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Comunismo

Postado por Maria Mendes em 22/01/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Doutrina que visa uma sociedade sem classes sociais


O comunismo é uma doutrina política e socioeconômica que tem como finalidade a existência de uma sociedade igualitária e, além disso, que consiste nos meios de produção como propriedade de todos os indivíduos. A ideologia principal do comunismo é uma sociedade que não esteja sob a regência do Estado (sociedade apátrida). Pode-se dizer que a doutrina comunista é o oposto do capitalismo, pois considera que a propriedade privada do capital consiste na individualidade e por isso é destoante, pois não atende a maioria da população.


Principais Características do Comunismo


Ao se basear pela visão histórica, o comunismo é tido como o auge da evolução humana, pois a sociedade se estabeleceria de forma que extinguisse as desigualdades. Essas disparidades seriam, portanto, as grandes causadoras dos problemas sociais. Segundo historiadores, o comunismo pode ser avaliado como a etapa final da implantação e evolução de um sistema socialista. Acredita-se que ele entraria em vigor a partir do momento que o Estado fosse extinto.

Com isso, surgiria uma sociedade pautada na divisão igualitária das riquezas, na qual todos os envolvidos contribuíram, de alguma forma, com sua força de trabalho. Ao seguir esta lógica, o comunismo caminharia, inicialmente, para o socialismo, no qual a propriedade privada seria do Estado, liderada por um partido político de direcionamento socialista.

Em seguida, o Estado seria aniquilado e, logicamente, o poder seria passado para o povo, ou seja, resultaria de fato no comunismo. Dessa forma, não existiriam mais governos, países e o caminho seria acabar com as desigualdades de classes sociais. Porém, isto nunca aconteceu. Segundo os pesquisadores, o comunismo teria como característica marcante uma sociedade baseada nos meios de produção (fábricas, fazendas, minas, etc) e todos seriam públicos, de forma que não fizessem parte do Estado, uma vez que não existiria Estado.

O comunismo é uma doutrina que tem como objetivo principal reconstituir o que se conhece por “estado natural”, isto é, uma sociedade em que todos teriam direito a tudo. O modo de produção estaria livre da alienação do trabalho, pois iria beneficiar a todos de maneira igual. Outra característica fundamental da doutrina comunista é a luta de classes. Para se conseguir alcançar o ideal de uma sociedade igualitária, seria essencial que as elites dominantes fossem desafiadas. Dessa forma, o trabalho que é visto como uma mercadoria, como acontece no capitalismo, na doutrina comunista as pessoas trabalhariam de forma livre.

Primórdios do Comunismo


Segundo alguns historiadores, o comunismo teve início ainda no período da antiguidade, onde sugeria que as primeiras sociedades humanas eram todas comunistas. Em determinadas tribos, por exemplo, os recursos naturais eram divididos por todo o grupo, pois garantia a sobrevivência dessas pessoas.

Após o surgimento e desenvolvimento da agricultura, a terra passou a ser objeto de desejo. Aqueles que plantavam, acreditavam que possuíam mais direito sobre a terra comparado com quem colhia. Isso contribuiu para que as coisas fossem vistas de uma forma comum a todos, se tornando uma propriedade privada. O crescimento das cidades e a mão de obra escrava tornava distante a ideologia comunista do contexto em que se vivia. O modo de produção passou a ser a mão de obra, característica marcante da Grécia e de Roma.

No período da História Medieval, com o aparecimento do feudalismo, a terra passou a pertencer aos Senhores Feudais. Os servos trabalhavam cultivando a terra como troca de uma parte dessa produção.


Karl Marx e o Comunismo


A expressão comunismo foi utilizada pela primeira vez em 1827, quando Robert Owen, reformista social galês, fez referência a socialistas e comunistas. Owen foi o primeiro a considerar que o valor de uma mercadoria deveria estar associado ao trabalho que é empregado em sua produção, não ao valor em dinheiro que lhe é conferido.

A proposta de Owen era que existisse um sistema de cooperativas para atacar impetuosamente o capitalismo. O Socialismo e Comunismo, termos usados por ele, foram usadas de forma similar durante todo o período do século XIX.

As Revoluções Inglesas foram fatos históricos que marcaram e estimularam as práticas comunistas. Um grupo chamado diggers, que significa “cavadores”, ganhou conhecimento nesse período. Esse grupo era responsável por realizar plantações em lotes públicos para distribuir os alimentos entre a população inglesa. Com essas práticas, começou a ser adotado o princípio do comunismo, isto é, onde tudo que é produzido pertence a todos.


A análise econômica e política do comunismo sob a visão de um dos fundadores filosóficos da doutrina, Karl Marx, detalhou essa evolução entre as classes sociais. Marx fez comparações com o sistema capitalista, distinguindo os recursos entre cada um deles e explanando a evolução da sociedade. O filósofo conseguiu abordar a ideologia comunista de forma mais clara, diferente dos teóricos que o antecederam, em relação ao acúmulo de capital através da mais-valia.

Apesar de todos verem o comunismo apenas como uma ideologia, Marx ia além. Ele via algo diferente, pois acreditava que se tratava de um movimento real, que se manifestava nos movimentos dos trabalhadores.  Marx propunha que a classe operária acabasse com a burguesia, interrompesse o poder do estado e conseguisse estatizar os meios de produção. O filósofo acreditava que para o comunismo ter progresso seria necessário acabar com o Estado.


Revolução Russa 


No ano de 1917 ocorreu a Revolução Russa, um marco histórico importante para o Comunismo. Com essa revolução foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, além disso, nesse mesmo período foi estabelecida “a propriedade privada da terra abolida para sempre”, na qual definiu que a terra, antes pertencente aos aristocratas (poder político exercido por nobres), passaria a ser dos grupos de camponeses sem nenhuma compensação.  

Foi também na Revolução Russa que ficou decidido que os operários passariam a ter autoridade sobre as fábricas. Em 21 de dezembro de 1991 chegava ao fim a URSS, depois da criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Se tratava de uma organização formada por países como a Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia, Cazaquistão e Uzbequistão.


Manifesto Comunista


Publicado em 21 de fevereiro de 1848, o Manifesto Comunista foi uma obra que ficou muito conhecida na história por ser um dos tratados políticos de grande influência no mundo. O documento foi Elaborado pela Liga dos Comunistas e produzido pelos pensadores, que são considerados os pais do Socialismo Científico: Karl Marx e Friedrich Engels. O Manifesto Comunista apresenta toda a organização da doutrina, propósitos, além dos objetivos da Liga dos Comunistas.

O documento foi produzido em um momento que ocorriam muitas lutas, em especial as Revoluções de 1848. Elas ficaram conhecidas como Primavera dos Povos. Esse combate teve duração de aproximadamente um ano e chegou a alcançar alguns países da Europa. Entre as reivindicações exigidas pela Liga dos Comunistas consistiam as reformas sociais. Essas mudanças buscavam a redução da jornada de trabalho de 12 para 10 horas diárias, além do voto universal, que competia apenas aos homens, inicialmente.

Marx e Engels pontuaram no documento todo o contexto histórico e as formas de opressão social causadas pela burguesia. Além disso, também mostraram a importância de existir uma revolução para acabar com o poder da monarquia (o poder concentrado na mão de um governante por anos) com a igreja e extinguir a exploração do operário como mercadoria.


Karl Marx foi um dos grandes pensadores do comunismo. (Foto: Wikimedia Commons)


O documento traz uma crítica severa em relação ao modo de produção do capitalismo, além da maneira como a sociedade foi pensada e organizada no seu contexto. O Manifesto Comunista foi um documento que tentou organizar uma revolução dos operários, com a finalidade de que existisse uma sociedade igualitária.


O Brasil e o Comunismo


O comunismo brasileiro surgiu em 1922, no Rio de Janeiro, com a fundação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Sem dúvidas, a doutrina foi essencial para o contexto político do país. Foi a partir do comunismo que muitos outros partidos surgiram e isso fez com que se intensificasse a participação política da sociedade brasileira. O Partido Comunista do Brasil precisou agir na “ilegalidade”, no decorrer de sua história, especialmente nos períodos de repressão que ocorreu no governo de um dos presidentes do Brasil, Getúlio Vargas, durante a Era Vargas, e durante a Ditadura Militar no Brasil.

Embora nunca tenha causado uma grande ameaça à sociedade, o comunismo no Brasil foi muitas vezes usado para explicar as interferências da extrema-direita. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), está fraco, e o PCdoB, atualmente, é o partido comunista que mais atua na política do país. Para se ter ideia, em 2017, Eduardo Bolsonaro, deputado do Partido Social Liberal (PSL), criou um projeto de lei que visa incriminar o comunismo no Brasil.

Países comunistas 

   
Alguns países são considerados e categorizados como comunistas, embora a natureza da doutrina comunista tenha sequer tenha sido adotada. Por essa razão, os historiadores preferem dizer que se trata de países socialistas. Entre esses países que se consideram comunistas hoje estão a República Popular da China, Cuba, Coreia do Norte, Laos, Transnístria e Vietnã. Na verdade, definir esses países como nações comunistas seria um erro, visto que nenhuma delas alcançou esse tipo de organização.

O que é possível perceber é uma aproximação quanto aos ideais comunistas. Segundo Marx, essas nações estariam no processo de treinamento do socialismo. De fato, a existência da doutrina comunista é fundamental para a história da sociedade. As ideologias com direcionamento e alcance social de Marx e Engels são a base de movimentos importantes, especialmente no século XX.

Livros sobre Comunismo


- O Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels);

- Stalin – Triunfo e Tragédia (Dmtri Volkogonov);

- Antes que Anoiteça (Reinaldo Arenas);

- A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (Friedrich Engels);

- ABC do Comunismo (Nikolai Bukharin).

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