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Caudilhismo

Postado por Márcia Macedo em 30/09/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Sistema de governo também chamado de caudilhamento


O Caudilhismo conhecido também como caudilhamento, é uma estrutura de governo estabelecido e comandado por um indivíduo caudilho. Na maioria dos casos, esses líderes estão diretamente relacionados aos interesses tradicionais oligárquicos ligados à agricultura.


Hugo Chávez e a sua revolução chegaram ao poder na Venezuela, com a promessa de acabar com a pobreza e a corrupção. (Foto: Wikipédia)

Caudilhismo


O caudilhismo possui uma estrutura de governo bem antiga que se assemelha à Roma Antiga. Faz alusão à aristocracia romana que tinha muitas milícias e amplas áreas rurais e nesses locais residiam seus clientes, que eram pessoas pobres. A partir desse fato, surgiu a relação entre o caudilhismo e o clientelismo.

A palavra caudilho é originada do latim “capitellus” e a pessoa denominada assim, é um líder de uma determinada sociedade. Trata-se de um chefe político e militar de uma região específica, um comandante de exércitos privados e que possui propriedades rurais.

Clientelismo

Geralmente, o clientelismo é caracterizado como uma maneira que corresponde a agentes políticos diferentes. Isso envolve: benefícios públicos e fiscais; concessão de empregos; donativos; obras; vantagens econômicas; entre outros, em troca de um suporte político, que se converte em votos próprios ou para os políticos aliados.

Basicamente, é quando uma pessoa “vende” o seu apoio político e como pagamento, recebe alguma forma de benefício pessoal e sendo assim, se torna o “cliente” daqueles políticos que são capazes de fazer qualquer tipo de negócio para comprar apoio e voto e ofertar qualquer espécie de benefício.

Na História do Brasil, o conceito de clientelismo está diretamente relacionado com o conceito de coronelismo, porque ambos retratam as relações eleitorais atuantes durante o período que ficou conhecido como República Velha

Apesar de existir relações de característica clientelística dentro do coronelismo e desses dois segmentos estarem relacionados, clientelismo e coronelismo não são sinônimos, pois possuem características divergentes.

Características


A pessoa que pertence ao sistema de governo denominado caudilhismo é chamada de caudilho, que normalmente é uma pessoa disciplinada e ativa, que possui tanto experiência militar, quanto determinados conhecimentos que induzem à população a respeitá-lo e segui-lo.

Essa característica dos caudilhos de se manterem relativamente próximo das massas, o deixam bem próximos do populismo, por isso, em grande parte dos fatos, o caudilhismo está associado à incorporação carismática de um chefe, um verdadeiro líder.

Basicamente, o caudilhismo não possui conceitos estipulados, a ideologia deles pode diversificar entre um regime liberal e progressista e um reacionarismo aristocrático. Mas, praticamente em todos os casos, o caudilhismo é caracterizado como um regime autoritário, repressor e paternalista.

O caudilhismo quer acima de tudo, conservar os privilégios das elites, fazendo se tornar sucessivos, os formatos antigos de governo, sem promover amplas modificações estruturais nas ordens sociais e econômicas da população.

No sistema do caudilhismo, as opções ideológicas e políticas não são primordiais, eles não são comprometidos com uma ideologia específica. O princípio que os move é uma lógica do poder adquirido em um determinado território.

Não existem diferenças excessivas entre federalistas e unitaristas ou entre liberais e conservadores. Há total possibilidade de um liberal se tornar um conservador e um unitarista se transformar em um federalista, tudo só vai depender unicamente das eventuais ocasiões e de acordo com o andamento das alianças de interesses próprios.


Porfírio Diaz governou o México por mais de 30 anos, havia uma aparente democracia, mas as eleições eram sempre manipuladas. (Foto: Wikimedia Commons)

América Latina


Na América Latina, a ocorrência do caudilhismo é visível, por causa dos vários fatos que aconteceram no período entre o século XIX e começo do século XX. Essa forma estrutural remete ao Período Colonial.

Na época do Brasil Colônia, os grandes donos de propriedades possuíam o poder político desde os Cabildos, as instituições locais que tinham muitos poderes políticos e administrativos e ainda criavam milícias para proteger as suas terras. Trata-se de um fenômeno parecido com o coronelismo, que no Brasil ficou mais claro com o surgimento da República no ano de 1889. 

Mesmo com a ideologia iluminista e revolucionária sendo disseminada pela América, somente com as guerras napoleônicas que destruíram as monarquias em países da Europa, foi que pessoas envolvidas com o caudilhismo revolucionário deram início a movimentos de independência por toda a América Latina.

Os líderes caudilhos faziam parte da elite colonial criolla, que são os descendentes de espanhóis que nasceram na América. Esses caudilhos tinham um grande poder econômico para encabeçar as ações por independência. O processo foi positivo pois conseguiram formar repúblicas livres, mas não estabeleceram de fato, a democracia.

Atualidade


O movimento político que ocorreu na América Latina nasceu, cresceu e se desenvolveu conforme foi estabelecido no caudilhismo. 

Além da herança histórica que existe, especialistas acreditam que o argumento caudilhista de assumir o poder e governar conforme os interesses particulares apoiando a tomada do poder na carência e na ausência de esperança, é uma intimidação para países hispânicos.

Exemplos de Caudilhos


Seguem abaixo alguns exemplos de presidentes e líderes que normalmente são considerados como os principais caudilhos da história:

Argentina – Justo José de Urquiza (1854 – 1860), Bartolomé Mitre (1862 – 1868) e Juan Manuel de Rosas.
Bolívia – Mariano Melgarejo (1864 – 1871).
Brasil – Getúlio Vargas (1930 – 1945; 1951 – 1954) e Júlio Prates de Castilhos.
Cuba – Fulgencio Batista (1940 – 1959).
Equador – José María Velasco Ibarra (1934 – 1972).
Espanha – Francisco Franco.
Guatemala – José Rafael Carrera Turcios (1844 – 1848).
Haiti – Jean-Pierre Boyer (1818 – 1843), François Duvalier “Papa Doc” (1957 – 1971), Jean-Claude Duvalier “Baby Doc” (1971 – 1986).
Hungria – Miklós Horthy.
México – Antonio López de Santa Anna (1834 – 1855 - muitas passagens pelo governo ao longo desse período), Benito Juárez (1862 – 1872), Porfirio Díaz (1876 – 1911) e Pancho Villa.
Nicarágua – Anastasio Somoza García (1937 – 1947; 1950 – 1959), Anastasio Somoza Debayle (1967 – 1979).
Nova Zelândia – Richard Seddon (1893 – 1906), Keith Holyoake (1960 – 1972; 1977 – 1980).
Paraguai – Gaspar Rodríguez de Francia (1813 – 1840), Francisco Solano López (1862 – 1869) e Carlos Antonio López.
República Dominicana – Buenaventura Báez (1849 – 1878), Rafael Trujillo (1930 – 1962).
Uganda – Idi Amin (1971 – 1979).
Uruguai – Manuel Oribe (1835 – 1838; 1846 – 1851), José Batlle (1899 – 1915 - muitas passagens pelo governo ao longo desse período).
Venezuela – Cipriano Castro (1899 – 1909), Juan Vicente Gómez (1909 – 1935), Hugo Chávez (1999 – 2013), Simon Bolívar e Antonio Guzmán Blanco.

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