O surgimento da escrita e o declínio do Império Romano marcaram o período antigo
A História Antiga, também denominada de Idade Antiga, é uma época histórica marcada pelo surgimento e desenvolvimento das primeiras civilizações (civilizações antigas). Esse período teve início há 4.000 a.C, com o surgimento da escrita, e terminou em 476, com o declínio do Império Romano do Ocidente.
Três fases compõem a História Antiga: Antiguidade Oriental (4.000 a.C. - 500 a.C), Antiguidade Clássica (800 a.C. – 476), Antiguidade Tardia (300 – 476). Em todos eles ocorreram eventos que contribuíram e alteraram a história da humanidade. Abaixo a cronologia dos principais eventos, em anos:
• 3.500 a.C - Desenvolvimento da escrita pelos sumérios;
• 3.200 a.C - Unificação do Egito;
• 1900 a. C - Os hebreus se fixaram na região da atual Palestina;
• 1.100 a.C - A Ásia Menor começou a ser colonizada pelos gregos;
• 753 a.C - Fundação da cidade de Roma;
• 1 - Nascimento de Jesus Cristo (início da Era Cristã);
• 313 - Imperador Constantino decretou o Edito de Milão;
• 330 - A cidade de Constantinopla foi fundada;
• 425 – O povos germânicos (denominados bárbaros pelos romanos) conquistam diversas províncias do Império Romano;
• 476 - Fim do Império Romano do Ocidente.
Principais povos da História Antiga
Entre as civilização formadas durante a História Antiga está a civilização mesopotâmica. A palavra Mesopotâmia é de origem grega e significa "terra entre rios", pois a região foi fundada entre os rios Tigre e Eufrates, onde atualmente é o Iraque. Entre os séculos V a.C. e I a.C vários povos habitaram a região localizada na Ásia Menor, como os babilônicos, os assírios, os sumérios e os caldeus. Isso possibilitou uma imensa troca cultural.
Exemplificando suas características, os mesopotâmicos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. No que se refere à política, o governo seguia um modelo centralizador, apenas um rei ou imperador comandava tudo. A economia era baseada na agricultura e no comércio nômade de caravanas.
Foram os babilônicos que criaram o primeiro código de leis: o Código de Hamurabi, onde consta a Lei de Talião, com o princípio “Olho por olho, dente por dente”. Outra contribuição dos mesopotâmicos para a história foi a escrita cuneiforme (gravação em tábuas de argila), que mais tarde originou a primeira biblioteca, em Nínive, com 22 mil tábuas.
Uma das civilizações mais importantes da História Antiga, foi a civilização egípcia, que teve início há 3.200 a. C, no vale do rio Nilo. No mesmo período, as duas principais comunidades (Baixo e Alto Egito) foram unificadas pelo rei Menés, que mais tarde tornou-se o primeiro faraó do Egito.
A pirâmide e a Esfinge de Gizé criadas pelos egípcios. (Foto: Wikipédia)
A sociedade egípcia estava dividida em várias camadas, com o faraó no topo, chegando a ser considerado descendente do Deus Hórus. Os egípcios também eram politeístas e tinham uma religião repleta de mitos e crenças interessantes, por exemplo, alguns deuses tinham a estrutura corporal de um homem, mas com cabeça de animal.
As famosas pirâmides do Egito guardavam os cadáveres dos faraós, mumificados, como parte do processo de renascimento. Essas estruturas colossais, contribuíram para o desenvolvimento da arquitetura. Os egípcios também criaram a escrita, o alfabeto e o papel.
A bíblia é a principal fonte de referência para o entendimento da história dos hebreus. De acordo com as escrituras sagradas, por volta de 1800 a.C., Abraão recebeu uma sinal de Deus para abandonar o politeísmo e viver em Canaã (atual Palestina), a terra prometida.
Após uma forte seca que atingiu a Palestina, os hebreus migraram para o Egito, onde foram escravizados por 400 anos. A libertação do povo hebreu ocorreu por volta de 1300 a.C., guiados por Moisés, que recebeu as tábuas dos 12 Mandamentos no Monte Sinai.
Moisés e os 10 Mandamentos. (Foto: Wikipédia)
A Pérsia foi uma das civilizações que mais se destacou na História Antiga, principalmente em relação às batalhas e às conquistas. Sob domínio de Ciro II, os persas no ano de 539 a.C., conquistaram a Babilônia, ampliando o Império Persa de Helesponto até as fronteiras da Índia atual.
Apesar das poucas contribuições, os persas souberam aproveitar a herança cultural dos povos conquistados, principalmente no campo religioso com o Zoroastrismo. A religião, criada pelo líder religioso Zaratustra, possuía uma característica dualista, onde o bem (Orzuzd) e o mal (Arimã) sempre se enfrentavam, mas no fim dos tempos o bem venceria.
Já a civilização grega se destacou no segundo período da História Antiga. A Grécia era organizada em cidades-estados, chamadas de poles (plural de pólis), e o conjunto dessas cidades formava a Hélade. As duas pólis mais importantes da Grécia Antiga foram: Esparta e Atenas.
Cada pólis possuía seu próprio sistema político-administrativo, organização social e deuses protetores - que os orientavam sobre questões do cotidiano e futuro. A cultura sempre esteve muito relacionada a religião na Grécia e na cidade de Olímpia, onde surgiram os Jogos Olímpicos em homenagem aos deuses.
As contribuições da Grécia durante a História Antiga foram várias, podendo ser mencionadas: o desenvolvimento da filosofia com os pensadores Sócrates, Platão e Aristóteles; o teatro, com grandes autores como Eurípedes, Sófocles e Aristófanes e a rivalidade entre Atenas e Esparta, que deu origem a Guerra de Peloponeso.
Segundo historiadores, a criação da civilização romana foi resultado da união de povos gregos, etruscos e italiotas que foram habitar a região da Península Itálica. Há uma segunda história sobre a fundação de Roma, que está relacionada à lenda dos gêmeos Rômulo e Remo.
A Roma Antiga ganhou muito destaque na História Antiga, sobretudo pela literatura filosófica, jurídica e política. A arte romana era pouco original, a maioria de suas construções apresenta influência helenística, já as esculturas apresentam riquezas de detalhes.
Três curiosidades sobre a História Antiga
O período da História Antiga é rico em descobertas e invenções que hoje contribuem para toda a sociedade. Algumas histórias não compõem os tradicionais livros da escola, mas ter conhecimento sobre elas pode ser enriquecedor. Confira abaixo algumas curiosidades sobre a História Antiga.
1- Os indianos antigos já realizavam cirurgias plásticas
Cirurgias plásticas já eram realizadas na Índia desde o ano 500 a.C, com objetivo de reparar partes do rosto dos guerreiros indianos após batalhas. Diferente dos gregos e romanos, os indianos não usavam capacetes de proteção durante os combates, deste modo a tendência era que seus corpos ficassem bem machucados.
Os médicos hindus daquela época já realizam procedimentos tão bons quanto as atuais técnicas cirúrgicas. Um dos procedimentos realizados na época era a rinoplastia (cirurgia realizada na estrutura nasal para melhorar a estética).
2- “Até tu, Brutos!” não foram as últimas palavras de Júlio César
A célebre frase “Et tu, Brute?” (“Até tu, Brutus?”), como muitos pensam, não foram as últimas palavras do imperador romano Júlio César. Na verdade a expressão foi criada por William Shakespeare para que na sua peça, que leva o mesmo nome do imperador, fosse recitada pelo ator que o interpretava.
Historiadores contrapõem esse episódio primeiramente pelo fato de que Júlio César falava grego e não latim, pois não tinha familiaridade com a língua. Outras fontes históricas, que escreveram sobre o imperador na época, supõem que ele proferiu a frase: “Kai su teknon”, com uma tradução que pode significar: “até você, meu filho?”.
A morte de Júlio César, por V. Camuccini (1804-1805). (Foto: Wikipédia)
3- Os romanos não inventaram a crucificação
Muitas narrativas associam o ato de crucificar à morte de Cristo, contudo indícios apontam que essa prática já era realizada pelos persas há 500 a.C. Logo, este modo de punição se espalhou para regiões como Índia, Egito, Cartago, Macedônia e Roma, onde foi popularizada.
Dario I, rei da Pérsia, adotou essa punição em 518 A.C., por meio da crucificação de 3 mil babilônicos como forma de exemplo às rebeliões que aconteceram na época. O rei da Macedônia, Alexandre O Grande, em 332 A.C, também crucificou milhares de pessoas, cerca de 2 mil na invasão de Tyro, na Fenícia.