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Índios brasileiros

Postado por Camila Mendonça em 27/02/2019 e atualizado pela última vez em 23/12/2020

Primeira população do Brasil


Os índios brasileiros foram os primeiros povos a habitarem o país. Quando os colonizadores portugueses chegaram na Ilha de Vera Cruz logo descobriram a população indígena habitando o litoral. 


O termo índio foi dado pelos próprios colonizadores. Ao chegarem no Brasil os portugueses e Cristóvão Colombo estavam convictos de que haviam entrado no continente asiático e que o país descoberto era a Índia.

Mesmo após a descoberta da confusão continuam chamados os povos assim, pois achavam mais fácil. O verdadeiro objetivo era dominar a cultura, a política e a religião dos índios, tentando desenvolver uma colonização.

Inicialmente, o contato existente entre os índios brasileiros e os “brancos” acontecia por meio da troca de produtos (escambo). Em troca de roupas, comidas e ferramentas os índios ofereciam a mão de obra. O preparo da madeira do pau-brasil para o embarque é exemplo de como funcionava o fluxo de trabalho.

Colonização dos índios brasileiros


Até um certo momento os índios achavam todos esses materiais disponibilizados pelos portugueses uma novidade, por isso aceitavam realizar essa troca de “favores”. Porém, quando os portugueses decidiram implantar um sistema colonial, transformando-os em escravos agrícolas e os privando de suas atividades tradicionais, uma guerra entre brancos e índios iniciou-se

Dessa forma, os índios foram sendo aniquilados gradativamente e a escravidão ocorreu onde os português não tinham recursos para comprar escravos negros. Um exemplo disso foi a Capitania de São Vicente, em São Paulo. Do local saiam navios que incentivavam a “caça ao índio”, causando um verdadeiro extermínio dos indígenas.

Antes dos colonizadores descobrirem a América havia, no Brasil, cerca de 5 milhões de índios. Entretanto, a população foi diminuindo ao longo dos anos chegando a um total de 150 mil índios no começo no século XX.

Segundo dados do Censo IBGE, em 2010, as mais de 240 etnias somavam 896.917 de índios. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país, além daqueles que vivem isolados sem nenhum contato com a civilização. 


Povos Indígenas


Além de grandes personagens da História do Brasil, os índios brasileiros pertencem aos seguintes grupos linguísticos: Tupi, Macro-Jê, Aruak e Karib. No entanto, embora a língua falada seja diferente entre os grupos, os índios brasileiros são unidos e respeitam uns aos outros, mantendo as mesmas crenças e costumes. 

A partir da classificação linguística tradicional eles se dividem em diferentes etnias. As principais são: Guaranis, Ticunas, Caingangues, Macuxis, Terenas, Guajajaras, Ianomâmi, Xavantes, Pataxós e Potiguara, Tupis, Tapuias, Nuruaque e Caraíba. Confira o resumo de algumas dessas civilizações.

Ticunas

Os Ticunas ou Tikunas vivem às margens do rio Solimões, sendo o maior povo amazônico do Brasil. Sua população tem em média 26.813 índios. O grupo é adepto da caça e da pesca. Além disso, a linguagem típica é tonal, ou seja, a entonação muda o sentido das palavras.

Guaranis

Os Guaranis reúnem o maior número de índios brasileiros, atingindo uma média de 46.566. Eles se dividem em três grupos diferentes: Caiová, Ñandeva e Mbya. Embora eles tenham costumes parecidos, como viver em grupos familiares, possuem dialeto particular e outras peculiaridades. 



Índio do grupo Guarani. (Foto: Wikipédia)

Pataxó

Os Pataxós somam um total de 10.664 índios. A maior tradição entre eles são as festas. Nas comemorações costumam dançar o típico auê, servir o mukussuy, que é o peixe assado em folhas de palmeira, e o tradicional kauím – uma espécie de vinho de mandioca.


Potiguara

Os Potiguaras são de origem tupi-guarani e somam um total de 10.036 índios. O nome, que significa “comedores de camarão”, distingue esse grupo dos demais. A referência é atribuída a  grande habilidade que eles têm em pescar crustáceos e moluscos. A etnia entende um pouco da língua portuguesa.


Costumes e heranças


Antes de descobertos e colonizados os índios viviam isolados, pois não existia a propriedade privada e a produção entre eles era feita de forma comunitária. Os trabalhos eram divididos de acordo com sexo e idade, sendo as mulheres as responsáveis por cuidar das plantações, das crianças e da preparação dos alimentos. Os homens cuidavam da pesca, da caça e da construção de tabas. 

Outro costume comum a todos os índios é o hábito de pintar o corpo. Para eles cada pintura tem um significado diferente. Existe pinturas para rituais religiosos, outras para guerrear, para celebrar nascimentos, festas, casamentos, etc. 

Eles deixaram muitas heranças para a população brasileira, como o hábito de usar a rede para descansar, a utilização de ervas medicinais para tratar doenças, a habilidade na utilização de algumas ferramentas para construir barcos, produção de artefatos em palha e cipós.


Os índios brasileiros também contribuíram para a formação das etnias nacionais. A união, mesmo que desconhecida, entre brancos e índios deu origem ao caboclo. Por outro lado, o cafuzo ou caburé originou-se da união que aconteceu entre negros e índios.

Além disso, os povos indígenas deixaram uma infinidade de palavras no vocabulário brasileiro: Iara, Jaci, Itu, Itapetininga, Anhanguera, tapioca, beiju, pamonha, gamela, puçá, arapuca, dentre outras.

Conflitos 

Atualmente, os indígenas têm enfrentado grandes problemas para a manutenção as tradições e culturas, além da liberdade. Isso acontece porque o país, principalmente na Amazônia, está desenvolvendo planos agressivos que ameaçam a existência desse povos.

Inúmeros complexos de barragens hidrelétricas estão sendo construídas nas proximidades dos grupos isolados, interrompendo a liberdade dos índios. Na região Sul alguns Guaranis têm cometido suicídios ao perder as terras habitadas.

Na luta pelos direitos muitos vivem em condições desumanas, morando em beira de estradas para reivindicar a tomada de terra pelos fazendeiros, garimpeiros e pecuaristas. O país possui 200 organizações ativas e lutando a favor desses povos nativos. Em 2015, a liderança Guarani-Kaiowá e Terena denunciou o assassinato de 300 indígenas nos conflitos fundiários que aconteceram no Mato Grosso do Sul.

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