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Guerra na Síria

Postado por Elaine Mendes em 13/02/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

A maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial


A Guerra na Síria  iniciou-se em março de 2011 e tomou proporções de sectarismo religioso, ou seja, o conflito hoje também é realizado por rivalidades religiosas entre determinados grupos. O confronto civil, motivado pelo descontentamento com o governo de Bashar al-Assad, é considerado um verdadeiro desastre humanitário desde a Segunda Guerra Mundial, com mais de 500 mil mortos, segundo dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos


A Síria é um país localizado no Oriente Médio, um dos pontos onde surgiram as primeiras civilizações do mundo e também território das principais religiões: monoteísmo, cristianismo, judaísmo e islamismo

Motivos da Guerra na Síria


Com o advento da Primavera Árabe - uma série de revoltas e protestos pela busca da democracia nas ruas do Oriente em 2011, os povos do Oriente Médio começaram a protestar por melhores condições de vida, exigindo seus direitos políticos e um regime democrático, repudiando o desemprego e a corrupção.

Dentre os diversos povos árabes que participaram da onda de protestos, estava o povo sírio. Primeiramente, com as mesmas reivindicações do restante do Oriente Médio, até que o Governo Assad decidiu por intervir, utilizando das forças armadas para prender e torturar um grupo que realizava manifestações nas ruas. Diante deste fato, além das demais exigências da Primavera Árabe, a Síria começou a pedir a renúncia do ditador, cuja família permanece no poder há mais de quarenta anos. 


Os protestos na Síria concentram-se em três cidades: Daraa, Damasco e Aleppo. A resposta do governo sírio às manifestações pacíficas foi violenta. Isso motivou a organização de novos protestos em diferentes partes do país. 

Por fim, a repressão do governo levou grupos de oposição a juntarem-se e iniciar o confronto armado contra as tropas do governo. Composto por civis e militares que discordavam de certas ações decretadas pelo governo, o Exército Livre da Síria (ELS) foi o primeiro grupo de oposição. Criado em julho de 2011, o ELS não defende ideias de fundamentalismo religioso.

Refugiados na Guerra na Síria


De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) existem mais de 5,5 milhões de refugiados sírios registrados e mais de seis milhões de pessoas deslocadas dentro da Síria. A Síria é o país que gera o maior número de pessoas deslocadas à força no mundo e mais da metade de sua população foi forçada a fugir.

A maioria dos sírios refugiados está em apenas cinco países vizinhos: Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Turquia acolhe mais de três milhões de refugiados sírios e no Líbano, aproximadamente uma em cada quatro pessoas é um refugiado sírio. 

Ainda segundo a Acnur, a maior parte dos refugiados da Síria vivem na extrema pobreza. À medida que a Guerra na Síria continua, também permanece a luta das famílias deslocadas dentro do país e além de suas fronteiras. Muitas pessoas estão voltando para casas danificadas em bairros sem energia ou água corrente. De acordo com o comissariado, 1,8 milhões de sírios foram forçados a fugir de suas casas, muitas vezes por causa de conflitos em curso, e permanecem deslocados dentro do país.

Estado Islâmico e a Guerra na Síria


A continuidade da Guerra na Síria levou o califado do Estado Islâmico a infiltrar-se nesse país a partir de 2013. Califado é um tipo de reino islâmico que se considera como o sucessor direto do profeta Maomé ou Muhammad, como é conhecido Maomé entre os muçulmanos, que iniciou a pregação do Islã no século VII.

O Estado Islâmico surgiu no Iraque como um braço armado da Al-Qaeda, que é uma outra organização fundamentalista islâmica que busca o protagonismo no Oriente Médio. Além disso, em 2001 foi responsável pelos ataques às Torres Gêmeas em Nova York, nos EUA. No entanto, houve o rompimento do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, o que levou o Estado Islâmico a atuar de maneira independente e de acordo com seus interesses.

Assim, o grupo aliou-se a outros agrupamentos rebeldes fundamentalistas organizados na Síria com o decorrer da guerra. Seus seguidores atacaram e dominaram várias cidades sírias com o objetivo de expandir o seu califado por todo o mundo a partir da imposição da sharia, a Lei Islâmica interpretada a partir do Corão – livro sagrado do Islã.

Na Síria, o Estado Islâmico impôs uma forte perseguição contra qualquer tipo de oposição ou minoria religiosa e étnica, como ficou evidente por grandes massacres contra populações dos curdos e xiitas, principalmente. Com o passar do tempo, o Estado Islâmico sofreu um enfraquecimento tanto no Iraque quanto na Síria, perdendo alguns territórios em ambos os países.

Outros grupos que atuam na Guerra na Síria, além do Estado Islâmico, são:

JabhatFateh al-Sham (antiga Frente AL-Nusra): milícia de orientação fundamentalista sunita;
Unidade de Proteção Popular: milícia secular formada por curdos. Com o passar do tempo, esse grupo passou a receber apoio dos EUA e luta, sobretudo, contra o Estado Islâmico.


Ruínas de Aleppo, segunda cidade da Síria, após a batalha na região. (Foto: Wikipédia)

Interferência estrangeira na Guerra na Síria


- Neste contexto, de governos ditatoriais, terrorismos e rebeliões, os Estados Unidos da América se posicionam contra o governo Sírio, acusando Bashar al-Assad de atentar gravemente contra os direitos humanos, pelo grande número de mortos e refugiados. 

- A Rússia, aliada ideológica da Síria, desde a Guerra Fria, mantém o apoio ao governo. Enviou tropas para atuarem ao lado do exército de Bashar al-Assad e impedir que rebeldes e o Estado Islâmico derrotassem as tropas do governo que, naquele momento, estavam enfraquecidas. O governo sírio é um importante aliado dos russos na região.

- Já a Turquia encontra-se preocupada com o domínio curdo, na região ao norte da Síria, e usa o pretexto da luta contra o Estado Islâmico como forma de mascarar seu real objetivo, que é o de impedir o avanço da comunidade. Além de impedir a autonomia dessa população e a futura perda de parte de seu território.

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