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Quilombo dos Palmares

Postado por Andréa Araújo em 26/06/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Maior quilombo do Brasil que durou mais de um século


O Quilombo dos Palmares surgiu por volta de 1580 e foi o maior quilombo brasileiro, com aproximadamente 20 mil negros fugidos na época do Brasil Colônia

A fuga dos engenhos, das vilas e das cidades coloniais fez com que muitos procurassem espaços de proteção da relação escravocrata e opressora que vivem naquele período. Surgiram assim diversos quilombos no país. 

E entre os quilombos brasileiros, o de maior destaque foi o Quilombo dos Palmares, que por mais de um século conseguiu resistir aos ataques dos colonizadores portugueses.

O Quilombo dos Palmares formou-se na Serra da Barriga, na antiga capitania de Pernambuco. Essa região tinha uma vasta vegetação, com difícil acesso e bastante afastada das áreas habitadas pelos colonizadores portugueses.

Inclusive, a palavra “palmares” fazia referência justamente a vegetação mais abundante do local - a palmeira. Para os quilombolas palmarinos o Quilombo dos Palmares era chamado ainda de Angola Janga.

Esse nome “Angola Janga” era possivelmente fruto da união de duas linhagem de reinos africanos. A primeira linhagem foi fundada por Umbundu N’gola que é origem do país Angola.

Já a segunda linhagem trata-se dos guerreiros Jagas que usavam a denominação “quilombo” para se referir aos seus acampamentos.

É importante destacar que no Quilombo dos Palmares não viviam apenas várias etnias de negros escravos. O local acolhia também populações de índios brasileiros e brancos pobres. E esse contingente de quilombolas possibilitou com ao longo do tempo o Quilombo dos Palmares torna-se uma forte Confederação quilombola.

Como era a vida no Quilombo dos Palmares


Sociedade

Provavelmente, a sociedade quilombola desenvolveu-se semelhante aos padrões culturais de alguns estados africanos. Isso porque havia no Quilombo dos Palmares muitos núcleos de povoamento que recebiam o nome de mocambos.

Os mocambos eram onde as famílias de quilombolas residiam e estavam ao longo da extensão do território do quilombo. E em cada um deles existia um determinado quantitativo de habitantes.

Os mocambos também estavam razoavelmente distantes entre si, porém interligados através de uma rede muito eficaz de comunicação. Pois, existia a mobilização de guerreiros quilombolas. E os principais mocambos eram:

•Cerca Real do Macaco
•Subupira
•Zumbi
•Dandara

segurança era prioridade para os quilombolas palmarinos, até porque os colonizadores portugueses atacavam sempre de surpresa e era necessário uma vigilância constante. Em razão disso, eles passaram a desenvolver técnicas de guerra, com a as estratégias de guerrilhas. Inclusive, alguns golpes de luta se inspirava em tradições africanas.

O mocambo Cerca Real do Macaco tinha uma muralha de madeira com 5 Km de extensão e alocava a maior quantidade de habitações - 1.500, porque era o centro político do Quilombo dos Palmares.

Economia

O modelo de produção objetivava a sobrevivência de todos os quilombolas porque se estabelecia em uma relação democrática e societária. A sobrevivência era garantida através da agricultura de subsistência, mediante o cultivo de milho, batata doce, feijão, banana, etc. 

A pesca e a caça também faziam parte das atividades produtivas. Os quilombolas palmarinos também criavam animais de pequeno porte como galinha e porcos.

O desenvolvimento do artesanato possibilitava a fabricação de utensílios domésticos, alguns instrumentos musicais e, até mesmo, armas de baixo potencial ofensivo. Destaca-se na relação econômica dos quilombolas as trocas benéficas realizadas com as populações vizinhas.

Assim, os quilombolas faziam a troca de seus alimentos por pólvora e armas de fogo com pequenos proprietários de terras de origem portuguesa que residiam aos arredores. Também realizavam troca de informações sobre a movimentação das expedições portuguesas em torno da região.

Quilombo dos Palmares: símbolo de luta e resistência


Com o passar dos anos, o Quilombo dos Palmares tornou-se uma grande ameaça para o governo português. Isso porque a região Nordeste desenvolvia-se economicamente com a produção açucareira e a mão de obra escrava nos canaviais e nos engenhos de açúcar começou a ficar escassa, devido as fugas dos escravos para os quilombos.


Houve carência de escravos nos engenhos de açúcar devido as fugas para o Quilombo de Palmares. (Foto: Wikipédia) 

Além disso, durante a expulsão dos holandeses da região nordestina, muitos escravos também fugiam. Logo, os senhores de engenhos e as autoridades portuguesas passaram a concentrar suas forças na destruição no “reduto” dos subversivos.

A primeira expedição militar contra o Quilombo dos Palmares ocorreu em 1655. O governo português conseguiu apenas capturar alguns quilombolas e descobrir informações razoáveis acerca da organização dos mocambos.

Nessa época, a região pernambucana passava por uma grave crise econômica que atingiu, sobretudo, as vilas e cidades coloniais como Olinda e Recife. Destaca-se ainda que a fome vivida pela população pobre da colônia era fruto do sistema econômico exploratório da colonização portuguesa com foco total na produção de açúcar, já que os demais produtos agrícolas necessários a sobrevivência eram deixados de lado.

E isso aumentou ainda mais as fugas dos escravos para o Quilombo dos Palmares, até porque se propagava entre os escravos que no quilombo havia abundância de alimentos. Então, com as fugas o Quilombo dos Palmares aumentava ainda mais o quantitativo dos seus habitantes e a resistência a escravidão.

Acordo de paz

Na medida em que os ataques ficaram cada vez mais acirrados, o primeiro líder dos quilombolas – Ganga Zumba – decidiu aceitar um acordo de paz com o capitão-general de Pernambuco, d. Pedro de Almeida, que representava o rei de Portugal.

O acordo estabelecia que todos os negros nascidos no Quilombo dos Palmares seriam livres. Entretanto, os demais retornariam ao sistema escravista e opressor.

A maioria dos quilombolas ficaram insatisfeito com Ganga Zumba e dias depois o líder foi envenenado de forma misteriosa.

Zumbi dos Palmares

Posteriormente, ascendeu a liderança do Quilombo dos Palmares o negro, que tornou-se um símbolo de resistência da opressão escravista, Zumbi dos Palmares.


Zumbi de Palmares lutou até a morte pela liberdade dos escravos. (Foto: Wikipédia)

Zumbi de Palmares nasceu no próprio Quilombo dos Palmares e liderou os quilombolas de 1678 a 1695. Ele optou pela luta armada em prol da liberdade de todos. A cada expedição portuguesa Zumbi dos Palmares reagia atacando engenhos para libertar escravos, furtar armas de fogo e incendiar canaviais, que era a fonte de riqueza dos portugueses.

Delação e fim 

A total destruição do Quilombo dos Palmares não foi tão fácil assim. Foram dezoito expedições militares fracassada.

Em 1685, o governador de Pernambuco decidiu contratar um exército de bandeirantes paulistas para destruir o Quilombo dos Palmares. A liderança militar portuguesa ficou sob o comando do bandeirante experiente na escravização de indígenas e nos atos de extermínio Domingos Jorge Velho, além do capitão-mor Bernardo Vieira de Melo.


Os bandeirantes Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira de Melo lograram êxito na última expedição contra Palmares. (Foto: Wikipédia) 

Em 1963, com um exército de seis mil homens, os bandeirantes conseguiram lograr grande avanço na região da Serra da Barriga. Nessa investida militar capturaram e coagiram o quilombola Antônio Soares, que delatou o esconderijo de Zumbi de Palmares.

Então, no dia 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares foi morto em uma emboscada armada pelos bandeirantes. 

Semelhantemente aos líderes alfaiates da Conjuração baiana, Zumbi dos Palmares foi executado, decapitado e teve sua cabeça exposta na praça Pátio do Carmo, em Recife, a fim de aterrorizar os demais escravos e servir de demonstração da força colonial. 

Depois de mais de um século de resistência o Quilombo dos Palmares chegou ao fim em 1710 e deixou registrado na história do Brasil apenas o começo da militância contra as injustas cometidas em várias regiões brasileiras.

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