Orgulho em pertencer a uma nação
O nacionalismo é a palavra usada para descrever os sentimentos e o orgulho do indivíduo em pertencer a uma determinada nação, motivado por razões de semelhança histórica ou cultural.
Ele é visto como um movimento político, na qual são valorizadas todas as características de uma nação, principalmente a autodeterminação, ou seja, a forma de governar e desenvolver as próprias culturas e costumes.
Antes de adentrar nos pontos mais importantes do nacionalismo é importante conhecer a diferença entre Estado e nação.
Estado: representa a entidade administrativa ou pessoa jurídica formada por uma sociedade que vive em um determinado território, subordinada a uma autoridade soberana. Ou seja, trata-se dos poderes políticos e administrativos de uma nação.
Nação: corresponde a um agrupamento de indivíduos ligados por laços históricos, culturais, econômicos e linguísticos. Uma nação pode estar dividida em vários Estados, assim como um Estado pode agrupar várias nações. Deste modo, o nacionalismo representa uma ideia que exalta o Estado ao qual o indivíduo pertence.
Implantação do Nacionalismo
O nacionalismo surgiu no século XVIII, após a Revolução Francesa, quando Napoleão Bonaparte conquistou metade da Europa em meio as afirmações dos estados-nações. O movimento surgiu sob a influência das monarquias absolutas, como uma necessidade de fortalecer as ideias individuais do país. O nacionalismo foi influenciado pelas ideias do Iluminismo francês, que valorizava a ciência e a racionalidade ao invés da religião e espiritualidade.
Assim, as ideias iluministas serviram de incentivo para que a população francesa rejeitasse o Estado absolutista e monárquico vigente no país, e passassem a desejar a construção de um governo mais participativo e democrático, em que todos os cidadãos pudessem opinar e não apenas um rei, como era feito.
Principais Características
A partir do século XIX, o nacionalismo passou a reunir um conjunto de ideias, sentimentos e atitudes no campo político. Nesse aspecto, o movimento identificou-se completamente com a soberania do estado-nação, principalmente através do cidadão comum, que passou a lutar por seu país como um corpo nacional único (nação).
Essas ideias e atitudes consolidaram a formação dos estados-nações contemporâneos, aliadas as noções de soberania e cidadania, garantidas por uma Constituição mais participativa e democrática.
Com o desenvolvimento da herança cultural, da noção de pertencimento a um povo e da definição política das fronteiras nacionais, as ideias nacionalistas ganharam ainda mais espaço.
Em meados do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, o nacionalismo foi marcado pela ascensão de regimes totalitários na Europa, que misturaram as ideias nacionalistas com teorias racistas, o que fez surgir movimentos extremistas como o nazismo e fascismo, principalmente na Alemanha e Itália.
Um exemplo de teoria racista, desenvolvida pelos movimentos apoiadores de nazistas e xenofóbicos, foi a de que apenas a raça branca (ariana) fosse merecedora de estar no mundo, além da escolha do povo alemão como o único encarregado de construir um império mundial.
No Brasil, a construção do Estado Novo (19637-1945), caracterizada como a ditadura de Getúlio Vargas (1882- 1954), foi a vertente de propagação do nacionalismo no país.
Nacionalismo no Brasil
Como foi dito, o nacionalismo começou no Brasil durante o governo Vargas, mais precisamente com a implantação do Estado Novo. Essa forma de governo tinha como principais características o anticomunismo, o autoritarismo e o nacionalismo.
O movimento foi usado por Vargas para justificar certas atitudes políticas vividas no país. Assim, o presidente incentivou o nacionalismo de diversas maneiras, com a implementação de políticas populistas, por meio da extrema valorização do território brasileiro, e através da utilização de propagandas.
O presidente chegou a fechar o país diante das importações, sob a justificativa de desenvolvimento próprio da economia. Assim, ele criou grandes empresas estatais como a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Petrobras.
Durante a Ditadura Militar no Brasil, algumas campanhas nacionalistas e exageradas foram divulgas com slogans do tipo “Ninguém segura este país”, "Brasil ame-o ou deixe-o", a fim de conquistar a simpatia do púbico.
Para alguns estudiosos, a ideia de nacionalismo nos dias atuais está mais voltada para a valorização da cultura e diversidade do país, embora algumas pessoas apenas consigam demonstrar o amor pela nação no auge de grandes competições esportivas, a exemplo da Copa do Mundo e Olimpíadas.
Mas, ao contrário de outros países, o povo brasileiro nunca precisou se unir para enfrentar uma ameaça externa, nem mesmo na conquista da Independência do Brasil, em que apenas um pequeno grupo lutou.
Patriotismo
O patriotismo e o nacionalismo andam juntos. Isso porque o patriotismo, para alguns estudiosos, é uma das formas de representar o nacionalismo. Porém, ele está mais voltado para a prática da lealdade, identificação e o amor em defesa de um determinado país, enquanto o nacionalismo está mais ligado às questões políticas.
Historicamente, o patriotismo era usado para descrever o indivíduo que apoiava os direitos do país, em detrimento do rei ou da sua corte. Dessa forma, o verdadeiro patriotismo está relacionado com o impulso em defender a pátria de uma injusta opressão estatal.
Além disso, alguns patriotas têm a ideia de que os princípios sobre os quais um país foi fundado podem ter sido desviados em razão dos interesses individuais de um governo. Para eles, ser patriótico tem a ver com a oposição ao atual governo, forçando-o a retornar para os antigos princípios.
O nacionalismo é representado por meio do patriotismo através da exibição de símbolos nacionais (brasões, bandeira do país) ou então do seu hino.

Exibir a bandeira do país é uma atitude nacionalista. (Foto: Wikipedia)
Ufanismo
Ufanismo é o termo usado para definir o exercício exagerado de atitudes nacionalistas. O indivíduo que pratica o ufanismo tem orgulho excessivo pelo país que nasceu e considera apenas a sua pátria como digna e merecedora de conquistas.
Em razão da superioridade com relação aos demais países, as ações dos ufanistas podem prejudicar o relacionamento dessas pessoas com outros indivíduos, criando inimigos externos ao seu país, incentivando esforços militares e convocando a população para agir militarmente. Além disso, pode incentivar atitudes intolerantes como a prática do racismo e xenofobia contra pessoas de outras nacionalidades.