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Fenícios

Postado por Ana Cláudia Oliveira em 25/03/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Grandes comerciantes


Os fenícios eram povos da antiga Fenícia, atual Tunísia. Foram contemporâneos dos hebreus, império grego e império romano. Esse povo é conhecido pelo comércio, navegações e alfabeto. Os fenícios criaram estratégias de comércio muito à frente do seu tempo, fator que ajudou no reconhecimento que existe hoje. 


Eles viviam em uma região pouco produtiva para agricultura ou criação de animais. As antigas civilizações nasciam à beira de rios, a Mesopotâmia é um exemplo disso. A Fenícia estava próxima dos mares. Por essa proximidade com os oceanos eles passaram a dominar as navegações e a fazerem vendas maiores. 


Fenício é um termo inventado pelos gregos. O real nome desse povo é cananeu. Eles eram assim chamados porque vendiam púrpura (pigmento para tecidos). Em grego púrpura significa phoinikes, que passado para o latim fica poenicus, e em português fenícios.  

Ilustração rupestre de uma embarcação fenícia. (Foto: Wikipédia)


Divisão da Fenícia 


Apesar de ser chamada como um país, a Fenícia está mais para um conjunto de várias cidades e colônias. Essas cidades podem ser chamadas de cidades-estados. Havia um rei que estava ciente do que acontecia nas cidades e colônias, mas cada lugar tinha sua própria liderança política. 


As cidades mais conhecidas feitas pelos fenícios eram Sidon, Biblos e Tiro. No total eram 25. Cada uma desempenhava um papel diferente:


Biblos – era famosa por fabricar e livros. Essa cidade tinha boa relação de comércio com Chipre e Egito. Desses dois lugares os produtores da região de Biblos importavam papiros, que eram fundamentais para produzir livros;
Sidon - cidade de muito importante para o mundo antigo. Quando o Egito perdeu a sua grandeza política, social e comercial Sidon ocupou esse lugar de prestígio entre os reinos, países e cidades da época;

Tiro - próxima ao Mediterrâneo, Tiro por sua vez era a mais importante das cidades. Estava próxima ao mar e isso era bom para os negócios desse povo. 


Sociedade dos fenícios


Existem alguns conceitos importantes para entender como era feita a divisão social desse povo. Eles tinham castas, ou seja, a sociedade tinha grupos fechados que possuíam uma hierarquia. Na ordem da casta mais importante para a menos valiosa a divisão era: sacerdotes, aristocratas, comerciantes, homens livres e escravos


Em relação ao modo de governo, a política estabelecida era de monarquia. Havia um rei e nas cidades tinham comerciantes e anciões que ajudavam esse rei. 


Comerciantes e comércio 


Os comerciantes fenícios eram de grande valor. No mundo antigo e até a idade média o trabalho não era algo bem visto. Essa visão só mudou após a reforma protestante quando “o trabalho dignifica o homem” passou a ser um termo bem visto. Entendia-se que quem precisava trabalhar não havia sido suficientemente abençoado para ser rico. 


A sociedade fenícia enxergava as coisas de outra forma. Os comerciantes eram bem vistos e tão bem quistos que ajudavam os reis no governo. Mas isso eram os grandes negociantes, os pequenos permaneciam próximos dos escravos na divisão social. 


As navegações foram o que elevaram o comércio fenício a novos patamares. Eles foram os primeiros a circularem o continente africano. Eles souberam como andar nos oceanos, em uma época onde temiam os monstros marinhos. Chegar na borda do mundo era aterrorizante (achavam que a terra era plana, e a linha que se enxergava no horizonte, ao olhar para o mar, era a borda que levava a um precipício infinito). 


Os maiores produtos de vendas eram o cedro e a púrpura. O cedro leva cerca de dois mil anos para se decompor. Por ser uma madeira resistente era procurada para construções. Palacetes e templos foram construídos com o cedro vendido pelos fenícios. 


A cor púrpura foi um achado desse povo. A proximidade deles com o mar ajudou na percepção de conchas de moluscos que ficavam na praia. Algumas soltavam um líquido que variava entre as cores, conhecidas hoje como violeta, lilás e roxo. A púrpura era um produto caro, que só os ricos comerciantes vendiam, e só os ricos compradores tinham acesso. 


Durante o império romano somente o imperador tinha acesso a púrpura. Era algo tão valioso, que Nero sentenciava a morte quem ousasse usar a cor, sem que fosse ele, o imperador. Na Grécia antiga, a restrição não era igual, mas só alta sociedade tinha como ter. Quem tinha roupas com aquela cor diferente de longe sabia-se que era alguém nobre, de muitas posses.


Religião 


Assim como muitas culturas das civilizações antigas, os fenícios também eram politeístas. O principal deus segundo as crenças fenícias era Baal. O nome de alguns deuses variavam de cidade em cidade justamente por causa da falta de centralização, mas a essências religiosa era a mesma. 


Baal é citado em uma das histórias bíblicas. "Os profetas de Baal e Elias", ou "Elias contra os profetas de Baal". Havia hebreus que levantavam altares para Baal, e essa história conta um pouco disso, a diversidade religiosa da época. 


Os adoradores de Baal acendiam incensos e colocavam estatuas sua no alto das casa. Para que o deus se compadecesse dos pedidos feitos os sacrifícios variavam autoflagelamento, com derramamento de sangue, até morte de crianças. Há relatos que houve vezes de matarem 200 crianças com as mães assistindo, para oferecer a Baal.


Alfabeto


Dentre tantas inovações dos fenícios em relação à época e aos povos que viviam nesse momento do mundo, o alfabeto é uma das mais relevantes. Até então a comunicação escrita era feita com hieróglifos e escrita cuneiforme. O alfabeto desenvolvido por eles era mais simples, mas dinâmico. 


Quando os fenícios resolveram fazer o alfabeto o desejo não era adaptar a forma de escrever, tampouco se popularizar como hoje. A intenção era ter um código para facilitar as vendas e todo que envolvia o comércio da época. 


Os gregos que viam de perto o dia a dia dos fenícios, por causa do consumo da púrpura, adaptaram o alfabeto. Eram 22 letras, sendo todas consoantes. Após a adaptação grega, com a ajuda do latim formou-se o alfabeto que é usado hoje. Alguns países do Oriente não usam essas letras (China, Japão, Coréias, os povos árabes, por exemplo). Mas nas Américas e a maioria do mundo as letras possuem o mesmo padrão, baseado nos fenícios, com as devidas adaptações.

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