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Neoliberalismo

Postado por Elaine Mendes em 12/03/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Consiste em uma reação teórica e política contra o Estado intervencionista


O neoliberalismo é uma nova fase do capitalismo. O imperialismo na era neoliberal pode se caracterizar pela hegemonia dos Estados Unidos, que drena fluxos enormes de renda do resto do mundo. Mas esse domínio é abalado pelos desequilíbrios externos crescentes do país, em especial, a expressão de uma onda extraordinária de consumo por parte das famílias.

Teve início a partir, principalmente, 
da Segunda Guerra Mundial, tentando recuperar as ideias de uma sociedade livre, ou seja, de um mercado aberto, fazendo uma crítica ao modelo chamado de keynesianismo, que defendia a participação do Estado no que diz respeito às suas responsabilidades sociais, auxiliando no desenvolvimento da economia (a criação e benefícios trabalhistas). 

Os teóricos neoliberais acreditavam que a peça fundamental da economia de um país era o controle dos preços. Seria necessário que o Estado mantivesse o equilíbrio dos preços através da estabilização financeira e monetária, com a adoção de políticas econômicas anti-inflacionárias e cambiais.

A liberdade econômica continuaria a existir, e o governo teria a função de combater os excessos da livre concorrência e o controle dos mercados pelos grandes monopólios econômicos.

Origem do neoliberalismo


O pensamento liberal do final do século XX, comumente denominado de neoliberalismo, apareceu em contraposição às políticas keynesianas e sociais-democratas, que estavam sendo implementadas nos países centrais.

Inicialmente surgiu de forma tímida por meio da divulgação de textos como “O caminho da servidão
” de Frederich Hayek, de 1944, e “A sociedade aberta e seus inimigos”, de Popper, em 1945. Na década de 1960 outras publicações se seguiram, dando sustentação a essa perspectiva, como “Os fundamentos da liberdade” de Frederich Hayek, em 1960, e “Capitalismo e liberdade” de Milton Friedman, publicado em 1962.

Contudo, foi a crise global iniciada 
com a crise do petróleo, em 1973, a onda inflacionária que se seguiu na década de 1980, levando ao declínio do Estado de bem-estar social, associado ao colapso do socialismo real, simbolizado pela queda do Muro de Berlim em 1989, que permitiu uma ampla ofensiva do pensamento liberal, traduzido no projeto neoliberal deste final de século.


O neoliberalismo consiste em uma reação teórica e política contra o Estado intervencionista, opondo-se fortemente a qualquer forma de planejamento da economia. Condena toda ação do Estado que limite os mecanismos de mercado, denunciando-as como ameaças à liberdade, não somente econômica, mas também política.

Para os teóricos neoliberais a razão é incapaz de reconstruir a ordem social, portanto, o uso de qualquer forma de planejamento, na economia, seria consequência de um equívoco teórico, devendo-se permitir que a ordem espontânea do mercado se manifeste livremente. Esses teóricos tiveram como principal discípulo, no século XX, Frederich Hayek, e como representante mais emblemático foi Milton Friedman, o pai do neoliberalismo.


Pensamento neoliberal


O pensamento neoliberal foi singularizado no denominado receituário do Consenso de Washington, expressão que emergiu a partir do encontro realizado em novembro de 1989, na cidade de Washington. Foi realizada uma reunião entre funcionários do governo americano e especialistas em assuntos latino-americanos. 

Além de representantes dos organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e alguns economistas liberais, com o objetivo de realizar uma avaliação das reformas econômicas empreendidas, nas décadas anteriores, nos países da América Latina.

As ideias neoliberais foram inicialmente implementadas na Alemanha Ocidental. Já o Chile foi um dos primeiros países do mundo a adotar o neoliberalismo, assim como o Reino Unido. O neoliberalismo também fez parte da história do Brasil.

A essência do pensamento neoliberal baseia-se na defesa do livre curso do mercado, colocando-o como mediador fundamental das relações societárias e no Estado mínimo como alternativa e pressuposto para a democracia.


Características do neoliberalismo


O movimento neoliberal defendia a tese de que a crise das décadas de 1970 e 1980 decorria do mau funcionamento do Estado, evidenciado na falta de efetividade e no crescimento distorcido, além dos altos custos operacionais, do excesso de endividamento público e da incapacidade de se adequar ao processo de globalização em curso, que teria reduzido a autonomia e a capacidade dos estados nacionais para gerirem suas próprias políticas econômicas e sociais. 

Confira as principais características do neoliberalismo:

• Pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
• A política de privatização de empresas estatais, ou seja, a privatização de todos os setores da economia nacional;
• Desregulamentação do sistema financeiro;
• Transferência de serviços públicos ao setor privado;
• Redução dos encargos e direitos sociais como um todo;
• A abertura da economia para a entrada de empresas multinacionais;
• Defesa dos princípios econômicos do capitalismo e também ênfase na globalização.

Consequências do neoliberalismo


• Desigualdade social;
• Desemprego;
• Economia instável;
• Salários baixos;
• Fluxo de capital invertido;
• Dependência do capital internacional (principalmente nos países mais pobres e menos desenvolvidos);
• Tremenda liberação financeira.

Neoliberalismo no Brasil


No Brasil, o neoliberalismo foi introduzido associado ao discurso da necessidade de modernização do país, que se iniciou no governo de Fernando Collor de Mello, em 1989, e se aprofundou nas décadas de 1990 e 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso.


No Brasil, o neoliberalismo começou a ser seguido a partir do 
governo de Fernando Collor. (Foto: Wikipédia)

No primeiro governo, com ênfase nas reformas econômicas, na privatização das empresas estatais e nas políticas sociais focalizadas. No segundo, aprofundando esses aspectos e modificando substancialmente a estrutura do Estado por meio de ampla reforma. Foram definidas as diretrizes da reforma e a nova configuração que o Estado brasileiro deveria assumir a partir de então.

A estratégia de privatização encorajada por ideais neoliberais não foi seguida por todos os países. Ao contrário do Brasil, a China e Índia (países que têm mostrado um crescimento considerável nas últimas décadas) adotaram tais medidas de forma restrita e gradativa. Nesses países, o investimento de grupos econômicos foi feito em parceria com empresas nacionais.

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