Da ascensão ao declínio
O Império Bizantino foi o desdobramento do Império Romano da Idade Média. Sua capital, Constantinopla, suportou a divisão e o declínio do Império Romano do Ocidente no século V continuando a prosperar por mais de mil anos até a sua derrocada diante da expansão dos turcos otomanos em 1453.
Essa mudança também teve seu lado positivo, pois a localização de Constantinopla entre o mar Negro e o mar Mármara facilitou o comércio e a restauração da cidade, transformando–se em uma Nova Roma.
O reinado do Imperador Justiniano
Justiniano foi Imperador no Império Bizantino em 527, no mesmo ano casou-se com Teodora que posteriormente teria importante papel nas suas decisões políticas e militares. Era chamado pelo povo de “o imperador que nunca dorme” e lançou um projeto de restauração e unificação do Império Romano para recuperar a nobreza do antigo império, estimulando a indústria, as artes e o comércio.
Cria a codificação do Direito Romano também conhecido como Código Justiniano, um código de leis dividido em quatro partes essenciais, e que foi considerado um presente para a cultura ocidental. São elas:
• Codex Justinianus: eram leis inspiradas no código Romano das tábuas, que depois tornou-se Corpus Juris Civilis (Corpo de Direito Civil);
• Digestos: são as ramificações dessas leis divididas em partes;
• Institutas: no qual professores reescreveram essas leis de forma didática para que o povo pudesse entendê-las;
• Novelas: eram as possibilidades de criar novas leis de acordo com as necessidades. Nesse caso as leis do imperador.
Justiniano foi destaque no Império Bizantino porque confrontou os persas, construiu o templo de Sofia, expulsou bárbaros, anexou territórios, retomou pontos importantes do império. Porém ele era um déspota e com isso gerou oposição à sua imposição política.
Em uma competição de cavalos no hipódromo aconteceu uma revolta da população que estava cansada com seus desmandos e imposições de impostos, e ficou conhecida como a Revolta de Nika que durou cerca de três dias com grandes atos de violência.
Especula-se que foram assassinadas mais de 30 mil pessoas pelas tropas do imperador, entre eles comerciantes, políticos, e outras pessoas de destaque. Naquela época, a mistura entre religião e política era intensa e ficou conhecida como Cesaropapismo.

Representação do mapa do Império Bizantino. (Foto: Wikipedia)
Política e Religião no Império Bizantino
O imperador mantinha o poder centralizado e era a reprodução de Deus na terra. Ele era representante máximo da igreja e do exército no Império Bizantino. Dessa maneira a união desses poderes tornou o Bizâncio um Estado Teocrático, ou seja controlado pelos dogmas e crenças.
Como tinham várias culturas, sentiam a necessidade de respeitar as várias nacionalidades tendo um modelo pré-estabelecido. Então escolheram a religião como alternativa de unidade. Predominantemente o Império Bizantino era Cristão, porém existiam várias formas de interpretação sobre o cristianismo.
Sua Igreja era a Católica Ortodoxa Grega, na qual haviam três conceitos: o Monofisismo, que acreditava que Cristo era um ser divino e que nunca veio à terra; o Arianismo, que afirmava que Cristo foi apenas humano; e o Movimento Iconoclasta, não aceitava imagens de santos, o que posteriormente ocasionou uma guerra conhecida como Questão Iconoclasta, na qual membros saíram destruindo todas as imagens que encontravam.
A sociedade bizantina
Eram divididos socialmente em nobreza, alto clero, proprietários de terras, comerciantes, artesãos, e a maior parte da população que era pobre, os camponeses, cultivavam plantações no interior e pagavam tributos ao Estado, trabalhadores das oficinas e o baixo clero.
Era comum a população se entreter nos teatros e hipódromos, onde tinham espetáculos populares e corridas de cavalos. Os mais providos e a camada média valorizavam a educação, na qual inclusive as mulheres eram alfabetizadas. As mulheres faziam tecelagem e cosmetologia. Algumas também se dedicavam à vida política, como a Imperatriz Teodora que também executava medidas com seu marido Justiniano.

A representação do cristianismo em mosaico. (Foto: Wikipedia)
A influência das artes
Na arte do Império Bizantino é possível perceber a presença marcante das cores e era basicamente centrada na religiosidade, influência da Antiguidade Clássica. Havia destaque para os afrescos, ícones e miniaturas. Faziam pinturas da Virgem Maria e Cristo, e suas esculturas tinham rigidez e uniformidade, tinha presença de linhas geométricas e folhagens estilizadas, além da falta de naturalidade.
A arte em mosaico era formada por pedras coladas em paredes que tinham os mesmos temas religiosos e com imagens do imperador, tendo também como papel fundamental ensinar a doutrina cristã de forma objetiva.
As principais características da arte bizantina são: a natureza majestosa de riqueza e poder, ligação com a religiosidade cristã, clara autoridade do imperador considerando-o sagrado, e a representação das figuras em postura rígida e frontal.
Economia do Império
Foi considerada uma das mais intensas por vários séculos por toda a região do Mediterrâneo. Constantinopla se estabeleceu no encontro das rotas comerciais e em seu auge cobriu todo a Eurásia e o Norte da África.
Dessa maneira tinham um comércio marítimo forte, agricultura realizada pelos camponeses, produção de tecidos, e o domínio das rotas comerciais do mar Mediterrâneo. O Império Bizantino destacou-se nas relações com a Arábia, Pérsia, China e Índia, no qual o contato era realizado por terra ou mar. Comercializavam temperos, âmbar, joias, tecidos de seda, porcelanas, escravos, marfim, peças de ouro, papiro, etc.
Houve arrecadação de altos impostos cobrados sobre a população, e aos comerciantes. Também utilizavam moedas para atividades comerciais, principalmente em ouro, prata e cobre.
Outra importante fonte de arrecadação tributária era da venda do trigo, exclusividade do governo. Devido a essa riqueza, Constantinopla chegou a ter cerca de 1 milhão de habitantes e foi uma das cidades mais povoadas e ricas da Idade Média.
Declínio do Império Bizantino
O Império Bizantino ficou à mercê de várias invasões após a morte do imperador Justiniano, a qual deu início a queda do Império em Constantinopla. Com o enfraquecimento o Império ficou dividido para diversas realezas feudais e Constantinopla teve sua queda estabelecida no ano de 1453 quando foi ocupada pelos turcos.
Na atualidade Constantinopla é conhecida como Istambul, pertencente à Turquia. Apesar de tudo, seu centro histórico encanta pela sua variedade cultural.