Navegação dos portugueses na costa africana para chegar às Índias
O Périplo Africano foram diversas viagens feitas pelos portugueses nos séculos XV e XVI na tentativa de descobrir uma alternativa para chegar às Índias, na época das Grandes Navegações. Essas viagens foram realizadas no contexto da Expansão Marítima Europeia. O desafio seria contornar o continente africano em sua região Sul, para então seguir até o Oriente. Durante esse período passaram pela costa africana, onde constituíam feitorias com fins comerciais.

O navegador e explorador português Vasco de Gama tornou-se o primeiro europeu a atingir às Índias
atravessando os oceanos Atlântico e Índico. (Foto: Wikipédia)
Jornada do Périplo
Atividade Comercial
Comércio e escravidão
Naquele momento, a coroa portuguesa estava em busca de ouro e mercado de especiarias (tempero), além de escravos. Se fosse preciso, alguns portugueses entravam no território escolhido, procurava os centros comerciais, instituíam as feitorias, porém em nenhum momento instauraram um controle político-militar.
As feitorias eram locais fortificado, normalmente próximo a um porto. Funcionavam como depósito comercial nas colônias das potências europeias, na época da expansão marítima. Essa atividade foi muito empregada durante a Idade Média, tendo como grande influente as Grandes Navegações.
As operações comerciais durante o Périplo Africano eram realizadas na base do escambo (troca de mercadorias ou serviço sem fazer o uso da moeda). A permuta era feita da seguinte forma: os portugueses transportavam cereais, vinho, ferro, tecidos e até mesmo cavalos que eram trocados por marfim, cera, âmbar, almíscar, couro, goma-arábica, cobre, ouro, pimenta malagueta e escravos. Contudo, o cobre e o ouro foram removidos da África, assim os portugueses precisam comprar as tintas nas Índias, em especial o anil, e todo o conjunto de especiarias orientais: pimenta, gengibre, canela, entre outros.
Quanto mais intensificava o comércio entre África e Portugal, mais ampliava o comércio de escravos, já que os portugueses necessitavam de mão de obra para a manufatura de cereais e açúcar nas ilhas que tinham conquistado (Madeira, Açores, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe) e logo depois o Brasil.
Com isso, as feitorias de São Jorge da Mina e de Arguim foram os primeiros núcleos de acordo de Portugal. Vale lembrar que a escravidão já era realizada há muito tempo entre os povos africanos e os árabes já mercantilizavam escravos negros em todo Mar Mediterrâneo desde o século VIII. Porém, com a inserção do cavalo e do ferro pelos portugueses, a comercialização escravista cresceu bastante na África.
Durante o Périplo Africano, povos guerreiros africanos, como os jagas, começaram a prender componentes de outras populações para ganhar as mercadorias portuguesas. A medida em que esses povos conseguiam mais cavalos e ferros, mais tinham potência para conquistar – e, consequentemente, mais escravos cediam aos portugueses.
Contudo, não durou muito tempo para que a comercialização de escravos transfigurasse no mais significativo negócio de Portugal. A coroa portuguesa, em 1486, criou a Casa dos Escravos, ligada à Casa da Mina, assegurando para si toda a autoridade do comércio imperial.
Já no século XVI, com a evolução da necessidade de escravos para a ocupação da América, os portugueses estabeleceram o porto de Luanda (Angola), que foi transformado no maior núcleo de comércio de escravos da África. Considera-se que 1/3 (um terço) dos escravos vieram ao Brasil saíram desse porto.
Vasco da Gama
Logo após se abastecerem em Cabo Verde, viajaram em direção sudoeste, permitindo que os ventos transportassem as embarcações sentido ao oceano (o que os navegantes denominam de barlavento). Por conseguinte, rodearam as mais dificultosas correntes marítimas do sul da África.
Foram mais de três meses sem ver a terra. Por conseguinte voltaram à direção da costa africana. O navegador português conseguiu cruzar o Cabo da Boa Esperança, em novembro do mesmo ano, sendo que em março de 1498 a esquadra atracou em Moçambique. Já em abril chegaram à Melinde (Quênia) e realizaram as convenções com o superior local, e assim conseguiram um condutor que guiou toda a tropa até a Índia.
Dessa forma, Vasco da Gama chegou à Índias, contornando o Cabo da Boa Esperança (rota do Cabo) e assim chegou a Calicute, por via marítima, em 20 de maio de 1498. Estava aberto o caminho para a exploração de especiarias e a busca de novos fiéis para o cristianismo.
Independente da ligação entre indianos e portugueses não ser cordial, de acordo com os historiadores, essa viagem preliminar, realizada durante o Périplo Africano, rendeu a Portugal cerca de 6.000%.

Vasco da Gama chegou às Índias e estabeleceu rotas de especiarias. (Foto: Wikipédia)