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Primeira Revolução Industrial

Postado por Maria Mendes em 26/12/2018 e atualizado pela última vez em 12/02/2021

Período de transição dos métodos manuais para a implantação das máquinas


A primeira revolução industrial surgiu na Europa entre o século XVII e XIX. Teve como ponto marcante a mudança no processo de produção. Antes, prevalecia o trabalho artesanal, desenvolvido por operários em suas casas e, após algum tempo, passou para o trabalho assalariado e com o uso das máquinas realizado nas fábricas. 

A intenção de inventar as máquinas, a princípio, foi para economizar o tempo do trabalho executado pelos artesãos, que perdiam muito tempo realizando todas as etapas de produção. As primeiras máquinas a vapor, construídas na Inglaterra durante o século XVIII, tinham como principal característica o aumento da produção de mercadorias. Consequentemente, a economia também crescia. 

Os empresários passaram a acompanhar de perto as produções em larga escala, viram as vantagens da implantação das máquinas e começaram a investir. Com os progressos, as fábricas começaram a se espalhar pela Inglaterra gerando muitas mudanças. 


Fábrica no interior do Brasil, no período da primeira revolução industrial, em 1880. (Foto: Wikipedia)

História da Primeira Revolução Industrial


Antes do surgimento das máquinas, a forma de produção da época era inteiramente manual, realizada pelos artesãos. Ainda sem a implantação das fábricas, o trabalhador realizava os serviços em casa com a ajuda da família. Nesse momento não existia divisão do trabalho, ou seja, ele participava de todo processo de produção, desde à matéria-prima até a venda. 

Na passagem entre o artesanato e a maquinofatura está a manufatura, que ainda contava com o artesão, mas nessa fase existia uma diferença: passa a existir a divisão do trabalho. 

Na manufatura, o artesão realiza uma parte do trabalho, mas não a etapa completa. O trabalhador passa a ser contratado por um comerciante e recebe uma remuneração por uma parte do produto que produziu. 

Com a chegada das máquinas a vapor, o trabalho não é mais realizado na casa dos artesãos, e sim nas fábricas, sob a supervisão dos burgueses, os quais passaram a receber todos os lucros. Com isto, o artesão, que não assume todas as etapas de produção, passa a vender sua mão de obra para sua sobrevivência. O trabalho dele se transforma, portanto, em uma mercadoria. 

Fatores da Primeira Revolução Industrial


A Inglaterra foi o país precursor da revolução industrial. O poder econômico da burguesia tinha muitos recursos para investir. Entre os principais fatores que pertenciam a eles e que colaboravam para atrair mais riquezas estavam: ter uma importante zona de livre comércio da Europa; a acumulação de capitais para o investimento na construção de máquinas, tornando a economia ainda mais consolidada; pagavam baixos salários aos artesãos que trabalhavam nas manufaturas; bem como a localização estratégica perto do mar, que facilitava a exploração dos mercados ultramarinos.

O Tratado de Methuen, também chamado de Tratado de Pães e Vinhos, feito entre Inglaterra e Portugal, foi outro fator que contribuiu para o acúmulo de capitais do país inglês. Esse pacto foi celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa, na qual conseguiu taxas distintas para os seus produtos no mercado de Portugal. Nesse tratado, os portugueses se comprometiam em comprar os tecidos ingleses e os ingleses em comprar o vinho português.


Política de Cercamentos de Terras


Outro fator importante que colaborava para o progresso da Inglaterra nesse período da primeira revolução industrial foi a grande quantidade de mão de obra e isso se deve à crise do artesanato. 

Além disso, a política de cercamentos exigia títulos de propriedades por parte dos pequenos proprietários, que tinham a agricultura como sua fonte de sustento. Por com disso, eles eram retirados de suas terras e os grandes proprietários, produtores de ovelha e algodão, tomavam posse das propriedades, o que alterou bastante as condições de vida do trabalhador na primeira revolução industrial. 

A política de cercamentos provocou o chamado o êxodo rural, ou seja, um grande número de pequenos proprietários saíam das zonas rurais para as zonas urbanas em busca de emprego nas cidades industriais, virando mão de obra barata. 

Revolução Gloriosa 


A Revolução Gloriosa, também conhecida como Segunda Revolução Inglesa, foi um movimento pacífico (não sangrento) que ocorreu na Inglaterra entre 1688 e 1689. Foi com esta revolução que houve a troca da monarquia absolutista pela monarquia parlamentar na Inglaterra. Esse movimento foi importante tanto sob o ponto de vista econômico quanto político. 

Dessa forma, o poder monárquico passava a ser controlado e fiscalizado pelo parlamento, que por sua vez tinha certa superioridade em relação à coroa inglesa. Este ocorrido foi bastante favorável para a formação de bases políticas e econômicas para a futura Revolução Industrial na Inglaterra.



Consequências da Primeira Revolução Industrial 


Eram precárias as condições de vida e trabalho dos artesãos no início da primeira revolução industrial: as fábricas tinham um ambiente insalubre; o tempo de trabalho chegava a 80 horas semanais; os salários eram bem abaixo do nível de subsistência. Além disso, mulheres e crianças também enfrentavam as mesmas condições de trabalho, e ainda era mais agravante, visto que os salários eram ainda menores.

A produção que passou a acontecer em grande escala, agora dividida em etapas, ia pouco a pouco distanciando o trabalhador do produto final. Cada grupo de trabalhadores passava a executar apenas uma etapa da produção, em contrapartida sua produtividade ficava cada vez maior.  Aumentou o índice de poluição das cidades por conta da queima do carvão para o funcionamento das máquinas, além do aumento das doenças e acidentes de trabalhos sem garantia e indenizações.

Movimentos Operários da Primeira Revolução Industrial


Movimento Ludista

O movimento ludista foi realizado pelo trabalhadores de fiação e tecelagem no ano de 1811. Foi um protesto mais radical. Ned Ludd, um dos líderes do movimento, junto com outros trabalhadores, entraram nas fábricas e destruíram as máquinas. Para os ludistas, as máquinas eram mais eficientes que os homens e, consequentemente, tiravam seus trabalhos.  Muitos desses manifestantes foram condenados à prisão, ao exílio e até ao enforcamento. Os ludistas são conhecidos historicamente pelo termo "os quebradores de máquinas". Os operários ingleses mais maduros na militância após alguns anos, empregaram métodos mais ativos de luta, tal como a greve e o movimento sindical.

Movimento Cartista 

O movimento cartista, organizado pela Associação dos Operários, também fez parte da primeira revolução industrial. Esse movimento exigia melhores condições de trabalho, tal como a diminuição da carga horária, passando de dez para oito horas por dia, a legalização do trabalho feminino, o fim do trabalho infantil, além da folga semanal e o salário mínimo.

Outro ponto importante do movimentos dos cartistas foi a reivindicação de novos direitos políticos. Naquela época, o direito ao voto se restringia aos homens, sobretudo quem tivesse boas condições econômicas. Eles brigavam pelo fim do voto censitário, que era justamente os cidadãos que tinham uma boa renda econômica que poderiam votar. Esse movimento chegou a conquistar muitos direitos políticos para os trabalhadores na primeira revolução industrial. 

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