0

Sua mochila está vazia!

Guerra do Contestado

Postado por Joseane Rosa em 14/06/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Movimento aconteceu em terras do Paraná e Santa Catarina


A Guerra do Contestado foi um conflito armado que aconteceu entre 1912 a 1916 nos estados de Santa Catarina e Paraná. Os impasses foram causados por disputas de terra entre os dois estados e devido a isso ficou conhecido como Contestado. O movimento teve como líder principal o monge peregrino José Maria de Santo Agostinho, personalidade que enfrentou o governo e passou a ser perseguido pelo Estado. 

A Guerra do Contestado foi um dos primeiros movimentos político-sociais do Brasil República que teve como objetivo lutar pelos diretos da população pobre e menos favorecida. Outras revoltas desse período foram: Revolta da Chibata, Guerra de Canudos e Revolta da Vacina

Conheça agora o contexto histórico do Contestado, os objetivos e consequências. 

Contesto histórico


O país vivia um processo de desenvolvimento nos anos de 1900. A industrialização se desenvolvia e rodovias continuavam a ser abertas com o intuito de interligar os estados do Brasil

Uma faixa de terra de aproximadamente 30 km de largura foi desapropriada para iniciar a construção da Estrada de Ferro que interligaria a Região Sul com a Região Sudeste

Esses terrenos atravessavam os estados do Paraná e Santa Catarina. Vários posseiros da área foram desapropriados para a realização desse projeto e outros tantos pequenos fazendeiros que viviam da extração de madeira faliram. Entretanto, os impactos das desapropriações foram neutralizados pela promessa de trabalho no canteiro de obras da Rodovia. 

Após a empresa norte-americana Brazil Railway Company (propriedade de Percival Farquhar) ter finalizado o projeto da Rodovia; surgiu uma grande quantidade de pessoas desempregadas, o que gerou o aumento de pessoas em más condições de vida. 

Outro problema enfrentado pela população era a falta de regularização das posses de terras, além de que os grandes proprietários obrigavam o abandono das pequenas propriedades pelos posseiros. Isto gerou diversos problemas sociais, além da insatisfação popular. Foram a união destes fatores que contribuíram para favorecer o início da Guerra do Contestado. 

O misticismo e o poder dos monges


As áreas pobres do Brasil viviam um processo de desolação e de abandono do governo. Essa situação criou um quadro social que fez surgir diversos líderes religiosos, entre os quais Antônio Conselheiro na região Nordeste e no Sul a personalidade de João Maria Agostini

Este monge peregrinava por diversas regiões do país promovendo a humildade e integração coletiva. Ele criou seguidores mesmo após sua morte. 

Um deles surgiu no contexto da Guerra do Contestado e era figura mística de José Maria de Santo Agostinho (o nome era homenagem ao primeiro monge). Este curandeiro era um guia religioso messiânico que se preocupava com a situação da população local e resolveu criar uma nova comunidade. Segundo dizia ele, a nova sociedade seria regida pelas leis de Deus e onde todos teriam terras para trabalhar. 

Diante desse objetivo, foi criada a comunidade de Quadrado Santo. Nela, o monge fazia suas curas, desenvolvia deus conhecimentos medicinais e até chegou a criar uma farmácia popular. Nessa propriedade passou a viver um grande contingente de camponeses que estavam sem terras ou ficaram desempregados após o fim da construção da Rodovia.

Essa situação, entretanto, começou a desagradar os coronéis da região e os poderes locais e o federal. O beato foi considerado um inimigo da república, um desordeiro que pretendia acabar com a ordem e desestruturar a região. É iniciada, dessa forma, a Guerra do Contestado. 


Governo envia exército para a Guerra do Contestado. (Imagem: Wikipedia) 

A Guerra do Contestado


A comunidade de Quadrante Santo levou para a região um grande número de pessoas pobres e relegadas. Isso causou uma grande inquietação entre os coronéis que começaram a acreditar que tal movimento criaria uma intensa revolta. A situação se alarmou por causa dos ideais monarquistas da comunidade. 

Assim, em setembro de 1912, os grandes fazendeiros chamaram a força pública para atacar e expulsar os posseiros. De um lado estava os soldados armados e forças do governo, do outro um grande número de pessoas humildes armadas somente de machados, espingardas e facões. 

Alguns sertanejos fugiram para cidades vizinhas e outras morreram durante o conflito. Entre eles, o messias João Maria que foi enterrado pelos seguidores apenas com pedaços de madeiras, pois acreditavam que o líder ressuscitaria. 

Depois da morte de José Maia, surge Maria Rosa (a Joana D'Arc do Sertão) outra personalidade importante para a Guerra do Contestado. A menina de apenas 15 anos afirmava receber ordens diretas de José Maria para que reorganizasse os revoltosos para um contra-ataque. Assim, outros conflitos passaram a se desenrolar em 1914, mas nenhum foi bem sucedido para a população de Quadrante Santo. 

Em março do mesmo ano, os revoltosos conseguem uma grande vitória que encheu de esperança os contestantes. Várias medidas começaram a ser tomadas pela comunidade para continuarem em vantagem. 

Passaram então a usar técnicas de guerrilha, criaram um Manifesto Monarquista e invadiram fazendas de coronéis para aquisição de recursos. O fato repercute diretamente no governo e este resolve designar o general Carlos Frederico de Mesquita, que participou da Guerra de Canudos, para comandar a ação contra os revoltosos. 

Consequências 


Para conter a Guerra do Contestado o governo envia para a região 90 mil homens do exército, uma pesada artilharia e alguns aviões que tinham o objetivo de observar a movimentação dos rebeldes. Após diversos conflitos e perseguições, a guerra chega ao fim em agosto de 1916. 

Assim, as terras habitadas pela população do Quadrante Santo voltam a pertencer aos grandes fazendeiros e coronéis. A população pobre, entretanto, voltou para a situação de miséria em que se encontrava anteriormente. 

A Guerra do Contestado durou quatro anos e deixou um resultado de 10 a 15 mil pessoas mortas, e 8 mil casas incendiadas. Além disso, em outubro de 1916 foi assinado, no Rio de Janeiro, o Acordo de Limites Paraná-Santa Catarina e a partir daí surgem novas cidades como Mafra, Joaçaba, Chapecó e de Porto União. 

Revoltas republicanas 


O primeiro ano da república no Brasil foi de grande intensidade, pois o país passou por diversas lutas e revoltas em que a população menos favorecida foi à luta no desejo de melhores condições sociais. As principais guerras foram:

• Guerra do Contestado;
• Guerra de Canudos;
• Revolta da Chibata;
• Revolta do Forte de Copacabana;
• Revolta da Vacina. 

Artigos Relacionados

A Crise dos Mísseis foi provocada pela descoberta de projeteis soviéticos em solo cubano. O evento aflorou o medo de uma guerra nuclear.

A crise do feudalismo tem suas causas no renascimento comercial, influenciado pelas Cruzadas e pelo crescimento da circulação de moedas.

Cortina de Ferro é uma metáfora que foi popularizada pelo britânico Winston Churchill, durante o discurso que incentivou o início da Guerra Fria.

Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar