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Primavera Árabe

Postado por Joseane Rosa em 24/05/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Conjunto de revoltas que ocorrem no mundo árabe


A primavera árabe é um conjunto de revoltas, protestos e conflitos ocorridos no mundo árabe contra os governos. As manifestações estão relacionadas à busca de mudanças sociais, a falta de direitos e a crítica aos governos totalitários. A nomenclatura é uma metáfora relacionada ao desabrochar das flores e representa a tomada de consciência desses povos.  As revoltas começaram em 2010 na Tunísia e se alastraram por diversas regiões. Entre os países envolvidos estão: Líbia, Egito, Argélia, Iêmen, Marrocos, Bahrein, Síria, Jordânia e Omã. 


Contexto histórico


Depois da Guerra Fria (1991), o sistema político dos Estados Unidos torna-se o ponto de referência para vários países. No entanto, algumas localidades do mundo árabe não aderiram aos conceitos democráticos e mantiveram suas ditaduras familiares. Em 2010, os povos começam a se levantar contra os vários anos de totalitarismo e realizam manifestações para pedir novas políticas sociais. 

O ápice do movimento aconteceu na Tunísia em 2011 quando Mohamed Bouazizi, jovem de família humilde, ateou fogo no próprio corpo após ter os produtos da sua banca de frutas confiscados pelo governo. Isso desencadeou protestos em vários locais do país e os poderes do presidente Zine el-Abdine Ben Ali (que estava no comando da Tunísia desde os anos 1980) começaram a ser questionados. 

No mesmo ano, o governo de Ben Ali foi derrubado e a população conseguiu estabelecer a democracia no país. Depois desta primeira revolta, outras agitações aconteceram em diversas localidades do mundo árabe, entre as quais a Argélia, Jordânia, Egito e Iêmen. 



Zine El Abidine Ben Ali, presidente da Tunísia 
deposto durante primavera árabe. (wikimedia)

Desdobramentos da primavera árabe


A internet e as redes sociais desempenharam papel importante nas manifestações da primavera árabe. Foi por meio dela que as informações foram compartilhadas e a população de vários países começou a se organizar.  Assim, diversos países foram contagiados e protestos foram promovidos em outras localidades. Conheça agora a história da primavera árabe nos outros países.

Líbia

Conhecida como Guerra Civil ou Revolução Líbia, a primavera árabe no país tinha como objetivo derrubar o governo ditatorial de Muammar Kadhafi. Foram organizados diversos protestos e em outubro de 2011 o ditador foi morto depois de um confronto violento com rebeldes.

A revolta teve apoio dos Estados Unidos e intervenções da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas até hoje a Líbia não encontrou estabilidade e várias facções se enfrentam no país.

Egito

Denominada como Dias de Fúria, Revolução do Nilo ou Revolução de Lótus, as revoltas da primavera árabe no Egito iniciaram em 25 de janeiro de 2011. A população protestava e questionava a falta de democracia e de políticas públicas e sociais. Durante uma manifestação, o presidente mandou o exército atacar os manifestantes, contudo as tropas demonstraram apoio aos revoltados e participaram do movimento. 

As manifestações terminaram em 11 de fevereiro, após Hosni Mubarak anunciar que não iria se candidatar nas eleições seguintes e, assim, dissolver as estruturas do seu governo. Em junho do mesmo ano, Mohammed Morsi foi eleito novo presidente do país e foi deposto, entretanto, em 2013. 


Mapa dos países envolvidos na primavera árabe. (Foto: Wikipédia)

Síria

A Síria é um dos países em que a primavera árabe ainda acontece. A população tenta retirar o regime de Bashar al-Assad desde 2011, mas esquemas políticos globais têm dificultado a derrubada do governo. Enquanto a ONU (Organização das Nações Unidas) deseja encontrar uma solução para os conflitos, a Rússia – integrante da ONU – apoia o governo e constantemente promove veto contra os acordos que passam pelo Conselho de Segurança da entidade. 

Para completar o problema, o Estado Islâmico tenta derrubar o presidente sírio ao incentivar a Guerra da Síria com objetivo para instalar o califado no país. Desde o início da guerra, cerca 20 mil mortes já aconteceram na Síria. Indícios apontam que armas químicas e biológicas são utilizadas pelo governo contra os manifestantes.

Iêmen


Inicialmente a população protestava contra o desemprego, corrupção e mudanças na constituição, mas aos poucos a pauta foi mudando e passaram a exigir a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, que estava no cargo desde 1990. Em novembro de 2011, após meses de revoltas, Saleh assinou documento concordando em transferir os poderes da presidência para o vice-presidente, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, em troca de imunidade para ele e seus familiares. 

Manifestações da primavera árabe no Iemen. (Foto: Wikipedia)


Outros países que passaram pelos conflitos e revoltas da primavera árabe:

Argélia: os protestos acontecem até hoje na Argélia. A população tenta derrubar o presidente Abdelaziz Bouteflika que está há mais de 10 anos no poder;

Bahrein: a primavera árabe iniciou em 2011 e ainda acontecem no Bahrein. O movimento busca derrubar o rei Hamad bin Isa al-Khalifa que tem mais de 8 anos no poder;

Jordânia: um dos últimos países a sofrer influência da primavera árabe, a Jordânia começou a promover protestos em 2012 na tentativa de retirar o governo do Rei Abdullah II. Com receio da intensificação das manifestações o rei anunciou eleições, mas um boicote impediu o processo.

Marrocos: diferente dos outros países, a população do Marrocos não pedia o fim do reinado de Rei Mohammed VI, mas a diminuição dos seus poderes e eleições para Primeiro-ministro. Os poderes do rei, entretanto, continuam amplos.

Omã: o povo de Omã não exige o fim do regime monárquico, mas buscam melhores condições de vida e reforma política. O sultão Qaboos bin Said, que governa o país há mais de 40 anos, conseguiu controlar os revoltosos através de concessões e inclusive ofereceu poderes legislativos ao Conselho de Omã. No entanto, até hoje somente Said e seu gabinete é que têm o poder de legislar.


Inverno Árabe

O inverno árabe é um termo usado para descrever a onde de violência desencadeada em vários países após as manifestações da primavera árabe. Estima-se que desde seu começo, em 2014, o inverno árabe já tenha causado cerca de quatro milhões de mortes.

O inverno árabe resultou ainda em milhares de refugiados, declínios econômicos, guerras civis, sendo a guerra da síria uma das piores, e outros conflitos.


Principais causas 


A derrubada dos governos ditatoriais foi o principal objetivo das manifestações em vários países. No entanto, a população também exigia a mudança na política econômica e social.

Entre as causas para o início da primavera árabe estão:

• Desemprego em alta em vários países;

• Dificuldades econômicas;

• Pouca liberdade de expressão e política;

• Políticas sociais ultrapassadas;

• Más condições de vida;

• Corrupção e autoritarismo. 

Povos árabes 


Os povos árabes é compõem um grupo étnico de origem semita que vivia na península arábica. As condições climáticas da região fizeram com os habitantes se tornassem nômades e, assim, se espalharam pelo Oriente Médio e parte da África

Apesar de o Islã ter nascido na região, a civilização árabe não pode ser confundida com a religião islâmica, pois existe um grande seguimento desse povo que é adepto do cristianismo

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