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Périplo Africano

Postado por Elaine Mendes em 01/04/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Navegação dos portugueses na costa africana para chegar às Índias


O Périplo Africano foram diversas viagens feitas pelos portugueses nos séculos XV e XVI na tentativa de descobrir uma alternativa para chegar às Índias, na época das Grandes Navegações. Essas viagens foram realizadas no contexto da Expansão Marítima Europeia. O desafio seria contornar o continente africano em sua região Sul, para então seguir até o Oriente. Durante esse período passaram pela costa africana, onde constituíam feitorias com fins comerciais.


Destacaram-se no Périplo Africano vários navegadores de Portugal, dentre eles: Diogo Cão (1440-1486) e Bartolomeu Dias (1450-1500). Ressalte-se também Vasco da Gama (1469-1524) e Pero da Covilhã (1450-1530). E foi durante as tentativas de se chegar às Índias que a frota de Pedro Álvares Cabral aportou no Brasil (1500). Essas viagens marcaram a história da África, pois o continente estava no contexto do mercantilismo. Além disso, estava acontecendo a formação das monarquias nacionais e da constituição de um sistema mundial capitalista. Com isso, os Estados africanos viviam seu próprio desenvolvimento.

A época das grandes navegações foi marcada pelo apoio à nobreza, assim como o patrocínio da burguesia. Era preciso se lançar ao mar. Com a tomada de Constantinopla (1453) pelo turcos Otomanos, o caminho da Europa para as Índias foi cortado.


O navegador e explorador português Vasco de Gama tornou-se o primeiro europeu a atingir às Índias
atravessando os oceanos Atlântico e Índico. (Foto: Wikipédia)

Jornada do Périplo 


A difícil jornada pela costa africana foi feita aos poucos, visto que os portugueses não conheciam a região. Quando se estabeleciam em um local, de forma amistosa levantavam um forte administrativo chamado feitoria.

E assim foram se estabelecendo aos poucos e em várias localidades, onde deixavam um funcionário para fins comerciais. Mas ainda faltava vencer o Cabo do Bojador, que ficava próximo da costa do Saara Ocidental. A frota portuguesa de Gil Eanes conseguiu atravessá-lo em 1434. E entre 1497 e 1498, Vasco da Gama conseguiu cruzar o Cabo das Tormentas e finalmente chegou às Índias, concretizando o Périplo Africano.

Atividade Comercial


Eram intensas as trocas de mercadorias entre portugueses e africanos, principalmente com especiarias e metais. No entanto, começou a surgir demanda por mão de obra escrava e o interesse entre eles mudou radicalmente. 

Construíram então o Forte de Arguim para dar suporte militar, bem como firmaram acordo com algumas tribos. Além disso, começaram a capturar os negros, que eram embarcados em navios negreiros. Enquanto isso a expansão continuava: Cabo Verde (1445) e Mina (1475).

Comércio e escravidão 


Durante o século XVI os portugueses preservaram uma comercialização com a maioria das regiões mundo, porém o investimento para chegar em uma colonização efetiva não foi em todas. Dessa forma, a presença portuguesa aconteceu apenas nas regiões litorâneas do Império, exceto no Brasil e nas ilhas africanas.

Naquele momento, a coroa portuguesa estava em busca de ouro e mercado de especiarias (tempero), além de escravos. Se fosse preciso, alguns portugueses entravam no território escolhido, procurava os centros comerciais, instituíam as feitorias, porém em nenhum momento instauraram um controle político-militar.

As feitorias eram locais fortificado, normalmente próximo a um porto. Funcionavam como depósito comercial nas colônias das potências europeias, na época da expansão marítima. Essa atividade foi muito empregada durante a Idade Média, tendo como grande influente as Grandes Navegações.

As operações comerciais durante o Périplo Africano eram realizadas na base do escambo (troca de mercadorias ou serviço sem fazer o uso da moeda). A permuta era feita da seguinte forma: os portugueses transportavam cereais, vinho, ferro, tecidos e até mesmo cavalos que eram trocados por marfim, cera, âmbar, almíscar, couro, goma-arábica, cobre, ouro, pimenta malagueta e escravos. Contudo, o cobre e o ouro foram removidos da África, assim os portugueses precisam comprar as tintas nas Índias, em especial o anil, e todo o conjunto de especiarias orientais: pimenta, gengibre, canela, entre outros.

Quanto mais intensificava o comércio entre África e Portugal, mais ampliava o comércio de escravos, já que os portugueses necessitavam de mão de obra para a manufatura de cereais e açúcar nas ilhas que tinham conquistado (Madeira, Açores, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe) e logo depois o Brasil.

Com isso, as feitorias de São Jorge da Mina e de Arguim foram os primeiros núcleos de acordo de Portugal. Vale lembrar que a escravidão já era realizada há muito tempo entre os povos africanos e os árabes já mercantilizavam escravos negros em todo Mar Mediterrâneo desde o século VIII. Porém, com a inserção do cavalo e do ferro pelos portugueses, a comercialização escravista cresceu bastante na África.

Durante o Périplo Africano, povos guerreiros africanos, como os jagas, começaram a prender componentes de outras populações para ganhar as mercadorias portuguesas. A medida em que esses povos conseguiam mais cavalos e ferros, mais tinham potência para conquistar – e, consequentemente, mais escravos cediam aos portugueses.

Contudo, não durou muito tempo para que a comercialização de escravos transfigurasse no mais significativo negócio de Portugal. A coroa portuguesa, em 1486, criou a Casa dos Escravos, ligada à Casa da Mina, assegurando para si toda a autoridade do comércio imperial.

Já no século XVI, com a evolução da necessidade de escravos para a ocupação da América, os portugueses estabeleceram o porto de Luanda (Angola), que foi transformado no maior núcleo de comércio de escravos da África. Considera-se que 1/3 (um terço) dos escravos vieram ao Brasil saíram desse porto. 

Vasco da Gama


Em 8 de julho de 1497, Vasco da Gama partiu de Lisboa com quatro embarcações e 17 tripulantes com o objetivo de refazer o caminho de Bartolomeu Dias, por ordem do rei D. Manuel I.

Logo após se abastecerem em Cabo Verde, viajaram em direção sudoeste, permitindo que os ventos transportassem as embarcações sentido ao oceano (o que os navegantes denominam de barlavento). Por conseguinte, rodearam as mais dificultosas correntes marítimas do sul da África.

Foram mais de três meses sem ver a terra. Por conseguinte voltaram à direção da costa africana. O navegador português conseguiu cruzar o Cabo da Boa Esperança, em novembro do mesmo ano, sendo que em março de 1498 a esquadra atracou em Moçambique. Já em abril chegaram à Melinde (Quênia) e realizaram as convenções com o superior local, e assim conseguiram um condutor que guiou toda a tropa até a Índia.

Dessa forma, Vasco da Gama chegou à Índias, contornando o Cabo da Boa Esperança (rota do Cabo) e assim chegou a Calicute, por via marítima, em 20 de maio de 1498. Estava aberto o caminho para a exploração de especiarias e a busca de novos fiéis para o cristianismo

Independente da ligação entre indianos e portugueses não ser cordial, de acordo com os historiadores, essa viagem preliminar, realizada durante o Périplo Africano, rendeu a Portugal cerca de 6.000%.


Vasco da Gama chegou às Índias e estabeleceu rotas de especiarias. (Foto: Wikipédia)

Vasco da Gama voltou duas vezes às Índias, com a finalidade de dominar a região. Utilizando de grande poder militar e colocando os hindus (um dos povos mais importantes da Ásia) contra muçulmanos, os portugueses estabeleceram feitorias em Cochim, Goa, Diu e Cananor e em outras áreas de comércio da Índia. 

Tempo depois, essas praças de comercialização da Índia passou a ser o Estado Português da Índia. Além do mais, fundaram fortes em todo litoral da rota do Cabo para garantir o fornecimento aos navios que passavam por aquela região.

Dois anos depois, Pedro Álvares Cabral seguiu viagem como objetivo de fazer feitorias assim como Vaco da Gama, porém era necessário desviar da rota. E, foi assim que em 1500 Cabral chegou na costa brasileira.

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