Uma das revoltas regenciais
Também conhecida como Revolução Farroupilha, a Guerra dos Farrapos iniciou-se em 20 de setembro de 1835, mais precisamente durante o Período Regencial. Na época em que aconteceu a guerra, o país era comandado pelo Regente Feijó.
Ela começou como uma revolução regional contra o governo Imperial do Brasil, na província de São Pedro, no Rio Grande do Sul, mas com o passar do tempo acabou se espalhando por outras províncias do sul.
O resultado foi a independência do estado republicano, passando a ser chamado de República do Rio-Grandense. Dentre as principais causas atreladas a Guerra dos Farrapos estava o fator econômico. Na época, a elite sobrevivia do lucro do setor agropecuário, que começou a sofrer com a redução da taxa de impostos por parte do governo em cima dos produtos que vinham da Região da Prata, sob alegação de que os preços eram excessivamente abusivos.
Com base nas novas atitudes do governo e a insatisfação gerada, o estancieiro Bento Gonçalves organizou uma estrutura para fazer com que o presidente provincial renunciasse.
O movimento tomou toda a cidade de Porto Alegre, exigindo que a Assembleia Legislativa estabelecesse um novo governo. Os revolucionários que apoiavam a causa utilizavam um pedaço de pano vermelho em uma das partes da vestimenta para demonstrar a adesão à causa. Foi exatamente por essa característica que o conflito recebeu o nome de Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos.
Líderes da Guerra dos Farrapos
Ao longo de toda a guerra, que durou cerca de dez anos, algumas lideranças se destacaram no movimento. Entre eles estavam:
• General Bento Gonçalves
• General Antônio de Souza Netto
• Coronel Onofre Pires
• Coronel Manoel Lucas de Oliveira
• Deputado Vicente da Fontoura
• General David Canabarro
• Coronel Corte Real
• Coronel Joaquim Teixeira Nunes
• Coronel Domingos de Almeida
• General Mariano de Matos
• General Gomes Jardim
Além desses representantes, os guerrilheiros receberam inspirações ideológicas de italianos da carbonária, como:
• O cientista e tenente Tito Lívio Zambeccari;
• Capitão Giuseppe Garibaldi.
Embora eles não pertencessem a carbonária, uma sociedade secreta e revolucionária que atuou na Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil e Uruguai nos séculos XIX e XX, ambos estiveram envolvidos em movimentos republicanos.
Bento Manuel Ribeiro lutou em ambos os lados ao longo da guerra, mas quando acabou a revolução ficou ao lado do imperador.
Causas da Guerra
• Descontentamento político como governo imperial brasileiro;
• Busca por parte dos liberais de maior autonomia nas províncias;
• Revolta com os altos impostos cobrados no comércio de couro e charque, importantes produtos da economia do Rio Grande do Sul naquela época;
• Os farroupilhas eram contrários a entrada do charque e couro de outros países, com preços baratos, que dificultava o comércio destes produtos por parte dos comerciantes sulistas.
Principais acontecimentos durante a Guerra
Em setembro de 1835, os revolucionários, comandados por Bento Gonçalves, tomaram a cidade de Porto Alegre, forçando a retirada das tropas imperiais da região. Ainda em 1835, Bento foi preso e a liderança do movimento passou para as mãos de Antônio Souza Neto.
Em 1936, os farroupilhas obtiveram várias vitórias diante das forças imperiais. Em 11 de setembro de 1836 foi proclamada pelos revoltosos a República Rio-Grandense. Mesmo na prisão, os farroupilhas declararam Bento Gonçalves presidente.
Em 1842, o governo imperial nomeou Duque de Caxias (Luiz Alves de Lima e Silva) para comandar uma ação com objetivo de finalizar o conflito separatista no sul do Brasil. Ele contou com o apoio de doze mil homens, enquanto o exército farroupilha estava reduzido a mil combatentes.
Em 1845, após vários conflitos militares, enfraquecidos, os farroupilhas aceitaram o acordo proposto por Duque de Caxias e a Guerra dos Farrapos terminou. Como o número de mortos aumentava a cada dia e os recursos estavam escassos, não houve outra escolha se não a de aceitar a paz que o governo brasileiro oferecera. No acordo, alguns dos pedidos dos rio-grandenses foram atendidos.

Bento Gonçalves, uma das lideranças da Guerra dos Farrapos. (Imagem: Wikipédia)
Entre eles estavam a libertação dos escravos que lutaram ao lado farrapos; adesão dos rebeldes ao Exército Imperial com as mesmas patentes dentro da guerra; devolução das propriedades tomadas dos farrapos durante a luta e mudança da política de cobrança de impostos.
Esse acordo ficou conhecido como a Paz do Ponche Verde, assinada pelo presidente da República Rio-grandense Gomes Jardim e pelo Duque de Caxias, em 28 de fevereiro de 1845.
O acordo foi muito vantajoso para os farroupilhas, pois os revoltosos tiveram ampla anistia. Importante ressaltar que todos os critérios foram efetivamente executados. De acordo com alguns historiadores, a única questão não atendida foi a liberdade dos escravos.
Curiosidades
• David Canabarro, em 1644, recebeu uma proposta de um governante argentino que pretendia ampliar a fronteira de seu país. Em troca de colaboração, ele receberia ajuda argentina para continuar a batalha contra o império brasileiro. Canabarro negou.
• O Partido Liberal sonhava em instalar no solo rio-grandense uma república igual da França, que prejulgava a independência dos três poderes: o Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário.
• A palavra “gaúcho” inicialmente era destinada para os ladrões de gado e os malfeitores.
• A bambacha, calça larga associada ao gaúcho, ainda não havia sido adotada pelos cavaleiros. Em seu lugar, vestia-se uma peça com o nome de chiripa.
• O brasão de armas do Rio Grande do Sul continua carregando vários símbolos maçônicos, já que toda a revolução foi pensada e articulada dentro das lojas rio-grandenses.
• A sensação que se tem atualmente na região é que, mesmo após quase um século e meio da Guerra dos Farrapos, as motivações do movimento não foram superadas. A revolução é lembrada todos os anos no solo gaúcho e inspira movimentos separatistas.