O poder de uma nação na mão de poucos
A oligarquia é fundamentalmente o sistema de governo onde um pequeno grupo de pessoas governa em benefício próprio.
Geralmente, esse grupo de pessoas ascende ao poder por pertencer a uma família importante, um partido político influente ou ainda um grupo economicamente forte.
Um regime oligárquico é governado pensando nos benefícios do grupo que está no poder. Todas as medidas são pensadas apenas para favorecer esse grupo e o bem-estar da população em geral não é relevante.
Oligarquia vem do grego "oligarkhía" e significa “governo de poucos”. Aristóteles definiu a oligarquia como a corrupção das ideias da aristocracia, que é definida com o governo dos melhores.
Como surge a oligarquia e suas principais características
Como a oligarquia é mantida por um grupo privilegiado que governa em benefício próprio, a ideia de democracia não se encaixa muito nesse modelo. As necessidades e direitos dos cidadãos em geral não são respeitadas e nem levadas em consideração.
A definição de oligarquia as vezes é confundida com o conceito de plutocracia, porque ambos os modelos apresentam a economia como estrutura. Porém, não são a mesma coisa.
Na plutocracia o governo é liderado por ricos e pertencentes à elite e, apesar de apresentar o braço econômico forte, nem todo grupo que lidera uma oligarquia é necessariamente um grupo da elite.
A ascensão de uma oligarquia pode estar ligada a um grupo que se une por ter interesses políticos semelhantes. Um governo oligárquico controla não apenas o poder econômico de uma nação, como também expressões políticas e culturais.
A monarquia pode gerar um governo oligárquico na medida em que há uma crescente concentração de poder econômico nas mãos de apenas um grupo específico.
Durante a história do mundo, pode-se notar alguns períodos de oligarquia que surgiram do excesso de alianças políticas e da ascendência de uma só família. Isso gerou também governos monárquicos.
É possível notar a presença da oligarquia presente também na democracia quando um grupo político específico promove e influencia ações que possam favorecer os próprios interesses. Governos oligárquicos também podem gerar governos baseados na tirania, por causa do excesso de poder concentrado.
Oligarquia no Brasil
Durante os anos de 1894 e 1930, o Brasil viveu sobre um governo oligárquico. Esse período ficou conhecido com República Oligárquica e trouxe uma séria de acontecimentos importantes para a formação do país.
A oligarquia brasileira aconteceu com o final da República da Espada, época em que o país era governado pelo exército, e teve fim com o início da Era Vargas, quando após a Revolução de 1930, Getúlio Vargas aplicou um golpe de estado e passou a governar a nação.
Durante a oligarquia, o poder estava nas mãos dos grandes proprietários das terras produtivas de São Paulo e Minas Gerais. Os dois estados eram o centro de valorização e desenvolvimento na época.
São Paulo era o estado com maior produção de café do país, enquanto Minas Gerias era abrigava uma grande produção de leite. Os donos dessas terras de uniram politicamente e se fortaleceram. Unidos, intercalavam o poder entre paulistas e mineiros e assim, sempre estavam no controle.
A “política do café com leite” surge nesse período e era basicamente esse acordo feito entre os grandes proprietários para se manterem no poder. O “voto de cabresto” foi outra medida política bastante conhecida da época. Esse modelo de voto era utilizado para garantir a permanência de um determinado grupo no poder.
Os coronéis compravam votos e fraudavam documentos, para manter o poder nas mãos dos grandes proprietários. Para isso, eles agiam com violência e com opressão contra a população.
A “Política dos Governadores” também marcou o período na República Oligárquica no Brasil. Essa política era baseada em acordos políticos feitos entre governadores e presidentes que se uniam e se apoiavam para se manterem no poder.
Importante manifestações e revoltas aconteceram nesse período, em razão de políticas tão excludentes e por muitas vezes, injustas. Alguns movimentos sociais se formaram e se uniram muitas vezes para lutar contra essa forma de governo.
Confira abaixo uma lista com algumas das revoltas mais conhecidas e mais importantes para a história do Brasil:
• Guerra do Contestado
• Revolta do Cabresto
• Coluna Preste
• Cangaço

Foto de um bonde virado durante a Revolta da Vacina (Foto: Wikipedia)
Formas de governo
As formas de governo são o conjunto de instituições políticas que organizam um estado. Essa organização se objetiva na regulação do processo de disputa de um poder político e como ele é exercido.
As relações entre aqueles indivíduos que detém o poder de governar com a outra parcela dos indivíduos que compõe a sociedade também são organizadas pelas diferentes formas de governo.
O filósofo Aristóteles é considerado um dos principais fundadores da ciência política. Na sua obra “Política” ele separa as formas de governo em dois pilares distintos, o da ordem moral e o da concentração do poder.
O pilar de ordem moral classifica as formas de governo em puras e impuras. Essa classificação depende diretamente da qualidade do líder que está no governo. O segundo pilar classifica o governo conforme a concentração do poder. Nessa classificação o poder pode estar na mão de um indivíduo específico, nas mãos de alguns homens específicos ou pode estar na mão do povo.
Aristóteles ainda une esses dois pilares e apresenta três tipos de regime político. São eles: a monarquia, a oligarquia e a democracia.
A monarquia é o poder nas mãos de um só individuo, a oligarquia é o poder nas mãos de um pequeno grupo de indivíduos específicos e a democracia é o poder nãos mãos de todos os indivíduos.
Na classificação de Aristóteles há também as seis formas de governo. São elas: a realeza, a aristocracia, o regime constitucional, a tirania, a oligarquia e a demagogia.
A realeza é entendida como o governo e um só indivíduo para todos os outros; a aristocracia é entendida com o governo de alguns indivíduos para todos; e o regime constitucional que é entendido como o governo de todos para todos.
Os outros três (a tirania, a oligarquia e a demagogia) são classificadas por Aristóteles como degenerações dos anteriores.