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República Velha

Postado por Camila Mendonça em 03/01/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Primeira República do Brasil


A República Velha representou o início de uma nova fase para a história do Brasil. Esse momento aconteceu após a República ter sido proclamada por Marechal Deodoro da Fonseca em novembro de 1889. A partir de então, o país deixou de ser uma Monarquia. 

O primeiro mandato de Deodoro da Fonseca foi chamado de governo provisório, enquanto o país aguardava a elaboração de uma nova Constituição. Pois, o governo monárquico de antes não conseguia solucionar os problemas políticos e atender às necessidades sociais que surgiam com o desenvolvimento do país.

Por conta disso, a elite militar do exército e fazendeiros cafeicultores se uniram formando uma aliança que possibilitou aos republicanos a tomada de poder. Dessa forma, o estado brasileiro passou por grandes mudanças e a República Velha foi dividida em dois períodos: 

República da Espada: o período durou de 1889 a 1894 e recebeu esse nome devido ao país ter sido governado por dois representantes militares: O primeiro foi Marechal Deodoro da Fonseca e o segundo seu vice Marechal Floriano Peixoto. 

República Oligárquica ou das Oligarquias: o período durou de 1895 e foi até 1930.  Recebeu esse nome porque , na época, os grandes coronéis e donos de fazenda eram tidos como “chefes políticos”, exercendo grande influência nas decisões políticas do país. Com isso, as oligarquias dos estados de São Paulo e Minas Gerais comandaram as eleições durante muitos anos.

República da Espada (1889-1894)


O primeiro momento da República Velha recebeu esse nome, porque no início do governo republicano os presidentes do Brasil eram militares. Além de Deodoro da Fonseca, eleito pelo congresso como primeiro presidente, o seu vice Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) também era um militar. Nesse período, o governo provisório tomou algumas iniciativas importantes como a separação entre a Igreja e o Estado, pôs fim ao regime do padroado (liberdade da Igreja para administrar decisões religiosas), instituiu o casamento civil e criou a Bandeira Republicana com o lema “Ordem e Progresso”.

Além disso, o governo propôs uma política econômica direcionada para o modelo industrial. Na época, o ministro da economia de Deodoro da Fonseca, ministro Rui Barbosa, incentivou a abertura de novas empresas, a emissão de moedas e o protecionismo alfandegário.

No entanto, essas medidas não alcançaram o sucesso almejado e provocou uma das maiores crises financeiras enfrentadas pelo Brasil: o Encilhamento. Esse foi um momento durante a República Velha em que a procura por empréstimos bancários aumentou de forma significativa. 

Assim, o governo precisou investir um grande volume de dinheiro na economia, muitas empresas foram à falência, o preço de algumas ações caíram e a moeda nacional (libra) foi desvalorizada. 

Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil na República Velha. 
(Foto: Wikipedia)
Constituição de 1891

Em 1891, a medida mais importante do Governo Provisório foi a promulgação da Constituição. A partir desse momento, a República Velha criava vinte Estados com ampla autonomia econômica e administrativa, que asseguravam a descentralização política.  Diante disso, os Estados formaram poderes Executivos e Legislativos com total liberdade para eleger governadores e deputados, criar impostos, escolher suas próprias forças militares e elaborar textos constitucionais.


 República Oligárquica ou Política do Café com Leite (1895-1930)


Nesse momento da República Velha, os mineiros (grandes produtores de leite) e paulistas (produtores e exportadores de café) disputavam o cenário político do país. Com a expressa alternância de poderes, a forma de governo ficou popularmente conhecida como Política do Café com Leite.

Como os coronéis exerciam uma forte influência sobre o voto popular e o voto era aberto, ficava mais fácil de controlar as pessoas que votavam nos candidatos escolhidos por eles. Esses votos eram conquistados através de promessas e ameaças e, por conta disso, ficou conhecido como Voto do Cabresto.

Durante esse momento da República Velha, o Congresso elegeu uma maior quantidade de presidentes coronéis. Os únicos que não correspondiam às características e também não pertenciam aos estados de Minas Gerais e São Paulo foram: Hermes da Fonseca, Epitácio Pessoa e Washington Luís.

Presidentes

No Brasil, o primeiro presidente civil a ser eleito durante a República Velha foi Prudente de Moraes. Ele governou de 1894 a 1898, durante um período de grande agitação política. Com o intuito de rebater a crise enfrentada pelo país implantou medidas industriais. Contudo, essas ações não funcionaram muito, pois a população estava insatisfeita com os baixos salários.

Além disso, Moraes teve que reagir a Guerra de Canudos (1896-1897), período em que o presidente combateu a insatisfação do povo do sertão com o uso da força militar e muita repressão. Conheça mais presidentes que assumiram o governo durante a República Velha.

•Campos Salles (1898-1902);
•Rodrigues Alves (1902-1906);
•Afonso Pena (1906-1909);
•Nilo Peçanha (1909-1910);
•Hermes da Fonseca(1910-1914):
•Venceslau Brás (1914-1918);
•Epitácio Pessoa(1918-1922);
•Arthur Bernardes(1922-1926);
•Washington Luís (1926-1930);


Fim da República Velha


Em 1930, iniciavam-se as novas eleições a fim de escolher um novo presidente para o Brasil. Porém, segundo o acordo, essa seria a vez do Partido Republicano Mineiro (PRM) eleger o próximo candidato de acordo com a política do Café com Leite

No entanto, o partido oposto formado por cafeicultores do estado de São Paulo e chefiado pelo presidente Washington Luís, descontentes, queriam indicar outro candidato paulista para a presidência do Brasil. Mas, com Júlio Prestes no poder as ordens da política vigente não fariam sentido. 

Diante dessa situação, o partido mineiro juntou-se aos políticos dos estados da Paraíba e Rio Grande do Sul formando a Aliança Liberal (AL). O objetivo era lançar à presidência o gaúcho Getúlio Vargas (1934-1945). Mesmo com essa estratégia, Júlio Prestes venceu as eleições de abril de 1930, a qual foi acusada de fraude pelos políticos do partido da AL. Isso fez com que o acordo realizado entre São Paulo e Minas Gerais chegasse ao fim. 

Para não perder o objetivo, o partido da AL aproveitou-se da situação e uniu políticos e líderes militares. Assim, eles organizaram a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas. O acontecimento marcou o fim da República Velha e o início da Era Vargas.

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