Plano econômico desenvolvido para controlar a inflação
O Plano Real foi criado pelo presidente Itamar Franco, em 1993, com o objetivo de acabar os altos índices de inflação, que neste ano havia alcançado o seu maior limite, acima de 2.000% em apenas 12 meses.
A inflação é um termo econômico usado para indicar o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços. Os números são representados através de porcentagens (%) que servem para indicar a variação dos preços de todos os produtos ofertados no mercado.
Nessa época, a inflação era algo que acabava com o poder de compra dos cidadãos, logo, a implantação do Plano Real foi uma estratégia para estabilizar a economia do Brasil e devolver o poder de compra as pessoas. Para entender de que forma o plano estabilizou a economia brasileira é preciso conhecer o contexto que levou à sua criação.
Contexto histórico
Antes do Plano Real ser instituído no Brasil, outras alternativas haviam sido criadas com a intenção de acabar com a alta inflação no país. A primeira alternativa foi desenvolvida pelo presidente José Sarney em 1986: o Plano Cruzado.
Nessa época, o país sofria uma grande recessão, pois as dívidas externas se tornaram ainda maiores depois da Ditadura Militar no Brasil. O governo gastava mais do que arrecadava, o dinheiro público era usado de forma errada em obras superfaturadas, sem contar que a desigualdade entre empresários e trabalhadores só aumentava.
Com o Plano Cruzado, Sarney congelou os salários e o preço dos produtos nos mercados, a fim de que a inflação fosse equilibrada. No entanto, essa alternativa não deu muito certo, pois a inflação continuava subindo.
Nesse período, para não perder lucros, muitas empresas começaram a produzir em menor quantidade, o que provocou a escassez de produtos nas prateleiras, já que muita gente comprava para estocar. Além disso, o plano fez a troca da moeda “cruzado” para “cruzeiro”.
Diante dessa situação, o presidente se viu obrigado a descongelar os preços, causando o fim do primeiro plano. Porém, em 1987, resolveu criar o Plano Bresser, em razão do nome do então ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira.
O objetivo era manter o congelamento dos salários, só que agora com as correções realizadas a cada 90 dias, acompanhada de uma redução salarial. No início o segundo plano deu certo, mas dois anos depois foi derrubado pela inflação.
A terceira tentativa de plano econômico foi proposta pelo ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega e foi denominado Plano Verão. Ele foi instituído em 1989 com a mesma proposta dos planos anteriores: controlar a inflação e congelar o preço dos produtos.
O plano deu errado pela terceira vez, mas colocou uma nova moeda em circulação: o cruzado novo, em substituição ao cruzeiro. Em 1990, Sarney deixou o poder e Fernando Collor de Mello foi quem assumiu a presidência. Collor tentou resolver a situação crítica do país elaborando um novo plano, ao qual denominou de “Plano Collor”.
O plano do presidente tinha os mesmos objetivos do outros: controlar a inflação. Mas, a diferença desse para os demais é que o presidente não congelou apenas os salários dos trabalhadores, bem como confiscou a poupança das pessoas, causando uma grande revolta na população brasileira.
O plano causou a substituição da moeda novamente, mas a inflação não conseguia se estabilizar, o que apenas aumentava a insatisfação do povo. A série desses fatos resultou no impeachment do presidente Collor em setembro de 1992.
No mesmo ano, o vice presidente Itamar Franco assumiu a presidência do país. O atual gestor percebeu a necessidade de um novo plano econômico para o Brasil e assim o Plano Real foi criado. A intenção era controlar a inflação, que no ano seguinte (1994) alcançou o valor de 6.800 %, o maior que o país já havia registrado.
Propostas do Plano Real
Itamar Franco convocou Fernando Henrique Cardoso para ser o novo ministro da Fazenda e ajudá-lo a instituir o Plano Real. O plano estava sendo elaborado desde 1993, mas foi instituído somente em 1994, permanecendo até 2002.
Entre as propostas, a pretensão do governo era promover o equilíbrio das contas públicas. Para isso, adotou algumas medidas fiscais, como o incentivo a arrecadação de impostos e a diminuição de gastos públicos. O ajuste fiscal ainda causou aumento da taxa de juros e o corte de repasses inconstitucionais aos estados e municípios.
Outra medida adotada pelo Plano Real foi a implantação da Unidade Real de Valor (URV), que funcionava como uma espécie de moeda virtual associada à cotação do dólar comercial do dia anterior.
A compra dos produtos acontecia da seguinte forma: os preços eram marcados na prateleira com um valor URV, mas quando chegava no caixa o valor era convertido para a moeda circulante na época: o cruzeiro real.
A paridade entre o cruzeiro real e a URV era atualizada diariamente por meio de uma nota emitida pelo Banco Central (BACEN), que depois era encaminhada para mídia, até ser divulgada para o povo.
Para ilustrar melhor como a venda dos produtos acontecia, imagine que no mercado o preço de um quilo de arroz estivesse por 1 URV e quando a pessoa chegasse ao caixa ela tivesse que pagar o equivalente a CR$ 895,03. Assim, os valores variavam conforme a comparação de moedas existente no dia.
Além dessas mudanças, O Plano Real trocou a moeda mais uma vez. De cruzeiro real foi para real, moeda vigente até os dias atuais. Diferente das outras, a substituição pelo real foi avisada previamente para que a população pudesse fazer a troca antes da oficialização, que ocorreu em julho de 1994.

Cédulas de real. (Foto: Pixabay)
Resultados
Entre tantas mudanças, o Plano Real finalmente conseguiu cumprir o seu principal objetivo: combater a inflação e estabilizar a economia do Brasil. Em 1999, o Banco Central elaborou metas para evitar que a inflação continuasse a subir e ultrapassasse o teto. Depois disso, a inflação tem ficado em torno de 5% ao ano.