prazos para a saída
Meses após a realização do referendo, em março de 2017, a União Europeia recebeu a notificação do Reino Unido sobre o Brexit. De acordo com o artigo 50 do Tratado de Lisboa, um país membro do bloco tem até dois anos para completar a retirada definitiva.
O primeiro prazo para a finalização do processo ficou programado para acontecer até março de 2019. Mas, devido ao trâmite de negociação agitado, foi necessário adiar para abril e, posteriormente, para outubro do mesmo ano.
Acordo
O processo de saída da União Europeia tem o prazo de dois anos, a partir da notificação, para ser finalizado. Nesse período, um projeto de acordo é elaborado pelos membros do bloco e enviado para o parlamento do país específico. No documento deve constar um esboço sobre o processo de transição, o futuro dos cidadãos que moram ou trabalham fora do seu país natal e a multa a ser paga.
O Reino Unido, entretanto, enfrenta problemas na finalização do divórcio, pois o parlamento britânico discorda dos termos do acordo e realiza intensas discussões para elaborar uma nova proposta.
Consequências do Brexit
Muitas serão as implicações com a retirada do Reino Unido da UE. Entre elas estão:
• Alguns países já informaram que preferem realizar acordos com a União Européia;
• Provável queda na economia;
• Algumas leis criadas para o bloco vão perder validade no Reino Unido;
• Deslocamento dentro da Europa se tornará mais complicada;
• Londres poderá ativos e operações de grandes bancos estrangeiros.
• Crises econômicas mundial em longo prazo.
União Europeia
A União Europeia é um dos blocos econômicos que movimentam o cenário mundial. Formado por 28 estados-membros, situados principalmente na Europa, inicialmente era denominado de Comunidade Econômica Europeia. O grupo prevê uma negociação aberta com os países integrantes, além de maior liberdade de movimentação de mercadorias e pessoas. No último caso, tanto para trabalho, quanto para estudo ou moradia.
O euro é a moeda que circula na maioria dos países que pertence ao bloco. No entanto, o Reino Unido manteve a libra esterlina como moeda principal e não adotou o euro como moeda oficial. Em consequência, o país foi proibido de fazer parte da união monetária da União Europeia (Zona do Euro).
Curiosidades
• O Reino Unido é formado pela Escócia, Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. A Grã-Bretanha, por sua vez, é uma expressão geográfica e se refere à Grande Ilha dentro do arquipélago das ilhas britânicas;
• O Reino Unido é uma união política e uma monarquia constitucional. Tem a Rainha Elizabeth II como chefe de estado e seu sistema de governo é de parlamentarismo. Atualmente a primeira-ministra é Theresa May;
• Primeiro-ministro britânico de 2010 até 2016, Cameron foi responsável por realizar o referendo que resultou no processo de retirada;
• Mesmo sendo líder do Partido Conservador na Inglaterra, David Cameron não concordava com o Brexit e fez campanha contra da saída. Após derrotas nas negociações, renunciou ao mandato;
• Theresa May tem realizado grandes articulações para finalizar o Brexit.