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Concílio de Trento

Postado por Thamires Santos em 02/12/2020 e atualizado pela última vez em 03/12/2020

Tinha o propósito de reafirmar as doutrinas do catolicismo


O Concílio de Trento, que teve a duração de 18 anos, foi uma das ações da Igreja Católica para conter o avanço do protestantismo na Europa. Realizado entre os anos de 1545 e 1563, reuniu a alta cúpula de clérigos para discussão de diversos assuntos, como reafirmação da autoridade papal e dos dogmas questionados pelos seguidores da Reforma Protestante, a importância dos santos e Virgem Maria, proibição da leitura de algumas obras, entre outras questões. 


As motivações para o Concílio de Trento 


Entre os concílios – reuniões de caráter religioso organizadas pela Igreja Católica – os clamados ecumênicos são os mais importantes, pois decidem questões dogmáticas (temas relacionados aos princípios e doutrinas da fé católica) e pastorais (meios para conversão de novos fiéis e vigilância diante do comportamento dos que já são cristãos). Com o avanço significativo do protestantismo no século XVI e os seus desdobramentos na política e economia europeia, a igreja viu-se obrigada a promover encontros deste tipo na cidade de Trento, no Tirol italiano. 


A partir de 1517, com a publicação das teses de Martinho Lutero, um série de medidas foram tomadas para restabelecer a imagem da igreja e os valores do catolicismo – período histórico que ficou conhecido como Contrarreforma. Além do Concílio de Trento, convocado pelo papa Paulo III, várias congregações foram criadas para propagação da fé cristã pelo mundo, dentre elas a Companhia de Jesus, cujo fundador foi o Santo Inácio de Loyola


No entanto, segundo historiadores, a reação mais expressiva diante da Reforma Protestante foi a publicação e execução das decisões conciliares. Através da bula papal de 1542, diretrizes baseadas na tradição dos santos e estudos teológicos puderam ser colocados em prática e, como resultado, esperava-se a retomada dos territórios que antes eram católicos. Foi ainda neste momento que o tomismo – doutrina filosófica-cristã criada por Tomás de Aquino e a Inquisição foram instituídos, além das regras voltadas para proibição de determinados livros (“Index Librorum Prohibitorum”). 


Representação de uma das reuniões do Concílio de Trento

Durante os 18 anos de Concílio de Trento, foram feitas 25 sessões plenárias. (Imagem: Wikimedia Commons)


Em virtude dos conflitos religiosos na Europa – a exemplo da Guerra dos 30 anos, que foi inicialmente motivada pelas discordâncias entre católicos e protestantes – o Concílio de Trento precisou ser interrompido três vezes. A primeira, em 1547, aconteceu em razão dos embates políticos e religiosos. O retorno ocorreu entre os anos de 1551 e 1552, quando novamente foi suspenso devido à morte dos papas Paulo III e Júlio III. Já a última reunião foi convocada pelo Papa Pio IV e também durou um ano (1562 a 1563). 


No total, foram realizadas 25 sessões plenárias em três períodos distintos. Todas as reuniões entre os clérigos foram promulgadas em sessão pública e a Igreja Católica conseguiu manter-se ativa nos séculos seguintes. 


Quais foram as diretrizes das reuniões ecumênicas?


Durante os 18 anos de Concílio de Trento, muitas decisões foram tomadas em prol da continuidade e renovação da fé católica. Dentre as medidas mais importantes estavam o decreto alegando a supremacia papal e a proibição de interferências por parte dos príncipes nos negócios eclesiásticos. Além desses, destacam-se:


  • Definição de pecado original e indissolubilidade do matrimônio;
  • Manutenção dos setes sacramentos, a exemplo do batismo, eucaristia e a confissão, assim como do celibato clerical;
  • Condenação de práticas abusivas, como a venda de indulgências (perdão);
  • Substituição de celebrações religiosas pelas missas romanas;
  • Fortalecimento do culto aos santos e relíquias católicas; 
  • Reafirmação da existência de um purgatório e da importância dos sacerdotes, santos e Virgem Maria na busca pela salvação;
  • Criação de seminários direcionados para preparação dos futuros clérigos. 


Os primeiros países a concordar com as resoluções do Concílio de Trento foram Portugal, Espanha e Polônia. Demorou alguns anos para que elas fossem finalmente aceitas pelas demais nações, principalmente na França – palco de diversos conflitos entre católicos e protestantes.

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