Postado por Filipe Oliveira em 12/03/2019 e atualizado pela última vez em 18/02/2021
É uma doutrina político econômica
O liberalismo foi uma doutrina político-econômica que tinha como características ideias liberais e tolerância. Para os liberalistas, o interesse geral tinha que ser respeitado pela liberdade cívica, econômica e da consciência dos cidadãos.
O movimento liberalista nasceu na época do iluminismo e ia contra a tendência absolutista, indicando que a razão humana, o direito inalienável à ação e realização própria, livre e sem limites, são os melhores caminhos para satisfazer os desejos e necessidades da humanidade.
Princípios do liberalismo
O liberalismo acreditava no avanço da humanidade através da livre concorrência das forças sociais e era contra as acusações dos religiosos ou estatais a respeito do comportamento do indivíduo, tanto nas questões ideológicas como nas questões materiais, por causa da desconfiança básica sobre todo o tipo de obrigação.
O liberalismo não tinha como objetivo defender apenas a liberdade individual, mas também dos povos. Chegou a colaborar com novos movimentos de libertação nacional que surgiram durante o século XIX, na Europa e em outros territórios ultramarinos, sobretudo na América Latina.
No campo político, o liberalismo começou a caminhar com a Revolução Francesa e americana; os direitos humanos criaram seguidamente o seu primeiro ato de fé político. Foi também a ideologia política da burguesia (liberal), que conquistou uma posição de destaque durante o século XIX até a Primeira Guerra Mundial, momento em que tornou uma força política em quase todo ocidente.
A liberdade econômica, anunciada pelo liberalismo, cresceu com condições de desigualdades sociais. Logo depois houve uma grande reação por parte das doutrinas socialistas e comunistas, onde os movimentos se tornaram opositores do liberalismo com muito mais força que as correntes conservadoras e tradicionais.
O declínio do liberalismo se deu devido aos grandes problemas políticos e sociais que, depois da Primeira Guerra Mundial, surgiram na Europa Central tendo como consequência a entrada da Alemanha, Itália e outros países em crises profundas e prolongadas, contribuindo para o nascimento de sistemas totalitários como o fascismo, nacional-socialismo, falangismo e outros.
Após a Segunda Guerra Mundial e frente a outros movimentos de tendência democrata cristã, o liberalismo renasceu, prometendo constituir de novo uma opção no campo político e econômico.
Liberalismo econômico
O liberalismo econômico ganhou esse nome, pois tinha a ideologia de que o estado não deveria interferir nas relações econômicas que existiam entre indivíduos, classes ou nações. Esse tipo de liberalismo defendia o livre uso, da parte de cada indivíduo ou participante de uma sociedade, de sua propriedade, sendo partidário da livre-empresa, em oposição ao socialismo e ao dirigismo.
Depois da Revolução Burguesa – ocorrida na Inglaterra entre 1640 e 1660 – apareceu uma nova realidade onde a organização social se baseava na propriedade. Essa nova ordem inspirou uma ideologia que explicava, salientando as diferenças em comparação a ordem anterior, a servidão.
O nome usado para se mencionar esse conjunto de ideias derivou dos pilares constitutivos da ordem capitalista, propriedade e liberdade. É esse conceito de liberdade, que dá nome ao novo ideário. A partir disso, o liberalismo se tornou a ideologia da sociedade capitalista ou burguesa.
A teoria nascente propõe que todos podem chegar ao nível mais alto de prosperidade de acordo com seu potencial, aplicando seus valores, tarefas e conhecimentos, com o maior grau de liberdade possível, em uma sociedade que reduza ao menor nível os inevitáveis conflitos sociais. Outros dois aspectos vitais que dão forma à doutrina liberal são a tolerância e a confiança na força da razão.
A doutrina liberal diz ainda que os governos, na maioria das vezes, não representam os interesses da sociedade como um todo, e que se concentra em beneficiar alguns grupos de pressão. Os liberais geralmente desconfiam das intensões da classe política e não criam muita expectativa a respeito da eficácia dos governos.
O liberal tradicional colocava-se na posição de eterno crítico das atividades dos servidores públicos, observando com grande desconfiança a função do governo de redistribuidor da renda, eliminador de injustiças ou “motor da economia”.
Liberalismo Político
Da mesma forma que o movimento econômico e o social, o liberalismo político se baseava na liberdade do cidadão, assim como no afastamento do Estado das responsabilidades e pensamentos do mesmo. As alianças liberais, que defendiam o liberalismo político, possuíam diversas variações a depender do seu criador. John Locke, Montesquieu, Rousseau e Adam Smith foram os precursores mais conhecidos.
No liberalismo, o Estado tinha poderes e funções limitados, diferente do absolutismo e socialismo e deveria respeitar tais direitos, ou seja, respeitar a independência do homem.
John Locke
Jonh Locke ficou conhecido como o pai do liberalismo e um dos maiores filósofos do Empirismo Britânico. Teve grande influência no republicanismo clássico, na teoria liberal e, seguindo a tradição de Sir Francis Bacon, no empirismo e iluminismo escocês.
Locke foi ainda o pioneiro na definição da identidade do ser como continuidade da consciência, abrindo caminho para o debate moderno sobre a identidade e ser, que viria a originar o campo de estudo conhecido hoje de "filosofia da mente".
John Locke. (Foto: Wikimedia Commons)
No seu livro “Dois Tratados sobre o Governo”, Jonh Locke falou contra a monarquia absoluta e defendeu que o convencimento individual é o apoio da legitimidade política. O primeiro tratado foi dedicado a negar o patriarcalismo, posição política que surgiu na Inglaterra durante século XVII, e buscava identificar o monarca como uma figura patriarcal, utilizando argumentos a favor de seu poder absoluto e de seu caráter fraterno.
Robert Filmer foi um dos grandes nomes proponentes desta posição a quem Locke ofereceu, no primeiro tratado, uma refutação "sentença a sentença", colaborando assim para extinguir o patriarcalismo como posição política.