Personagem que pratica admiração excessiva por ele mesmo
O mito de Narciso é uma interpretação da mitologia grega, que narra a história de um jovem caçador fascinado pela sua própria beleza. Na Grécia, sua imagem é atribuída ao símbolo máximo de vaidade.
Narrativa do mito de Narciso
Segundo a mitologia grega, Narciso era filho do deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope. Ele nasceu numa região da Grécia Antiga, conhecida como Beócia. Ao nascer, sua mãe perguntou para um adivinho se Narciso viveria durante muito tempo, já que sua beleza era estonteante.
O adivinho disse que ele viveria sim, desde que ele nunca conhecesse a si próprio, pois se isso acontecesse uma maldição seria lançada sobre ele e lhe causaria a morte. Quando ficou adulto, Narciso virou caçador e passou a atrair os olhares de todas as ninfas e donzelas daquela região.
Mas, o mito de Narciso explica que, embora ele tivesse toda essa bajulação, ele preferia viver só. Afinal, ainda não tinha encontrado um moça que julgasse merecer o seu amor.
Uma das ninfas, chamada Eco, apaixonou-se loucamente por Narciso, mas como teve o seu amor negado por ele, resolveu pedir a Nêmesis, deusa da vingança.
A ninfa Eco pediu que Nêmesis que lançasse sobre Narciso a seguinte maldição: "Que Narciso se apaixone com muita intensidade, mas não consiga possuir a sua amada". A maldição foi lançada e Narciso se apaixonou de forma intensa, só que pela sua própria imagem.
O mito de Narciso conta que Eco era um Ninfa falante e vivia seguindo o caçador. Em uma dessas conversas, ela o atraiu para um fonte e quando Narciso se abaixou para beber água, ele avistou a sua imagem refletida nas águas.
Nesse momento Narciso ficou encantado com o que viu. Observou os cabelos, os olhos, os lábios e não conseguia parar de olhar. Observou tanto que desejou possuir aquela imagem, não sabendo que se tratava dele mesmo. Mas, como não conseguiu ele acabou morrendo.
Contudo, há dois desfechos para a história de Narciso. Um relata que ele morreu de desgosto por admirar tanto a imagem e não conseguir possuí-la, como previsto na maldição. Já outras histórias dizem que ele morreu afogado ao tentar tocar na imagem que via refletida.

Narciso e a ninfa Eco. (Foto: Wikipedia)
Flor de Narciso
Na fonte onde ocorreu a morte de Narciso teria nascido uma flor amarela e de pétalas brancas. Ela simboliza a tentativa do personagem em possuir aquela imagem e não conseguir.
Análise da lenda
Para o gregos, tudo o que excede e ultrapassa os limites vira algo que eles chamam de hybris. Na religião grega, essa palavra retrata a insolência e o descomedimento, que está relacionado ao excesso de confiança, arrogância e orgulho exagerado.
A beleza de Narciso desafiava a supremacia dos deuses, pois na mitologia grega somente os deuses poderiam desfrutar desse privilégio. Qualquer outro que tivesse esses atributos não eram bem aceitos.
Ao longo dos anos, diversas versões foram surgindo para explicar o mito de Narciso. A mais conhecida entre elas é a de um geógrafo e viajante grego, chamado Pausâneas. A obra de nome “Descrição da Grécia” conta o mito de Narciso, retratando o personagem como se ele tivesse se apaixonado loucamente pela irmã gêmea.
No livro, o autor conta que eles faziam tudo juntos, o que levou Narciso a despertar o interesse possessivo pela irmã. Tempos depois, a irmã de Narciso morreu e ele passou a acreditar que a imagem refletida na fonte seria dela, mal sabia ele que era a sua própria imagem.
O final da história conta que no local onde a irmã de Narciso teria morrido nasceu uma flor chamada Narciso. Ademais a essa obra, alguns historiadores também se arriscam em interpretar a lenda.
Em uma dessas interpretações, os historiadores contam que Narciso era bastante solitário, já que não se aproximava de ninguém. Por isso, ele possuía tudo (beleza) e ao mesmo tempo não tinha nada.
Ao fazer uma análise do mito de Narciso com a realidade, a história retrata o eterno dilema da autossedução que nunca se realiza, uma amor avassalador por si próprio, mas que é intocável.
Eles explicam que o grande erro de Narciso foi não saber escolher o seu próprio amor. Mesmo tendo a admiração de várias ninfas e deusas, ele preferiu permanecer sozinho. O desejo de Narciso era manter-se eterno, entretanto o fascínio pela sua beleza levou-o à morte.
Narcisismo
O narcisismo é um termo da psicanálise usado para explicar um transtorno obsessivo pela própria imagem. O conceito foi desenvolvido por Sigmund Freud e o nome retirado do mito de Narciso.
Para os gregos, Narciso era um símbolo máximo de vaidade, mas para a psicanálise o personagem foi usado para dar nome a um transtorno muito comum na sociedade atualmente. Pois, a partir do momento em que essa admiração ultrapassa os limites ela já é considerada uma patologia.
Os estudos realizados por Freud explicam que a patologia pode ser dividida em duas etapas. A primeira, é o desenvolvimento do instinto sexual pelo próprio corpo, chamada de fase auto erótica, e a segunda etapa é chamada de narcisismo secundário, que é quando a pessoa fortalece seu ego e desejo.
O narcisista sente a necessidade constante de ser admirado pelo próximo. Para ele, a sua imagem não pode passar despercebida pelo outro. No geral, são pessoas egocêntricas e solitárias.
Curiosidades
O mito de Narciso serviu de inspiração para um música de Caetano Veloso. No letra, o compositor usa o espirito do mito para explicar o que lhe ocorreu quando esteve pela primeira vez diante de São Paulo.
[...]
Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto o mau gosto
É que Narciso acha feio
o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda
Não é mesmo velho
Nada do que não era antes
quando não somos mutantes
[...]"