Conflito armado envolvendo o Paraguai e Tríplice Aliança
A guerra do Paraguai foi um conflito armado que envolveu os países Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina em 6 anos de luta por motivos de disputas territoriais. A guerra, considerada a maior da América do Sul, teve início em março de 1864 e só acabou no final de 1870.
A principal motivação decorreu da ambição de um ditador, que virou presidente do Paraguai, Francisco Solano López. Seu objetivo era expandir o território do país e ainda obter uma saída para o oceano Atlântico através da Bacia do Prata.
Antes de compreender as causas que levaram a guerra, as principais batalhas e as consequências é preciso entender em que contexto ocorreram as disputas por fronteiras entre esses países.
Historiografia
Para os historiadores, a guerra do Paraguai foi algo bastante emblemático, pois até a década de 1990 diversas interpretações foram dadas sobre o real motivo do conflito. Porém, os novos estudos a respeito das causas basearam-se em uma documentação inédita.
Eles levaram ao surgimento do que os historiadores chamam de uma nova historiografia do conflito. À princípio, essa nova versão revela que o Paraguai não era uma nação completamente desenvolvida como apontavam as interpretações anteriores, pois viveu isolada durante muito tempo.
Isso se deve ao fato de que o Paraguai sempre foi uma nação governada por ditadores, logo acreditavam que essa seria a melhor forma de garantir a independência do país. Entre eles, José Gaspar Rodríguez de Francia, o responsável pela instalação da política de isolamento no início do século XIX.
Início da guerra do Paraguai
Na metade do século XIX, o Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai tinham diversas questões políticas e econômicas em comum, em especial a disputa por fronteiras, expansão de territórios e transportes de mercadorias.
O Paraguai disputava territórios fronteiriços com Brasil e Argentina. Além disso, pretendia reforçar a sua posição regional como terceira potência. A Argentina, por outro lado, queria consolidar seu território, impedindo maiores fragmentações e derrotando os rebeldes federalistas das províncias de Entre Rios e Corrientes.
O Brasil, assim como o Paraguai, queria reforçar a sua posição como potência e garantir a livre navegação pela Bacia Platina. Já o Uruguai vivia anos difíceis devido à guerra travada entre suas duas representações políticas: os blancos e colorados.
Quando o ditador do Paraguai, Solano López, assumiu a presidência do governo, em 1862, a situação dessas quatro nações começou a se complicar ainda mais. A posse do ditador fez com que o país se aproximasse de um grupo rebelde argentino, conhecido como federalistas.
Essa união não agradou muito o governo argentino, que na época era governado por Bartolomé Mitres. A aproximação paraguaia com os blancos, por outro lado, desagradou tanto a Argentina quanto o Brasil.
O Brasil ajudou o Uruguai a desfazer o governo blanco, que havia recebido o apoio de Solano López, para poder colocar o líder do partido colorado, Venancio Flores, no poder. Essa atitude provocou a ira de Solano López que, em dezembro de 1862, ordenou a prisão de uma embarcação brasileira que navegava pelo país em direção à província do Mato Grosso. Na verdade, a rivalidade entre os governos brasileiro e paraguaio já existia desde as negociações referentes aos direitos de navegação no Rio Paraguai.
Além disso, os dois países brigavam pela disputa de terra, que atualmente é o estado do Mato Grosso do Sul. Por conta disso, aconteceu o estopim para a guerra do Paraguai, pois com medo de que o Brasil pudesse atacá-lo, o Paraguai ordenou as prisões das embarcações brasileiras que navegavam pelos rios do país em direção ao Mato Grosso.
Embora a embarcação fosse apenas mercante, o ditador achou que nos porões do navio pudesse ter armas escondidas. Depois da invasão da província do Mato Grosso, o exército de López rumou em direção à província do Rio Grande do Sul. Em seguida, eles partiram para apoiar os blancos na Guerra Civil Uruguaia.
Contudo, o trajeto que o exército paraguaio pretendia fazer passaria pela província argentina de Corrientes. Com a passagem negada pelos argentinos, sob a ordem de López, 22 mil soldados paraguaios invadiram a Argentina.
Tríplice Aliança
O ataque que a Argentina sofreu do exército paraguaio fez com que o país se aproximasse do Brasil. Sendo assim, o Brasil, a Argentina e o Uruguai (representado pelos colorados) assinaram, no dia 1° de maio de 1865, um tratado militar chamado Tríplice Aliança.
Com isso, os dois exércitos enviados por Solano López em direção ao Rio Grande do Sul foram derrotados e voltaram para o Paraguai. Isso marcou o início da guerra do Paraguai, uma vez que a partir desse momento o país focou em defender os seus territórios dos invasores da Tríplice.
Batalhas
O grande destaque da Guerra do Paraguai foi a Batalha do Riachuelo, travada entre o país e o Brasil, conflito em que a marinha brasileira acabou com praticamente toda a marinha Paraguaia em 1865. Isso fez com que o Brasil pudesse controlar a navegação dos rios da Bacia Platina, impondo um bloqueio de isolamento para o Paraguai.

Batalha de Riachuelo. (Foto: Wikimedia)
Outro conflito que marcou a guerra do Paraguai foi a Batalha do Curupaiti. Nela, as tropas da Tríplice Aliança sofreram uma grande derrota e perderam mais de 4 mil soldados. Entretanto, os fatos que mais definiram os rumos da guerra aconteceram no ano de 1868, quando a principal fortaleza do Paraguai-Humaitá foi invadida e saqueada.
Por último, marcando o fim da guerra do Paraguai aconteceu a Batalha de Cerro Corá, conflito em que Solano López foi morto por soldados brasileiros por ter recusado se render.
Consequências
Estima-se que cerca de 400 mil pessoas, entre civis e militares tenham morrido durante os confrontos. O Paraguai baixou consideravelmente seus índices de desenvolvimento, tanto na indústria quando na economia, que nunca mais voltaram a ser os mesmos.
A guerra estagnou as indústrias e praticamente toda a população passou a trabalhar na lavoura. Além disso, o Brasil, devido aos empréstimos que foram tomados em outros países, aumentou a sua dívida externa, e apenas conseguiu se restabelecer durante o governo de Getúlio Vargas, em 1943.
Por fim, a Inglaterra, que não participou diretamente dos conflitos, foi a única que lucrou com toda essa situação, pois aumentou a sua influência no continente em razão dos empréstimos e apoio militar concebidos durante a guerra.