Guerra civil no Sertão da Bahia liderada por Antônio Conselheiro
A Guerra de Canudos foi uma Guerra Civil, que aconteceu entre os dias 7 de novembro de 1896 e 5 de outubro de 1897, no Sertão da Bahia, mais precisamente no povoado do Arraial de Canudos. O conflito foi causado pelas desavenças entre o povo, a Igreja e os poderes públicos, que começou em virtude da grande pobreza que assolava a região, após a implementação da República em todo o país.
Acredita-se que a Guerra de Canudos resultou na morte de cerca de 20 mil sertanejos e 5 mil militares.
Contexto histórico da Guerra de Canudos
A Guerra de Canudos foi resultado de uma grave crise econômica e social que atingiu diversas regiões do Brasil, principalmente a região Nordeste. Com uma grande presença de grandes propriedades agrícolas, a seca que afetou a região trouxe consigo uma série de problemas como o desemprego, pobreza, entre outras questões.
Muitos começaram a acreditar que só uma salvação milagrosa seria capaz de impedir a miséria e a exclusão social que aquela população vivenciava.
Logo no início da implementação do regime republicano, os sertanejos que habitavam em Canudos não contestavam os novos métodos de governo, mas houve algumas mobilizações contra a cobrança de impostos. Com isso, a Igreja, os latifundiários e a imprensa se incomodaram com as manifestações de Canudos que, por sinal, estava atraindo diversas pessoas.
A comunidade e suas mobilizações ganhou ainda mais força com o apoio de Antônio Vicente Mendes Maciel, popularmente conhecido como Antônio Conselheiro. Autointitulado como o peregrino, que iria salvar a população daquela miséria, ele conquistou diversos seguidores.
Para ele, o método republicano implantado no Brasil era a representação do fim dos tempos. Com isso, foi construída uma imagem de que Antônio Conselheiro e seus seguidores eram perigosos monarquistas.
Revoltado, o governo do estado da época pediu apoio aos militares para banir a comunidade e seus moradores. Porém, o mais curioso foi que nas primeiras três tentativas dos militares, eles foram vencidos pelo povo de Canudos, o que assustou ainda mais os governantes.
Foi a partir de então que as tropas do Exército se prepararam para um grande massacre. Todas as casas foram queimadas, milhares de pessoas foram mortas, entre elas crianças, mulheres e idosos.
Durante esse grande massacre, mais precisamente no dia 22 de setembro de 1897, Antônio Conselheiro foi morto por militares do Exército.

Representação do combate na Guerra de Canudos. (Imagem: Wikipédia)
Região de Canudos nos dias atuais
Localizada a 15 km do famoso sítio de Antônio Conselheiro, a região de Canudos recebeu sua emancipação política em 1985, passando a se tornar um município independente. De acordo com dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente, cerca de 16 mil moradores habitam na cidade.
No local onde aconteceu a Guerra foi criado o Parque Estadual de Canudos, composta por uma região de 1.321 hectares. Parte das ruínas do antigo arraial podem ser vistas em época de seca, quando o açude está vazio.
Antônio Conselheiro
Nascido em 13 de março de 1830, na cidade de Quixeramobim, no Ceará, Antônio Vicente Mendes Maciel era comerciante, professor e advogado. Conhecido por pertencer a uma família tradicional e religiosa da região, ele foi abandonado pela esposa, após ela ter se apaixonado por sargento da localidade.
Com isso, ele passou a seguir viajando pelas regiões do país. Foram cerca de 25 anos propagando a fé que ele acreditava.
Em 1893, ele chegou na comunidade Canudos. Com seu carisma e simpatia, tornou-se uma referência na região. Na sua teoria, ele era um enviado de Deus que livraria o povo da miséria, das diferenças sociais e das cobranças impostas pelo governo.
Como foi dito anteriormente, Conselheiro acreditava que a República era a caracterização do “Anti-Cristo” na Terra, afinal, a proposta de um governo laico dava espaço para uma profanação entre a Igreja e o governo. Além disso, ele era contra a celebração do casamento no civil, a separação e a obrigatoriedade da cobrança de impostos.
Com o fim da escravidão, alguns ex-escravos saiam pelas regiões em busca de abrigo, afinal, mesmo sendo libertos, não havia uma perspectiva de vida, pois era muito difícil encontrar oportunidades de emprego. E esses eram alguns dos povos que se juntaram a Conselheiro na região de Canudos.
O governo republicano, recém-instalado no Brasil, precisava de dinheiro para implementar os planos propostos na nova forma da política. E para isso acontecer, a forma mais rápida de conseguir esse dinheiro era através da cobrança de impostos, o que era inteiramente repudiado por Conselheiro.
Com isso, juntamente com seus seguidores, Antônio Conselheiro iniciou a Guerra de Canudos.
Livros que retratam a história da Guerra de Canudos
Confira abaixo algumas obras literárias que contemplam a Guerra de Canudos como parte importante da história do Brasil.
- O Genocídio de Canudos. (Jota Ribeiro)
- Os Sertões. Campanha de Canudos - Coleção a Obra Prima de Cada Autor. (Euclides da Cunha)
- A Guerra Total de Canudos. (Frederico Pernambucano de Mello)
- Antônio Conselheiro. Nem santo, nem pecador. (Vários Autores)
- A Luta Contra Canudos. (Daniel Esteves)
Guerra Civil
Uma guerra civil é caracterizada por ser um conflito interno entre membros de uma mesma nação, que tem como principal objetivo assumir o controle de determinada região.
Também pode ser caracterizada como uma desavença entre o Estado e um grupo de opositores dentro do mesmo território, a exemplo do que houve na Guerra de Canudos.
No Brasil, além do conflito de Canudos, houve outras Guerras Civis como:
• Guerra dos Farrapos (1835 até 1845)
• Revolução de 1932 (julho e outubro de 1932)