Rede de campos de concentração da URSS
Gulag era um sistema de campos de concentração da União Soviética onde os presos políticos sofriam violência, tortura e abusos de todos os tipos, além de serem obrigados a trabalhar em regime sub-humano. Esse sistema teve seu auge durante o governo ditador de Joseph Stalin.
Estima-se que 2 a 3 milhões de pessoas morreram enquanto estiveram condenados nos campos. O termo “Gulag” significa Administração Central de Campos (do russo Glavnoe Upravlenie Lagerei). A instituição já existia no Império Russo e após a Revolução Russa em 1917 ficou sobre o comando do stalinismo.
O governo russo enviava prisioneiros políticos e presos comuns para os campos para que eles fossem forçados a trabalhar, onde sofriam torturas físicas e psicológicas. Muitos condenados morriam por não suportar a violência e brutalidade do sistema.
Estudos apontam que existiram entre 450 a 470 campos de concentração entre os anos de 1929 e 1953. Após a morte de Stalin, o regime foi perdendo a força e na década de 80, no Governo de Gorbachev os campos foram totalmente desativados.
Historiadores dizem que houve de 2 a 3 milhões de mortos pelo sistema, porém os dados oficias do governo russo apontam cerca de 1 milhão de mortos. Muitos presos se uniram e criaram códigos e leis internas com a intenção de se proteger da violência do sistema, dando origem à Máfia Russa e grupos com Vory e Zakone.

Uma grande parte dos condenados eram inocentes presos por discordarem do regime stalinista. (Foto: Wikipedia)
Como funcionava o Gulag?
O sistema de campos de concentração na Rússia surgiu ainda no Império Russo. Em 1917 a Revolução Russa conseguiu derrubar a monarquia que governava o país e logo depois, foi instaurado o regime stalinista.
O governo de Stalin logo se tornou uma ditadura que perseguia, controlava, vigiava severamente e punia todo cidadão que direcionava alguma crítica ao governo ou demonstrava alguma divergência com as regras que eram impostas. O ditador transformou o sistema gulag em uma forte e violenta máquina de repressão.
Dentre os presos condenados ao trabalho forçado no gulag estavam: presos comuns (assassinos, ladrões, estupradores), professores, membros de partidos contrários ao governo e principalmente cidadãos que protestavam contra o governo, de qualquer forma.
Cidadãos de outros países como os alemães que foram acusados de traidores e poloneses acusados de espionar o governo soviético também foram enviados para serem reeducados nos gulags.
O gulag foi planejado para reeducar os presos, de forma que eles passassem a apoiar o governo. Stalin acreditava que o trabalho forçado construiria uma nova sociedade baseada no socialismo e redimiria os cidadãos tidos como criminosos, tornando-os novos homens.
Para ele, os campos faziam parte de um sistema econômico. Os gulags eram divididos entre campos de trabalhos industriais e campos de construções. Eles ficavam espalhados por toda URSS sendo que uma maior parte ficava localizada nos subúrbios de Moscou e outra parte, em regiões inóspitas da Sibéria.

Os campos ficavam em lugares afastados da civilização, em regiões de péssimas condições climáticas. (Foto: Wikimedia Commons)
Os presos eram tratados de forma desumana, viviam como escravos e constantemente sofriam torturas física e psicológica. Além disso, os condenados enfrentavam a superlotação dos campos, uma vez que um campo chegava a abrigar mais de mil presos.
Os condenados recebiam alimentação de acordo com o que trabalhavam. Pessoas que passaram pelo sistema relatam que só recebia a refeição completa, quem conseguisse cumprir 12 horas exatas de trabalho ininterruptas.
O preso que não conseguisse cumprir as 12 horas de trabalho tinha a sua refeição diária cortada pela metade. E quanto menos trabalhavam, menos comida recebiam. Sem a alimentação adequada, os presos acabavam ficando fracos, o que resultou em várias mortes.
O número de mortes por esse sistema fica entre 2 e 3 milhões. Vários fatores contribuíram para esse número. Os condenados morriam tentando escapar da prisão, pelas mãos dos soldados, por fome extrema, depressão, péssimas condições climáticas e péssimas condições sanitárias.
Alexander Soljenítsin e o “Arquipélago Gulag”
Escritor, dramaturgo, historiador e romancista, Alexander Issaiévich Soljenítsin, foi um soldado do Exército Vermelho com a patente de capitão durante a Segunda Guerra Mundial. Ele é conhecido pelas suas obras que relatavam as atrocidades cometidas no sistema gulag.
Alexander Soljenítsin nasceu na cidade de Kislovodsk em 11 de dezembro de 1918 e morreu na cidade de Moscou em 3 de agosto de 2008. Ele foi condenado ao sistema gulag, enquanto ainda era capitão e teve uma carta interceptada pelo governo onde dizia que não confiava nas capacidades de Stalin como estrategista militar.
Condenado a viver no sistema gulag por 10 anos, Alexander foi preso e passou a trabalhar forçado para o governo. Dentro do campo de concentração sofreu vários abusos e violência por parte dos soldados.
Alexander escreveu seu primeiro livro intitulado “Um Dia na Vida de Ivan Denisovich” e nele contou sobre os momentos de terror que viveu dentro do gulag. O livro foi publicado logo após da morte de Stalin, com a permissão do então presidente da URSS, Nikita Kruschev, que acreditava que a publicação ajudaria a mudar a opinião pública a respeito da União Soviética.
O livro foi aclamado por uns e criticado por outros. Logo após a publicação, várias pessoas que já tinham passado pelo gulag começaram a enviar cartas, nas quais relatavam o que tinham vivido nos campos de concentração soviéticos. As cartas inspiraram Alexander a escrever o seu mais famoso livro "Arquipélago Gulag".
"Arquipélago Gulag" não só relatava e denunciava a ditadura sangrenta stalinista, como trazia o relato de outros 237 condenados à prisão nos campos de concentração. Em 1970 Alexander Soljenítsin recebeu um Nobel da Paz. No entanto, o livro tornou Solzhenitsyn um inimigo do governo soviético e logo passou a ser perseguido e vigiado. Pouco tempo depois entrou em asilo político.