Povos que vivem dentro das florestas tropicais da África Central e na Ásia
Os Pigmeus são grupos étnicos também chamados de “povos da floresta” ou “filhos da selva”, isso porque esses povos têm forte conexão e intimidade com a natureza, bem como os frutos que ela dá.
Atualmente, é possível encontrar grupos de pigmeus entre as florestas tropicais da África e a Ásia, embora alguns estudiosos afirmem que também é possível encontrá-los na Bolívia, na Uganda, na República Democrática do Congo, na Ruanda, na Oceania e até mesmo no Brasil.
A comunidade de pigmeus é classificada como nômade, ou seja, não tem habitação fixa e vivem mudando de lugar com frequência. Eles são conhecidos também por ter uma estatura muito baixa. Geralmente, um homem adulto pigmeu só cresce até 150 cm.
Os grupos de pigmeus mais conhecidos são os Baka, Mbuti, Twa e Aka, apesar de existirem muitos outros. Esses grupos partilham de muitas características, mas cada um deles tem a sua própria forma de viver e de se relacionar, bem como suas próprias tradições, crenças e dialetos.
A principal forma de vida dos pigmeus é a pesca. Eles também caçam animais e colhem frutos e raízes para se alimentar. Tudo usado por esses povos vem da natureza, por isso eles enxergam a natureza como uma dádiva, assim como tudo que ela os oferece. Eles respeitam bastante a floresta e não se apropriam de nada sem necessidade.
Muitos mitos existem acerca desse povo e da forma como eles vivem. Desde que foram descobertos, enfrentam muito preconceito e racismo.
Durante um tempo o termo “pigmeu” não era usado, pois foi considerado negativo, já que as pessoas usavam para reafirmar o preconceito. Só depois que alguns grupos de indígenas e de ativistas deram um significado de identidade à palavra que ela passou a ser usada normalmente, até porque não tem outro termo para substituir.
Além dos preconceitos, os pigmeus também sofrem problemas como escravidão, racismo, ameaças de morte constantes, genocídios, exploração sexual das mulheres e meninas da tribo e exploração do trabalho.

Na foto é possível constatar como os pigmeus são pequenos, mesmo os adultos. (Foto: Wikipedia)
Ritual da caça
Toda relação entre os pigmeus e a natureza é especial. O ritual da caça, mais ainda. Eles seguem de forma muito bem organizada a forma como buscam os animais para se alimentar. Todos da tribo sabem seus devidos papéis e tudo acontece na mesma sintonia, sempre com muito respeito com a natureza.
O respeito com o ritual começa quando eles se abstêm de qualquer contato sexual no dia anterior ao dia da caça, assim como no dia da caça. Eles entendem que este é um momento sagrado, pois é quando a natureza e as forças divinas lhes ofertam o que eles irão consumir.
No dia da caça, os pigmeus iniciam o dia cantando e batucando para atrair sorte para a colheita. Antes de entrarem na floresta, eles participam de cerimônia de purificação e agradecimento que consiste em queimar alguns ramos de um determinado tipo de folha para fazer uma oração, desejando primeiramente permissão para entrar na mata e pedindo proteção, além de almejar uma caça produtiva.
Ainda com o fogo acesso, eles usam os ramos de folha para benzer os corpos. Para finalizar o ritual, depois que o fogo é apagado, eles usam as cinzas que sobraram para fazer pinturas nos seus rostos e corpos.
Para a caça em si, os pigmeus usam redes e lanças que eles mesmo produzem. Depois do ritual inicial, eles entram na mata e procuram por um local onde tenha o maior número de grupo de animais.
Assim, uma parte dos homens seguram uma enorme rede, enquanto outros homens fazem barulhos com a boca com a intenção de dispersar os animais, até que eles fiquem perdidos e caiam na armadilha. As lanças são usadas para matar o animal capturado.
Os pigmeus capturam macacos, porcos espinhos, antílopes, entre outros animais. Eles se alimentam de qualquer tipo.
Ao chegarem nas aldeias, os homens estão muito felizes e gratos, e são recebidos com grande festa, cantoria e alegria, já que todos entendem que tudo que foi caçado é uma dádiva da natureza. A festa continua mesmo depois de consumirem o seu alimento.
As mulheres não participam do momento da caça porque a atividade é considerada muito arriscada e os pigmeus respeitam muito a figura feminina. Ainda assim, as mulheres podem colher as raízes e alguns tipos de insetos (que elas usam como temperos) que existem na floresta.
Adoração à vida e à floresta
A intimidade com a natureza é uma das características que mais definem os pigmeus. Todos eles respeitam muito a floresta e tudo que existe nela. Apesar de caçarem para sobreviver, eles não retiram nada mais do que necessitam e não aceitam desperdício.
Os pigmeus entendem que a natureza é um grande presente do Ser Superior e que por isso devem proteger e cuidar desse bem para que não sejam castigados. Eles vivem em completa harmonia com a floresta e tudo que usam na vida é tirada de lá, como a alimentação, o abrigo e as ferramentas de sobrevivência.
Ninguém é autorizado a caçar animais para guardar e consumir depois. Os pigmeus acreditam que não precisam acumular os bens e guardá-los, pois sempre que precisarem vão encontrar sustento na natureza.
Dança e outros costumes e crenças
Além da caça, os pigmeus vivem outros costumes e tradições de maneira muito devota e firme. A dança é uma das atividades que eles mais praticam, pois acreditam que é uma forma de agradecer não pela vida, mas por tudo que conseguem fazer.
No momento da dança, todos os membros do grupo precisam participar, sem nenhuma exceção, já que é um momento de agradecimento e também de união entre todos. À noite, os pigmeus também têm o costume de se juntarem em uma roda para contar histórias e lendas sobre seus antepassados.
Os pigmeus acreditam que existe um Ser Supremo que os protegem e os guardam. Eles entendem que esse Ser Supremo purifica a alma dos seres que amam e protegem a natureza, assim como amaldiçoa a alma daqueles que não seguem suas regras.