Ataque militar secreto da Marinha Imperial Japonesa à base naval americana
Pearl Harbor foi uma base naval americana localizada na ilha de Oahu, no Havaí, alvo de uma operação militar do Japão no dia 07 de dezembro de 1941. Foi o ápice de uma relação cheias de atritos entre dois países imperialistas – Japão e Estados Unidos.
O império nipônico, depois da Revolução de Meijii, em 1850, e da reformulação do ensino, se tornou uma nação asiática industrializada e modelo na área da política, educação e economia moderna. O Japão tinha um ambicioso projeto de expansão territorial sobre a região do Pacífico.
Além do mais, os japoneses já estabeleciam domínio econômico e político nos territórios do continente asiático, como a China, a Coreia e a Ilha de Formosa (atual Taiwan).

A política imperialista do Japão motivou o Pearl Harbor. (Wikipédia)
Esse domínio sobre outros territórios se deu a partir da política do imperialismo adotada pelo Japão. Consequentemente, o objetivo era ampliar mercados consumidores para fortalecer a produção e buscar novas fontes de matérias-primas. A operação militar contra Pearl Harbor seria uma maneira de destruir de vez o maior inimigo dos planos imperialistas japonês.
Ambições imperialistas do Japão e os embargos dos EUA
Os atritos do Japão com os Estados Unidos remonta ao ano de 1920. Isso porque os nipônicos se fortaleceram ainda mais depois de importantes conquistas territoriais que lhes renderam a proeza de vencer uma guerra contra uma potência europeia – a Rússia. Então, as ambições imperialistas do Japão levou o país a travar duas guerras no final do século XIX e início do século XX.
A primeira foi a Guerra Sino-Japonesa, entre os anos 1894 e 1895, que logrou a conquista do território da Península da Coreia. E a segunda foi em 1904 contra os russos na Guerra Russo-Japonesa, que os japoneses lograram êxitos na conquista das regiões da Manchúria, Correia e do porto de Port Arthur, localizado na península de Liaodong na China.
Depois dessas guerras, formou-se no Japão um grupo político de extrema-direita que combateu fortemente por duas décadas (1910 a 1930) os países vizinhos e os imperialistas europeus, entre eles os Estados Unidos. Dessa maneira, os americanos (vendo todo crescimento econômico e militar dos nipônicos) começou a adotar uma política de embargos e relações diplomáticas conflituosas.
Em 1924, os Estados Unidos limitaram propositadamente a entrada de japoneses no país. Os americanos ainda embargaram a importação de produtos necessários para o mercado japonês, como o aço e o petróleo, depois que as tropas japonesas impediram o recebimento de suprimentos e armas doados às tropas chinesas de Chiang Kai-shek, na invasão do território da Indochina, em 1940.
O petróleo era um produto de muita importância para o Japão, porque era o combustível que abastecia os navios japoneses. Segundo o historiador Antony Beevor, depois dos embargos americanos, as reservas petrolíferas ficaram tão insuficientes que a capacidade supriria apenas no período de um ano.
Diante de tal situação, os japoneses reorientaram seu controle para as fontes de petróleo que existiam nas Índias Orientais Holandesas. Em vista disso, muitos integrantes da cúpula militar japonesa defendiam o enfrentamento militar contra os Estados Unidos e sua retirada do seu domínio imperialista do continente asiático.
Então, ficou cada vez mais iminente uma guerra entre os dois países e, nesse caso, uma guerra secreta à Pearl Harbor.
Pearl Harbor: "Dia da infâmia"
Era uma manhã de domingo, por volta das 7h53, horário local, no arquipélago havaiano, quando começaram os combates à base naval de Pearl Harbor. A operação militar japonesa foi liderada pelo Almirante da Marinha Chuichu Nagumo, que executou o combate em duas vagas com 353 aviões.
O planejamento militar do Japão foi idealizado pelo almirante Isoroku Yamamoto e alguns oficiais da alta patente da Marinha Imperial Japonesa. O objetivo do plano secreto era colocar “às cinzas” toda a indústria naval e bélica americana e não foram medidos esforços para isso.
Na primeira vaga, o grupo aéreo atacou com 186 torpedeiros-bombardeiros, os navios que estavam no porto americano. O grupo naval atacou com bombardeiros-de-mergulho várias bases aéreas, com a maior de Pearl Harbor, Hickam, e a principal base de caças, Wheeler.

A estratégia militar contra Pearl Harbor destruiu muitos navios americanos. (Foto: Pixabay)
Na segunda vaga, a operação japonesa utilizou 168 aviões. Esses aviões de guerra conseguiram atingir duas bases navais localizadas no meio Pearl Harbor, o campo Bellows e a ilha Ford.
A Marinha americana teve inúmeras perdas humanas e materiais. Entre elas, o ataque que afundou o encouraçado USS Arizona com 1106 marinheiros. Além disso, o governo americano contabilizou 188 aviões destruídos, 159 danificados, 2.403 marinheiros mortos em várias áreas do combate e 1.178 ficaram gravemente feridos.
Mesmo com todos os estragos causados ao inimigo imperialista, a poderosa indústria naval da Marinha americana conseguiu se reerguer. E a vitória do Japão durou por pouco tempo.
Em discurso no dia 09 de dezembro o então presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, classificou o ataque de Pearl Harbor como do “Dia da infâmia”, e a população americana ficou contaminada pelo desejo de vingança.
Após os ataques, o governo dos Estados Unidos assinou declaração de guerra contra o Japão e entrou oficialmente na Segunda Guerra Mundial, formando-se então o Pacto Tripartite.
Retaliações pós Pearl Harbor: as bombas
O desfecho da briga imperialista entre Estados unidos e Japão foi trágico. A respeito disso, a historiadora Maria Aparecida afirma:
"Foi um recado para o mundo. Muito antes das bombas, já estava claro que os japoneses perderiam a guerra."
Embora o Japão fosse considerada uma potência econômica asiática, possuía apenas 10% das capacidades de guerra e industrial americana. E os japoneses assumiram os riscos em enfrentar tamanho poder bélico.
As retaliações pós-Pearl Harbor ocorreram quatro anos depois. Nos dias 06 e 09 de agosto de 1945, quando os americanos lançaram duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.
A primeira bomba foi batizada de Little Boy e possuía a substância química urânio 235. E a segunda foi denominada de Fat Man e possuía a substância química plutônio 239. Ambas levaram milhares de pessoas à morte, com graves contaminações e sequelas, e ainda provocaram a contaminação das águas e do solo.