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Hino da Independência

Postado por Andréa Araújo em 07/05/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Canção oficial brasileira que comemora a independência brasileira


O Hino da Independência, a princípio, não tinha essa nomenclatura e a versão conhecida nos dias de hoje passou por modificações.

No Brasil Colônia, aproximadamente em meados do século XIX, o cenário político era de enfrentamento entre os conservadores que desejavam a aliança da colônia portuguesa com sua metrópole, e os separatistas que almejavam a separação política e econômica entre elas.

Então, o fascinado pelas letras, poeta, jornalista, político e livreiro brasileiro, Evaristo Ferreira da Veiga e Barros (1799-1837), alinhado com o pensamento dos separatistas, escreveu o poema “Hino Constitucional Brasiliense” em 1822.

Além desse poema que entrou para a História do Brasil e passou a ser o símbolo oficial da nação brasileira, outros versos líricos de Evaristo Ferreira da Veiga e Barros encantaram a muitos da época.

Não tardou para que os versos do “Hino Constitucional Brasiliense” chegassem aos ouvidos da corte fluminense e acendesse ainda mais “as chamas” do espírito separatista. 

Os versos do “Hino Constitucional Brasiliense” também chegaram ao conhecimento do ilustre maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830), que atribuiu-lhe uma melodia.


A primeira melodia atribuída ao Hino da Independência foi a de Marcos Portugal. (Foto: Wikipédia)

É importante destacar que o poema foi escrito trinta dias antes da Proclamação da Independência do Brasil, e ainda foi publicado em um jornal carioca. Isso deu ainda mais notoriedade ao hino. 

Hino da Independência e nova melodia imperial 


Dois anos depois do episódio que marcou a Independência do Brasil, o grito de D. Pedro I às margens do rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, o imperador fez uma nova melodia ao Hino da Independência.

D. Pedro I era um amante da música e sabia tocar instrumentos musicais, como a clarineta, o fagote e o violoncelo. Em razão da sua boa educação musical recebida dos maestros Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), Antônio da Fonseca Portugal e de Sigismund Neukomm (1778-1858) o imperador realizava composições musicais importantes.

Entre as composições de D. Pedro I destaca-se o Hino Nacional Português, que foi adotado pelo governo até o início do século XX. Em vista disso, o Hino da Independência tornou-se um símbolo nacional e forte ligação ao governo monárquico de D. Pedro I.

A valorização da nova melodia imperial e o prestígio político de D. Pedro I lhe rendeu por quase uma década o título de autor do Hino da Independência. Somente em 1833 o verdadeiro autor, Evaristo Ferreira da Veiga e Barros, conseguiu reivindicar os seus direitos autorais.

O documento com as partituras musicais da composição feita por D. Pedro I encontra-se no acervo da biblioteca nacional do Rio de Janeiro, na seção de manuscritos. 

Letra do Hino da Independência do Brasil


É possível identificar claramente na letra do Hino da Independência o “espírito” separatista que almejava a liberdade e nacionalidade brasileira. Leia abaixo e aproveite para relembrar a letra do hino. Observe também os trechos negritados: 

Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil. [grifos nossos]

No trecho “Já raiou a liberdade” o compositor metaforicamente coloca a liberdade com um “sol” que já raiou, ou seja, já é uma realidade. A exaltação do povo forte, lutador e nascido no solo brasileiro é feita com os versos “Brava gente brasileira!”.

É muito importante a força expressiva colocada nos versos “Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”, porque só existe duas alternativas para “a gente brasileira” – lutar pelar liberdade ou morrer em prol dela. 

O trecho “Os grilhões que nos forjava” apresenta o repúdio aos “grilhões” da colonização portuguesa que apenas extraia as riquezas brasileira e escravizava o povo. “Parabéns, ó brasileiro” é um verso que parabeniza a nação, o povo brasileiro, pela tão almejada liberdade. Mesmo com tantas perdas sofridas, agora “Já, com garbo varonil”. 


A letra do Hino da Independência exalta a liberdade e nacionalidade brasileira. (Foto: Flickr)

Cem anos da Independência


A monarquia estabelecida por D. Pedro I enfrentou graves problemas políticos que resultaram na abdicação do seu trono em 1831.

Por conta disso, o Hino da Independência que estava associado ao seu governo monárquico acabou perdendo o seu status de símbolo nacional e ficou esquecido por mais de um século. Dessa forma, deixou de ser executado nas cerimônias e solenidades oficiais. 

Quando ocorreu a comemoração dos cem anos da Independência e, consequentemente, os cem anos da composição do Hino da Independência é que houve o resgate e a execução desse símbolo brasileiro.

Dessa forma, o Hino da Independência passou a ser executado nos eventos oficiais com a melodia original produzida pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal. 

O Hino da Independência passou mais uma vez por modificações, agora no período da Era Vargas (1930-1945). Gustavo Capanema Filho era Ministro da Educação e Saúde Pública e formou uma comissão organizadora a fim de estabelecer os hinos brasileiros na sua versão original.

Na comissão estava o maestro Heitor Villa-Lobos, que foi o responsável em definir o Hino da Independência com a melodia feita pelo imperador D. Pedro I e letra de Evaristo da Veiga. Desde então, é essa a versão do hino executada na comemoração da Semana da Pátria em todo país.

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