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Diáspora Judaica

Postado por Andréa Araújo em 30/05/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Dispersão da nação hebraica em territórios fora da Palestina


A diáspora judaica refere-se ao distanciamento forçado dos hebreus de sua terra natal – Israel – em razão das invasões de povos inimigos e, consequentemente, deixando-os dispersos em várias partes do mundo.

Os povos hebreus eram tradicionalmente organizados em doze tribos em torno de um reino monárquico, que era o de Israel. As tribos referiam-se a cada filho de Jacó, filho de Isaac e neto de Abraão, e constituía-se com um clã familiar. Os seus nomes eram: Rúben, Simeão, Judá, Zebulom, Issacar, , Gade, Aser, Naftali, Benjamim, Manassés e Efraim, sendo Abraão e sua descendência, depois de um chamado divino, considerado o marco da fundação da nação hebraica. 

Séculos depois, o reino dos hebreus se dividiu em razão de interesses políticos. Pode-se fazer uma analogia com os conflitos que desencadearam a queda do grandioso Império Romano

Em 935 a. C., os interesses políticos se intensificaram entre os hebreus depois da morte do rei Salomão. Com isso, a unidade tribal se perde e forma-se dois reinos – o reino de Judá e o reino de Israel. Essa divisão ficou entre os dois filhos de Salomão - Roboão e Jeroboão. 

Depois disso, as tribos de Benjamim e Judá foram governadas por Roboão, que constituiu o reino de Judá. Já as dez tribos restantes foram governadas por Jeroboão, que constituiu o reino de Israel.

Essa separação tornou os povos hebreus extremamente fragilizados aos ataques de inimigos. A partir de então, iniciava-se a saga da diáspora judaica. Continue lendo esse artigo e conheça as migrações dos hebreus pelas várias partes do mundo. 

Como surgiu a diáspora judaica?

Além dos interesses políticos que ocasionaram a fragmentação do reino hebreus, a outra explicação da diáspora judaica esta relacionada com aspectos religiosos. Inclusive, alguns estudiosos partem do entendimento bíblico para explicar a razão dessa dispersão.

Uma vez que os povos hebreus têm uma fé cristalizada no monoteísmoIavé (Deus) é o único soberano deus onipresente, onisciente e onipotente, a narrativa bíblica relata muitos episódios acerca dos conflitos com povos inimigos, contrários a esta concepção.

Já os estudos fundamentados na História Moderna asseguram que a diáspora judaica foi motivada por razões de confrontos territoriais e, consequentemente, pelas diferenças culturais entre os hebreus e os povos inimigos. 

Então, a hostilidade com a fé dos hebreus; os cultos realizados a sua divindade no templo situado na cidade de Jerusalém; e a fixação da nação hebraica na região da Palestina, foram os principais aspectos motivadores da diáspora.

A dispersão dos hebreus inicia-se a partir de dois momentos históricos. Em 586 a.C., ocorre a primeira deportação dos hebreus para a Babilônia. Em seguida, em 70 d.C., acontece a segunda deportação. Agora, para várias partes do mundo. 

Continue lendo esse artigo e conheça os povos inimigos e as regiões migratórias nas duas fases da diáspora judaica.


Primeira diáspora judaica


A diáspora judaica começa com a invasão do exército da Assíria ao reino de Israel em 721 a.C.


As dez tribos de Israel foram atacadas pelo exército da Assíria. (Foto: Wikipédia)

Muitos hebreus foram subjugados aos valores culturais assírios e deportados para várias regiões do império. Não existem dados concretos do quantitativo populacional de hebreus que migraram para a Assíria, mas o impacto da diáspora judaica tomou uma proporção considerável na Babilônia.

Em 586 a.C., Joaquim era o rei do reino de Judá quando recebia as ameaças de ataques do rei da Babilônia, antiga civilização mesopotâmica, Nabucodonosor.

Assim sendo, o exército babilônico devastou a cidade de Jerusalém e levou exilado o rei hebreu, seus familiares, servos, príncipes, oficiais, etc. Possivelmente, o quantitativo populacional de hebreus exilados foi cerca 3000 a 10000 pessoas. 


Além da Babilônia e da Assíria os hebreus foram dispersos no Egito. (Foto: Wikipédia) 

A Babilônia foi conquistada pelo Império Persa no ano de 538 a.C. E a flexibilidade religiosa dos povos persas, através do xá aquemênida Ciro II, possibilitou o regresso dos hebreus para a Palestina, na região do Oriente Médio.

Entretanto, a adaptabilidade aos costumes e valores culturais babilônicos fizeram muitos hebreus dar preferência pela permanência no território babilônico. Dessa maneira, a Babilônia tornou-se um centro cultural hebreu por mais de mil anos.

E a diáspora judaica se intensificou cada vez mais com o passar do tempo. O professor de Literatura hebraica e judaica na Universidade de São Paulo (USP), Luis Krausz, confirma esse processo dispersivo dos hebreus:
A história judaica é marcada por sucessivas dispersões e diásporas dentro de diásporas.

Segunda diáspora judaica


Os romanos invadiram o território palestino, em 63 a.C., e travaram uma sangrenta batalha com os hebreus na Guerra Judaico-Romana entre os anos de 66 a 73 d.C.

Em 70 d.C, a cidade de Jerusalém foi sitiada pelo exército romano e, consequentemente, mais uma vez houve a destituição político-administrativa do reino hebreu. Essas sequências de ataques culminou em uma diáspora judaica com durabilidade próxima de dois mil anos, uma vez que migraram para países do continentes africano, asiático e europeu.

Os sefardins

O processo migratório dos hebreus na África foi na região norte, onde existiam comunidades tribais muçulmanas chamadas de berberes e mouros

Os refugiados mantiveram aproximação cultural com os mouros, que eram mais pacíficos e estavam em expansão na Espanha. Em razão desse contato – mouros e hebreus – os hebreus passaram a ser chamados de “sefardins”. 

Essa segmentação de hebreus sefardins ainda desenvolveram um idioma próprio, o ladino, que mescla vocábulos do hebraico e do espanhol medieval.

Os ashkenazi

Os hebreus que migraram para o leste da Europa, especificamente na região entre a Alemanha e a França, nas proximidades do vale do rio Reno, passaram a ser chamados de ashkenazi.

Os hebreus ashkenazi eram economicamente ligados à atividade artesanal, fabricação de vinho e ao comércio. 

Sionismo 


O Sionismo é um movimento político idealizado pelo jornalista húngaro Theodor Herzl no final do século XIX. A principal proposta do movimento foi a criação de um Estado Nacional para os judeus no território onde ocorreu a diáspora judaica – a Palestina.

É importante destacar ainda que o projeto sionista também foi uma reação às ações de perseguições ao povo judeus em várias partes da Europa. Inclusive, na Alemanha nazista com os ideais do antissemitismo, que levou à morte milhões de judeus no “holocausto” durante a Segunda Guerra Mundial.

Estado de Israel

Em 14 de maio de 1948, iniciou-se no Oriente Médio discussões diplomáticas para a criação do Estado de Israel na Palestina. A população predominante da região era de origem árabe e a administração política e econômica estava nas mãos dos britânicos.

Mesmo com aprovação política da Organização das Nações Unidas (ONU), através da resolução 181, a ideia dos governantes judeus em dividir o território palestino em dois desagradou as autoridades e população árabe.

Desde então, a região da Palestina tem sido um campo de constantes batalhas e a saga da dispersão do povo hebreu está longe de se concretizar.

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