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Quilombos

Postado por Darcicleia Oliveira em 26/07/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Locais de resistência contra a escravidão


Os quilombos, na era colonial e imperial, foram espaços construídos pelos escravos negros africanos e afrodescendentes fugidos da escravização em busca de viver em liberdade. 

O tratamento violento e as péssimas condições de sobrevivência oferecidas pela casa grande, faziam com que os negros escravos procurassem uma nova forma de viver que não fosse aquela. Para muitos não era fácil fugir, quando encontrados sofriam violência pior, mas aos que conseguiam, tentavam construir uma nova vida formando famílias e pequenas comunidades. 

Os habitantes dessa comunidade, também denominada de mocambo, eram chamados de quilombolas.

Em Angola, no continente africano, a palavra “quilombo” (kilombo) significa povoação ou fortaleza e era onde os guerreiros se preparavam para combate. No Brasil colônia, o significado do termo não era distante do proposto pelos quilombolas.

Os terrenos de quilombos eram adquiridos através de doação, herança, compra ou até mesmo de abandono, no caso de antigas fazendas. Depois da invasão dos holandeses em 1630, muitos senhores de engenho abandonaram suas terras, o que proporcionou aos escravos bons lugares para escapar nas terras de Pernambuco.

Além de abrigo, na comunidade quilombola as pessoas poderiam retornar à suas culturas e tradições, às suas religiões, às práticas de dança e músicas oriundas da sua terra, a África

No período colonial os quilombos não eram só compostos por escravos fugidos, mas também de escravizados alforriados, brancos pobres, mestiços, indígenas, entre outros. Hoje em dia ainda existem quilombos ocupados pelos remanescentes que possuem as mesmas tradições.

Como eram os quilombos no período colonial


Os quilombos, de maneira geral, funcionavam como válvula de escape para a intensa violência da escravidão nas senzalas. Além disso, eram considerados pontos centrais de oposição ao modelo escravagista, os quais resistiram a diversos confrontos com aqueles que se afirmavam superiores, os senhores de engenho. 

O contexto econômico de expansão da produção da cana-de-açúcar na época colonial favoreceu a formação de quilombos, pois era um momento no qual os escravos viam a oportunidade de alcançar certo tipo de independência financeira. Portanto, a comunidade que se formava, aos poucos começava a ter relações comerciais com outras comunidades livres, conseguindo sobreviver fora das senzalas e com grande vantagem que era a liberdade. O cultivo e a comercialização de alimentos e a criação de animais garantiam a sobrevivência dos quilombos.

Porém, apesar de terem a liberdade dentro do quilombo, o povo sofria com a iminência de ataques que culminavam na destruição do local e na captura de muitos fugitivos. Por isso, a principal preocupação dos quilombolas era a segurança do local e para isso eles construíam várias cercas ao redor do acampamento e dezenas de armadilhas.

A criação de quilombos representava a rejeição da forma de vida cruel proporcionada pelos senhores de engenho. Eram nesses locais que o povo afrodescendente buscava organizar estratégias de segurança e planos para libertar outros escravos. 

Quilombo dos Palmares


Localizado em uma serra cheia de palmeiras, o Quilombo dos Palmares foi a maior comunidade de negros da história do Brasil e por isso ficou muito conhecido, até os dias de hoje, como figura principal da resistência negra pelo fim da escravidão no Brasil

Estava situada na serra da Barriga em terras que pertencem hoje ao estado de Alagoas e servia como ponto de escape para vários escravos que fugiam das senzalas aos redores da região. 

O Quilombo dos Palmares chegou a ter cerca de 20 mil pessoas e por isso chamou a atenção das expedições portuguesas que a todo tempo tentavam atacar a comunidade. 

Faziam parte de Palmares as aldeias de Arotirene, Dambrabanga, Subupira, Andalaquituche, Zumbi, Aqualtene, Amaro, Tabocas e Macaco (considerada a maior aldeia dentro do quilombo) que começaram a se formar, segundo alguns historiadores, a partir do século XVII. Por ser de tamanho considerável, o povo era guiado por um chefe e o mais famoso deles foi Zumbi dos Palmares

Embora fosse constituído de muitos guerreiros que tomavam as batalhas contra as capitanias, o Quilombo dos Palmares só conseguiu resistir até 1694, quando foi considerado destruído depois de um grande ataque dos portugueses. 

Depois de dispersado, os quilombolas sobreviventes formaram outras pequenas comunidades e continuaram a revolução. Zumbi morreu em uma emboscada um ano depois da destruição de Palmares.

Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares foi um guerreiro que lutou junto com os quilombolas pelo fim da escravidão no Brasil colonial. Liderou o povo morador do Quilombo dos Palmares nas lutas contra as invasões das expedições portuguesas. 

Zumbi nasceu homem livre, mas resolveu assumir a luta pela liberdade do povo escravo e foi viver no quilombo aos 15 anos de idade depois de ser catequizado por padres. Em 1678 tomou posse como líder depois da morte de Ganga Zumba.

Ganga Zumba aceitou uma proposta do governador da província de Pernambuco que concedia liberdade aos quilombolas, mas não dos escravos que ainda estavam nas fazendas. Zumbi e boa parte do quilombo foram contras ao acordo, pois não era justo que seus irmãos continuassem presos. Ganga Zumba foi morto pelos palmarinos e Zumbi assumiu a liderança, recusando o acordo e continuando a luta pela liberdade de todos os escravos.

Após intensas batalhas, 1694 o Quilombo dos Palmares foi destruído pelo governo em uma expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Um ano depois Zumbi foi emboscado e morto, em 20 de novembro de 1695, data que hoje é lembrada como o Dia da Consciência Negra.

Ainda que as excessivas lutas contra a escravidão tenham sido de grande importância e fundamentais para as conquistas, foi a pressão de países estrangeiros que fez com que a Princesa Isabel assinasse a Lei Áurea em 1888, documento que decretava a Abolição da escravatura no Brasil.

Os quilombos no Brasil


É comum associar a existência de quilombos como algo restrito ao passado, que foram locais que só existiram no período colonial. Os quilombos tiveram importante função na época da escravidão, mas até hoje desempenham papel importante para a manutenção da cultura afro-brasileira e para a história de constituição do país.

No Brasil existem os quilombos compostos por remanescentes de quilombolas, ou seja, pessoas que têm algum parentesco com ex-escravos e que ainda hoje preservam suas tradições.

Os descendentes de quilombolas vivem hoje uma intensa luta pelos direitos sociais, pelos direitos de apropriação legal de terra, pela manutenção de manifestações culturais, por respeito e por vida digna diante dessa sociedade que reprime o povo remanescente com racismo e preconceito.


Moradores da comunidade quilombola de São Domingos, em Paracatu, em Minas Gerais. (Foto: Wikipédia)


Remanescentes de quilombolas

Muitas comunidades remanescentes de quilombolas vivem em situação precária, onde não são respeitadas o modo de vida e ainda são vítimas de assassinatos, de destruição de suas casas e desapropriação de suas terras.

Por meio da legislação, da Constituição de 1988, as comunidades quilombolas têm garantida a sua proteção cultural, vida digna e liberdade para viverem de acordo com suas tradições culturais, além da preservação de suas terras. No entanto, é possível perceber que essa população está sendo negligenciada e sobreviver ainda é um desafio.

Cerca de 3.045 comunidades quilombolas no Brasil já foram certificadas pela Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura. Com esse reconhecimento o povo remanescente pode obter benefícios do governo e manter preservada sua existência através do direito de ter moradia em territórios quilombolas, do direito de educação, saúde e lazer e da conservação da sua história.

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