Canção oficial brasileira que comemora a independência brasileira
O Hino da Independência, a princípio, não tinha essa nomenclatura e a versão conhecida nos dias de hoje passou por modificações.
No Brasil Colônia, aproximadamente em meados do século XIX, o cenário político era de enfrentamento entre os conservadores que desejavam a aliança da colônia portuguesa com sua metrópole, e os separatistas que almejavam a separação política e econômica entre elas.
Então, o fascinado pelas letras, poeta, jornalista, político e livreiro brasileiro, Evaristo Ferreira da Veiga e Barros (1799-1837), alinhado com o pensamento dos separatistas, escreveu o poema “Hino Constitucional Brasiliense” em 1822.
Além desse poema que entrou para a História do Brasil e passou a ser o símbolo oficial da nação brasileira, outros versos líricos de Evaristo Ferreira da Veiga e Barros encantaram a muitos da época.
Não tardou para que os versos do “Hino Constitucional Brasiliense” chegassem aos ouvidos da corte fluminense e acendesse ainda mais “as chamas” do espírito separatista.
Os versos do “Hino Constitucional Brasiliense” também chegaram ao conhecimento do ilustre maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830), que atribuiu-lhe uma melodia.

A primeira melodia atribuída ao Hino da Independência foi a de Marcos Portugal. (Foto: Wikipédia)
É importante destacar que o poema foi escrito trinta dias antes da Proclamação da Independência do Brasil, e ainda foi publicado em um jornal carioca. Isso deu ainda mais notoriedade ao hino.
Hino da Independência e nova melodia imperial
Dois anos depois do episódio que marcou a Independência do Brasil, o grito de D. Pedro I às margens do rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, o imperador fez uma nova melodia ao Hino da Independência.
D. Pedro I era um amante da música e sabia tocar instrumentos musicais, como a clarineta, o fagote e o violoncelo. Em razão da sua boa educação musical recebida dos maestros Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), Antônio da Fonseca Portugal e de Sigismund Neukomm (1778-1858) o imperador realizava composições musicais importantes.
Entre as composições de D. Pedro I destaca-se o Hino Nacional Português, que foi adotado pelo governo até o início do século XX. Em vista disso, o Hino da Independência tornou-se um símbolo nacional e forte ligação ao governo monárquico de D. Pedro I.
A valorização da nova melodia imperial e o prestígio político de D. Pedro I lhe rendeu por quase uma década o título de autor do Hino da Independência. Somente em 1833 o verdadeiro autor, Evaristo Ferreira da Veiga e Barros, conseguiu reivindicar os seus direitos autorais.
O documento com as partituras musicais da composição feita por D. Pedro I encontra-se no acervo da biblioteca nacional do Rio de Janeiro, na seção de manuscritos.
Letra do Hino da Independência do Brasil
É possível identificar claramente na letra do Hino da Independência o “espírito” separatista que almejava a liberdade e nacionalidade brasileira. Leia abaixo e aproveite para relembrar a letra do hino. Observe também os trechos negritados:
Já podeis, da Pátria filhos,Ver contente a mãe gentil;Já raiou a liberdadeNo horizonte do Brasil.Brava gente brasileira!Longe vá... temor servil:Ou ficar a pátria livreOu morrer pelo Brasil.Os grilhões que nos forjavaDa perfídia astuto ardil...Houve mão mais poderosa:Zombou deles o Brasil.Brava gente brasileira!Longe vá... temor servil:Ou ficar a pátria livreOu morrer pelo Brasil.Não temais ímpias falanges,Que apresentam face hostil;Vossos peitos, vossos braçosSão muralhas do Brasil.Brava gente brasileira!Longe vá... temor servil:Ou ficar a pátria livreOu morrer pelo Brasil.Parabéns, ó brasileiro,Já, com garbo varonil,Do universo entre as naçõesResplandece a do Brasil.Brava gente brasileira!Longe vá... temor servil:Ou ficar a pátria livreOu morrer pelo Brasil. [grifos nossos]
No trecho “Já raiou a liberdade” o compositor metaforicamente coloca a liberdade com um “sol” que já raiou, ou seja, já é uma realidade. A exaltação do povo forte, lutador e nascido no solo brasileiro é feita com os versos “Brava gente brasileira!”.
É muito importante a força expressiva colocada nos versos “Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”, porque só existe duas alternativas para “a gente brasileira” – lutar pelar liberdade ou morrer em prol dela.
O trecho “Os grilhões que nos forjava” apresenta o repúdio aos “grilhões” da colonização portuguesa que apenas extraia as riquezas brasileira e escravizava o povo. “Parabéns, ó brasileiro” é um verso que parabeniza a nação, o povo brasileiro, pela tão almejada liberdade. Mesmo com tantas perdas sofridas, agora “Já, com garbo varonil”.

A letra do Hino da Independência exalta a liberdade e nacionalidade brasileira. (Foto: Flickr)
Cem anos da Independência
A monarquia estabelecida por D. Pedro I enfrentou graves problemas políticos que resultaram na abdicação do seu trono em 1831.
Por conta disso, o Hino da Independência que estava associado ao seu governo monárquico acabou perdendo o seu status de símbolo nacional e ficou esquecido por mais de um século. Dessa forma, deixou de ser executado nas cerimônias e solenidades oficiais.
Quando ocorreu a comemoração dos cem anos da Independência e, consequentemente, os cem anos da composição do Hino da Independência é que houve o resgate e a execução desse símbolo brasileiro.
Dessa forma, o Hino da Independência passou a ser executado nos eventos oficiais com a melodia original produzida pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal.
O Hino da Independência passou mais uma vez por modificações, agora no período da Era Vargas (1930-1945). Gustavo Capanema Filho era Ministro da Educação e Saúde Pública e formou uma comissão organizadora a fim de estabelecer os hinos brasileiros na sua versão original.
Na comissão estava o maestro Heitor Villa-Lobos, que foi o responsável em definir o Hino da Independência com a melodia feita pelo imperador D. Pedro I e letra de Evaristo da Veiga. Desde então, é essa a versão do hino executada na comemoração da Semana da Pátria em todo país.