Seres da mitologia grega com metade do corpo humano e metade cavalo
Os centauros são criaturas fabulosas que fazem parte da mitologia grega . O corpo desses seres é formado por cabeça, braços e dorso de um ser humano e o tronco e pernas de um cavalo. De acordo com as narrativas mitológicas, esses seres fantásticos habitavam as regiões de florestas e de montanhas, de Tessália.
Os mitos revelam que os centauros reuniam características de humanos, bem como características típicas do cavalo. Eles eram seres que possuíam muita força física, que agregava valores de cavalos – considerados valores importantes na mitologia grega –; bem como, aspectos da natureza humana.
No imaginário mítico da Grécia Antiga, a divisão se dava da seguinte forma: a parte inferior dos centauros – metade que corresponde ao corpo do cavalo – é responsável pela força física, pela brutalidade e por impulsos sexuais; a parte superior – metade que corresponde ao corpo humano era mais racional, com capacidade de analisar e refletir.
Assim, a mitologia considera que os centauros são seres que fazem analogia aos conflitos que são comuns dos seres humanos: razão, emoção e violência.
Origem dos centauros
De acordo com a mitologia grega existem duas subdivisões das linhagens dos centauros: a primeira são os filhos de Ixíon e de uma nuvem (Nefele), os quais representam a força bruta, usada sem escrúpulos; e a segunda linhagem são os filhos de Filira e Cronos, que diferente dos descendentes Ixíon, usavam a força a serviço da bondade.
As histórias mitológicas indicam que os centauros teriam se originado após uma disputa entre os deuses do Olimpo Íxion, Hera e Zeus. Segundo os relatos, Íxion se apaixonou pela deusa Hera, esposa de Zeus, e quando planejava manter relações sexuais ela, caiu na armação de Zeus.
Com o objetivo de enganar Íxion e evitar que ele mantivesse relações com Hera, Zeus modelou com nuvens uma estátua de Hera e a colocou perto de Íxion para observar qual seria a sua reação.
Íxion copulou com a estátua de nuvem, acreditando que se tratava de Hera. Nefele, a nuvem que fora violentada por Íxion, deu origem a Kentauros, que após copular com éguas magnesianas, originou os primeiros centauros.
Existem ainda relatos mitológicos que indicam que alguns centauros foram frutos do relacionamento do deus Cronos e Filira, filha do Oceano. Dessa segunda família de centauros, o mais notável era Quíron, representante maior força aliada à bondade.

Escultura de um centauro e lápita em confronto. (Foto: Wikipedia)
Simbologia
Os seres mitológicos, cujo o corpo é formado por metade cavalo e metade homem, representam a oposição que existe entre os seres humanos. De um lado estão os instintos e os desejos, do outro está a razão e o domínio das emoções, fundamentais para alcançar o equilíbrio e a síntese entre corpo e alma.
A origem do mito
Não existe consenso sobre a formação do mito dos seres fabulosos da mitologia grega, metade homem e metade cavalo, que habitavam as regiões da Arcádia (Peloponeso Central) e Tessália (sul da Macedônia).
Umas das possibilidades é que tenha sido inspirado em tribos selvagens das regiões mais agrestes da Grécia ou em cavalarias nômades da Ásia Central. Acredita-se que o mito teve influência do fascínio que os cavalos, viris e velozes, exerciam sobre o seres humano na Grécia Antiga.
Lendas
A mitologia grega reúne diversas lendas envolvendo os centauros, seres fantásticos que viviam nas regiões da Arcádia (Peloponeso Central) e Tessália (sul da Macedônia). O imaginário mítico grego enxergava no cavalo uma série de virtudes admiráveis e, portanto, sua mistura com os homens era vista como algo positivo.
A mitologia dá conta de que o ancestral dos centauros era Íxion, soberano dos lápitas, que vivia nas montanhas Pélion e Ossa, na Tessália. Os centauros eram seres sociáveis, entretanto, às vezes eles se mostravam indomáveis e violentos.
A capacidade de socialização dos centauros é demonstrado através de uma série de narrativas mitológicas, que falam sobre o seu relacionamento com os seres humanos. Um dos mitos mais conhecidos que envolve os centauros fala sobre o casamento da princesa Hipodâmia e Pirítoo (rei dos lápitas).
Os Centauros e os Lápitas
A batalha dos Centauros e dos lápitas, narrada nas histórias da mitologia grega, consiste na luta entre os centauros e os lápitas, causada pela tentativa de rapto da princesa Hipodâmia no dia do seu casamento com Pirítoo, rei dos Lápitas e também filho de Íxion.
Os centauros participaram do casamento, onde se embriagaram com o vinho servido na festa. A embriaguez teria aflorado os baixos instintos fazendo com que os centauros tentassem raptar a noiva. A tentativa de rapto da princesa causou a reação dos lápitas, e o que era para ser uma festa foi transformado em uma luta entre os centauros e os humanos.
Nessa batalha os centauros foram expulsos da Tessálias depois que o herói Teseu inclinou a balança para o lado da ordem certa das coisas durante a luta, ajudado Pirítoo a expulsar as criaturas fabulosas. Com a expulsão da Tessália, os centauros passaram a viver no Epiro, no entanto, algum tempo depois, Herácles exterminou quase eles durante uma batalha.
A lenda dos centauros e dos lápitas faz analogia aos conflitos existentes entre os seres humanos, como o paradoxo entre os baixos instintos e o comportamento civilizado na humanidade.
Batalha de Herácles
Filho do deus Cronos e de Filira, filha do Oceano, o centauro Quírion teria contrariado a sua própria espécie, tida como impulsiva e violenta. Quírion desenvolveu muitas habilidades ao ser educado pelos deuses gregos Apolo e Diana, dominando conhecimentos sobre caça, botânica, astronomia e medicina.
Quírion transferiu suas técnicas a diversos heróis gregos, inclusive, ao herói Herácles, amigo que lhe feriu acidentalmente, depois de envolver em uma batalha contra os centauros. Durante a batalha, Herácles acabou atingindo Quírion, que era seu amigo e havia lhe repassado todos seus conhecimentos.
Herácles tentou curar Quírion com uma medicação ensinada pelo próprio centauro, mas não conseguiu impedir o seu sofrimento. Ferido e sem conseguir se recuperar, Quírion pediu a Zeus que tirasse sua imortalidade para não ter que conviver com a dor de seu ferimento.
Atendendo ao pedido do centauro, Zeus retirou sua imortalidade, repassando-a para Prometeu. Em homenagem a Quíron, Zeus criou a constelação celestial de Sagitário para honrar o centauro sacrificado. A constelação representa o homem que, guiado pelo Espírito, usou sua força e energia para alcançar a sabedoria.