0

Sua mochila está vazia!

Ciclo da Cana de Açúcar

Postado por Márcia Macedo em 23/12/2019 e atualizado pela última vez em 22/12/2020

Época em que foram criadas as Capitanias Hereditárias


O Ciclo da Cana de Açúcar também intitulado como ciclo do açúcar, foi um período importante da história do Brasil Colônia. Esse período foi compreendido entre a metade do século XVI e a metade do século XVIII. No Brasil, o açúcar foi considerado a primeira grande riqueza agrícola e industrial e por muito tempo, também foi a base da economia colonial.

O ciclo da cana de açúcar foi um período importante para o Brasil.
Atualmente, a colheita da cana de açúcar pode ser facilitada por técnicas como: irrigação, maturação e transporte. (Foto: Pixabay)

O Ciclo da Cana de Açúcar


O ciclo da cana de açúcar começou quando a matéria prima, a cana de açúcar foi inserida ao mesmo tempo, em três diferentes Capitanias Hereditárias: Bahia, Pernambuco e São Vicente. No ano de 1549, Pernambuco já tinha trinta engenhos-banguê, a Bahia tinha dezoito engenhos-banguê e São Vicente tinha dois engenhos-banguê.

A prosperidade estava presente na rotina da lavoura da cana de açúcar e meio século depois, houve então, a distribuição dos engenhos, totalizando cerca de 256. Nessa época acontecei o chamado sistema de “plantation”, ou seja, eram plantações realizadas em grandes fazendas, que eram produtoras de um produto apenas.

Essa produção era direcionada para o comércio e o mercado exterior, sendo usada a mão de obra escrava formada pelos negros africanos e por povos indígenas, o que denominada tráfico, que por sua vez também dava lucros.

O açúcar nacional era destinado, principalmente, para o mercado de países da Europa e as estruturas mais produtivas usavam a mão de obra africana, enquanto as estruturas menores permaneciam usando a mão de obra indígena.

No período do ciclo da cana de açúcar, os senhores de engenho, normalmente eram fazendeiros e proprietários dos setores de produção do açúcar. Além do açúcar, naquela época, a produção de algodão e tabaco também estavam em alta no Brasil.

No decorrer do ciclo da cana de açúcar, a mais rica entre todas as capitanias foi a de Pernambuco. Ela impressionou o padre jesuíta português Fernão Cardim (1549 – 1625), que se surpreendeu ao ver fazendas maiores e mais ricas do que as havia visto na Bahia. No começo do século XVII, Pernambuco foi a maior e mais rica região de produção de açúcar do mundo.

Contexto Histórico do Ciclo da Cana de Açúcar


No ano de 1498, o navegador e explorador português Vasco da Gama (1469 – 1524) descobriu uma rota marítima para as Índias. Essa nova rota iria permitir que os portugueses conseguisse realizar o comércio de especiarias. Esse processo fez parte de todo contexto do ciclo da cana de açúcar.

Esse movimento aconteceria sem que houvesse a intermediação dos árabes e dos venezianos (originários da cidade de Veneza – Itália), que possuíam o monopólio do comércio no Mar Mediterrâneo e como resultado imediato, houve uma baixa nos preços das especiarias.

Quando foi descoberto o ouro na América Espanhola, acabou despertando o interesse de Portugal nas terras que tinham acabado de descobrir, o território brasileiro. A França, a Holanda e a Inglaterra também ficaram interessadas. Eles questionavam o Tratado de Tordesilhas, que não haviam tomado parte.

Esses países declararam que reconheciam a posse sobre as terras povoadas e Portugal, com medo de perder as suas terras, decidiu ocupa-las e isso necessitava de recursos. Já que não encontraram ouro, tinham que desenvolver alguma atividade econômica para compensar os custos da ocupação.

A produção agrícola parecia ser inviável e o trigo era cultivado na Europa e os meios de transportes da América eram muito caros. Apenas as especiarias e os manufaturados (sistema de produção com técnica de produção artesanal e divisão do trabalho) eram alternativas viáveis.

Durante o ciclo da cana de açúcar, foram criados diversas fazendas de engenho.
Engenhos de açúcar era o nome dado para grandes propriedades agrícolas que cultivava cana de açúcar no Brasil. (Foto: Wikipédia)

Causas e Consequências


No período histórico do ciclo da cana de açúcar. Portugal já tinha experiência com a exploração de açúcar, há algumas décadas, tanto nas ilhas do Atlântico, como: Açores, Cabo Verde, Ilhas da Madeira e São Tomé e Príncipe. O portugueses também dominavam a indústria de equipamentos para os engenhos de açúcar.

A oferta através de cidades da Itália, formada por consumidores, desse produto ainda era de certa forma, uma novidade nos países da Europa. Isso não impediu que ocorresse uma crise de queda de preços, no ano de 1496, o que desviou grande parte da produção para os portos flamengos (grupo étnico germânico que fala a língua holandesa).

Em meados do século XVI, o estabelecimento agrícola deixava de ser um empreendimento comum português e flamengo. Essa fusão foi essencial para a absorção da grande produção brasileira que chegou ao mercado desde meados do século XVI.

Haviam evidências de que grupos holandeses poderosos também custearam os estabelecimentos produtores no Brasil, assim como o transporte da mão de obra escrava. Nessa época, os portugueses já sabiam completamente, como funcionava o mercado africano de escravos.

Um século antes disso, teve início as operações de guerra para a captura dos negros pagãos, movimento que ocorreu nos tempo do Duque de Viseu, o Infante Dom Henrique de Avis (1394 – 1460).

O Brasil se transformou no maior produtor de açúcar, entre os séculos XVI e XVII, período exato em que ocorreu o ciclo da cana de açúcar. No início, as regiões açucareiras mais importantes eram Bahia, Pernambuco, São Paulo e uma parte do Rio de Janeiro, local que tinha produtores secundários da área de Campos, região do baixo vale do Rio Paraíba do Sul.

Em seguida, uma das maiores produtoras da região Sudeste, a capitania de Itamaracá, encerrou as atividades. O estado da Paraíba passou a fazer parte do grupo e quando ocorreram as invasões holandesas (ocupação da região Nordeste do Brasil), haviam aproximadamente 20 engenhos no território brasileiro.

O Pacto Colonial, também chamado de Exclusivo Comercial Metropolitano, era um sistema de leis e normas e foi imposto por Portugal, ele determinava que o Brasil Colônia só poderia fazer comércio com a Metrópole e que não podia abrir concorrência com os produtos produzidos por lá, ou seja, o Brasil não podia produzir nada do que a Metrópole já produzia.

Assim ficou estabelecido o monopólio comercial, que de certa maneira foi imposto pelo governo da Inglaterra a Portugal, com intuito de garantir mercado para os comerciantes ingleses. A colônia vendia metais, produtos tropicais e subtropicais com preços baixos e estabelecidos pela metrópole. 

Além disso, a colônia comprava da própria metrópole, os produtos manufaturados e os escravos com preços bem mais altos, assegurando lucro para Portugal em qualquer uma das negociações.

Portugal se separou da Espanha em meados do século XVII e procurou aliança com a Inglaterra, com objetivo de manter as colônias que sobraram. Nunca teve uma indústria relevante e por isso, dependia da manufaturas inglesas, sobretudo com o acordo de 1703 (Tratado dos Panos e Vinhos). Portugal era beneficiário do monopólio, mas também era totalmente dependente da Inglaterra.


Artigos Relacionados

A Crise dos Mísseis foi provocada pela descoberta de projeteis soviéticos em solo cubano. O evento aflorou o medo de uma guerra nuclear.

A crise do feudalismo tem suas causas no renascimento comercial, influenciado pelas Cruzadas e pelo crescimento da circulação de moedas.

Cortina de Ferro é uma metáfora que foi popularizada pelo britânico Winston Churchill, durante o discurso que incentivou o início da Guerra Fria.

Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar