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Esparta e Atenas

Postado por Andréa Araújo em 26/04/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Modelos de polis da antiga civilização grega


Esparta e Atenas foram cidades-estado da Grécia Antiga com profundas diferenças culturais, sociais e políticas. 

Esparta e Atenas são os exemplos máximos da heterogeneidade da organização social que existia dentro de cada polis (cidade independente), da antiga civilização grega.

A formação das cidades-estado começou em uma fase de muito desenvolvimento cultural, político e social. Esse período foi o arcaico, datado dos séculos VIII ao VI a.C. 
Inicialmente, os povos gregos organizavam-se em genos, que se tratavam de propriedades exploradas economicamente por clã ou grandes famílias. 

Depois, os genos passaram a se desenvolver e tornaram-se unidades políticas maiores até tornarem-se cidades-estado ou poleis (plural de polis).

A sociedade grega compartilhava de hábitos e costumes comuns. Assim também era com as poleis, que possuíam projetos arquitetônicos semelhantes. 

Uma vez que existia a parte chamada de ágora, local de assembleias entre os cidadãos e de relações comerciais, era muito comum também as práticas de jogos, rituais aos deuses gregos, eventos culturais e julgamentos dos juízes gregos. 

Entretanto, Esparta e Atenas eram poleis que apresentavam a divergência do perfil sociopolítico da antiguidade grega. 

Esparta: valores militares e pedagogia militarista


Esparta era uma cidade-estado situada na planície do Eurotas, na Lacônia, região da península do PeloponesoAnteriormente, a região onde se formou o território espartano era de domínio dos povos dóricos. Logo, eles foram os ancestrais da população espartana.

A principal característica da sociedade espartana era a exaltação dos valores militares. Por isso, havia intensivo treinamento físico dos jovens, a fim de prepará-los para as guerras. 

Até mesmo nas escolas, a educação espartana dedicava-se a uma pedagogia militarista, ou seja, o ensino da escrita estava voltado apenas para o necessário. O mais importante era a instrução de conhecimentos para formar soldados valentes e fortes.

Depois do processo de aprendizagem militar nas escolas espartanas, os jovens ingressavam no exército espartano aos 20 anos de idade e permaneciam no serviço militar com total dedicação da função até os 40 anos de idade.

Esparta tinha apreço pelo militarismo e seus jovens dedicavam-se ao Exército. (Foto: Pixabay)

Em razão dessa forte ligação militar de Esparta, as mulheres espartanas eram vistas como importantes genitoras de indivíduos fortes, com saúde e destemidos para lutar nas guerras e garantir vitórias contra dos inimigos.

Política

A organização política de Esparta e Atenas era bastante discrepante. Em Esparta o governo era uma Monarquia regida por dois reis, denominada de DiarquiaOs reis espartanos faziam parte de duas famílias abastardas – os Ágidos e os Euripôntides

Os comandantes do exército esparto eram os próprios reis e cabia a eles também as funções relacionadas aos assuntos religiosos e militares. Existia no cenário político de Esparta o Conselho dos Anciões, que era chamado de Gerúsia. Este era presidido pelos reis espartanos e composto por vinte e oito homens com idades de 60 anos. Os conselheiros espartanos ou gerontes tinham funções políticas amplas. 

A política espartana permitiu a participação de seus cidadãos a partir do século VII a. C., já que houve a criação da Assembleia dos Cidadãos chamada de ÀpelaNa Assembleia era debatida e aprovada ou não as leis governamentais elaboradas pelos conselheiros da Gerúsia. E os cidadãos espartanos acima dos trinta anos de idade podiam participar das decisões políticas.

A abertura da participação política de Esparta possibilitou com que os conselheiros da Gerúsia fossem escolhidos pelos membros da Àpela

A autoridade executiva espartana era desempenhada pelo Eforato. Seus membros eram chamados de éforos e compunha de cinco membros influentes, com mandato de um ano e responsáveis em guardar a tradição espartana. Os membros da Àpela também elegiam os éforos

É importante destacar que embora os cidadãos da Àpela elegessem os conselheiros espartanos e os éforos, a estrutura político-social de Esparta se manteve oligárquica. Prova disso era a permanência vitalícia dos conselheiros espartanos, e os éforos que exerciam poder sem limites. 

Atenas: valores culturais e pedagogia filosófica


A cidade-estado de Atenas estava situada na região Ática, no sudeste da Grécia, e foi o centro cultural da história dessa antiga civilização.

Por volta de 1600 a.C. os povos jônios dominaram o território ateniense e foram a principal etnia formadora da população. Isso porque na região habitaram outros povos, como os creto-micênicos, os aqueus, os jônios e os eólios, que também compuseram a base populacional de Atenas.

A principal atividade da economia em Atenas era o comércio marítimo, que favoreceu um perfil de uma cidade aberta aos estrangeiros.

A sociedade ateniense destacou-se pelo forte apreço aos valores culturais que fizeram da cidade um espaço de muitas instituições de ensino, discursos de grandes filósofos e do sistema de governo que seria adotado por muitos países ocidentais.

A educação ateniense priorizava o equilíbrio entre corpo e mente e tinha uma aprendizagem voltada para a arte e a filosofia


 As escolas de Atenas valorizavam o ensino da arte e da filosofia. (Foto: Wikimedia Commons)

Foi nessa cidade-estado que o filósofo Platão escreveu sobre epistemologia, metafísica, ética e política, e seus pensamentos são discutidos até os dias atuais. O filósofo fundou em 384/383 a.C a Academia de Platão, onde era ministrada uma pedagogia filosófica para alunos e seguidores.

Os cidadãos atenienses ainda foram contemplados com a escola de Filosofia , o Liceu de Aristóteles, fundado pelo discípulo de Platão, o filósofo Aristóteles, em 335 a.C.. Lá eram ministradas palestras sobre raciocínio lógico, física, metafísica, retórica, política e literatura.

Política

As reformas políticas atenienses tornaram-se modelo para o mundo ocidental. O regime político aristocrático foi disseminado e uma nova estrutura social e política passou a vigorar em Atenas.

Os governantes adotaram uma série de medidas políticas. Entre as mais importantes foram a do legislador ateniense Drácon, que escreveu as primeiras leis escritas e quis pôr fim à tirania dos poderosos.

O poeta e também legislador Sólon realizou reformas que possibilitaram a mobilidade social. Sólon eliminou a escravidão por dívida e dividiu a sociedade de acordo com a renda.

O reformulador das leis ateniense e considerado o pai da democracia foi o político grego Clístenes. Ele estabeleceu a ideia de isonomia, cujo princípio é que “todos os cidadãos são iguais perante a lei”. 

Esparta e Atenas: diferentes modelos de polis gregas


Confira na tabela abaixo as principais diferenças de Esparta e Atenas no âmbito cultural, social e político:
 Esparta Atenas
 Política aristocrática Política democrática
 Valorização do serviço militar Valorização da cultura
 Educação militarista Educação da arte e da filosofia
 Sociedade rigidamente hierarquizada Sociedade com possibilidade de mobilidade social

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