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Sabinada

Postado por Márcia Macedo em 28/06/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

O Movimento ocorreu no Período Regencial


Sabinada foi uma revolta autonomista de natureza separatista incerta. Essa revolta aconteceu na Província da Bahia, na época do Brasil Império. O movimento ocorreu do dia 06 de novembro de 1837 até o dia 16 de março de 1838. Os revoltados queriam instaurar uma “República Bahiense” no estado da Bahia, até que Dom Pedro II atingisse a maioridade.


Dom Pedro I entrega a carta de abdicação do trono ao Major Frias. (Foto: Wikipédia) 

Sabinada


A Revolta do Sabinada foi liderada pelo jornalista, médico, republicano e revolucionário federalista baiano Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira Barroso (1796 – 1846) e pelo advogado e político João Carneiro da Silva Rego

O movimento ganhou esse nome por causa do sobrenome de Francisco Sabino. A Sabinada aconteceu no Período Regencial (1831 – 1840) e foi uma época difícil e tumultuada da História do Brasil

Depois que a Dinastia BourbonFrança, chegou ao fim por meio da Revolução de 1830, aconteceram várias revoltas em outras regiões. Rebeliões essas de caráter nacional e outras de caráter liberal. 

Quando Dom Pedro I abdicou de seu trono, ficou subtendido que isso seria um reflexo do movimento liberal que começou na França. Como a opção de sucessor do comando do Brasil ainda tinha 05 anos de idade, até que o futuro imperador atingisse a maior de idade, o país foi governado por regentes.

Três vertentes políticas se chocaram no decorrer do Período Regencial: 

Caramurus (restauradores) – nome pelo qual os farroupilhas chamavam os soldados imperiais na Guerra dos Farrapos (1835 – 1845).
Chimangos (moderados) – Partido Liberal Moderado, foi um partido político brasileiro, criado em 1831.
Jurujubas (exaltados) – Partido Liberal Exaltado, também denominado por Jurujuba ou Farroupilha, foi um outro partido político brasileiro criado em 1831.

Por causa das diferenças políticas que existiam entre esses três grupos, se instauraram os conflitos em volta da centralização monárquica e do federalismo republicano. Enquanto isso, os moderados tentavam preservar a singularidade, defendendo a independência nacional e a centralização através da formação das monarquias nacionais. Já os exaltados queriam a autonomia provincial.

A Sabinada estava associada à circunstância social da Bahia em meio a década de 1830. A situação estava relacionada com o crescimento da produção açucareira em outros locais e, por consequência, o aumento da oferta dessa iguaria no mercado internacional. Por essas razões a província passou a encarar uma repressão econômica.

História


Antes da Independência da Bahia o estado já era palco de várias revoltas urbanas, as quais demonstravam o esgotamento das organizações coloniais portuguesas. Entre essas revoltas, é possível citar:

Conjuração Baiana (1798 - 1799) – também denominada como Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios. Foi um movimento de natureza emancipacionista que aconteceu no final do século XVIII, na então Capitania da Bahia, na colônia brasileira.
• As lutas pela Independência na Bahia (1822 - 1823) – movimentos que começaram em 19 de fevereiro de 1822 com solução em 02 de julho de 1823. Estimulado pelo envolvimento federalista emancipador do povo, terminou com a implantação da então província na unidade brasileira, durante a Guerra da Independência do Brasil.
Federação dos Guanais (1832) – também denominada como Revolta dos Guanais ou Revolução Federalista. Foi uma revolução nativista que aconteceu na Bahia, nas vilas de Cachoeira e São Félix, com uma pequena reincidência no ano de 1833, reproduzindo assim uma das origens que causaram a revolta maior de 1837, a Sabinada.
Revolta dos Malês (1835) – foi um motim de escravos, em sua maioria muçulmanos, na cidade de Salvador, capital da Bahia. Esse movimento ocorreu na noite de 24 para 25 de janeiro do ano de 1835. Essa foi a revolta de maior relevância do estado.

A Revolta


Em 07 de novembro do ano de 1837, Francisco Sabino e João Carneiro lideraram os rebeldes e invadiram a Câmara Municipal de Salvador e assim proclamaram a “República Baiana”, que tornou a Bahia tornava livre e independente do controle imperial.

Essa movimentação começou na noite anterior, quando os revoltosos tomaram o Forte de São Pedro em Salvador. Em uma madrugada violenta, o grupo conseguiu dominar e tirar os homens do poder local, que eram associados ao governo central. Esses poderosos tiveram que se refugiar na cidade de Cachoeira, enquanto durou a República (quatro meses).

Em sessão extraordinária da Câmara Municipal foi registrado na ata do dia 07 de novembro que a Bahia inteira estaria perfeitamente desligada do governo denominado central do Rio de Janeiro. Já na ata do dia 11 de novembro, foi registrada uma emenda que dizia:
A Bahia fica desde já separada e independente da Corte do Rio de Janeiro, e do Governo Central, a quem desde já desconhece, e protesta não obedecer nem a outra qualquer autoridade ou ordens dali emanadas, enquanto durar somente, a menoridade do senhor Dom Pedro II.
O anexo que tratava sobre a duração da independência implementou o caráter da revolta, já que reconhecia a legitimidade do trono a Pedro de Alcântara. Mas o registro da emenda revelou a existência dos pontos divergentes que haviam dentro do movimento.

Logo houve a desconfiança de que na verdade existiam diferenças entre Sabino e Carneiro, com relação à visão política da revolta. Julgava-se que os apoiadores da ata do dia 07 eram comandados por Sabino, cujo projeto era caracterizado por ser antimonarquista, republicanista e separatista. Carneiro por sua vez, era federalista, unionista e mais moderado.

As profissões (comerciantes, funcionários públicos, médicos, militares, professores, entre outros) das pessoas que assinaram ata ditada por Sabino mostravam que os principais participantes da revolta faziam parte das classes médias urbanas, característica específica da Sabinada.

Inocêncio da Rocha Galvão foi escolhido para presidente da nova república, mas como ele estava exilado no Estados Unidos desde o ano de 1820, essa nomeação simbólica foi assumida pelo vice João Carneiro.

Depois que os revoltosos dominaram alguns quartéis da cidade de Salvador, não conseguiram o apoio dos senhores das terras do Recôncavo e nem da população escrava. Esse fato aconteceu porque os senhores de engenho não gostaram quando os líderes da Sabinada declararam que iriam libertar os cativos nacionais, caso lutassem pela causa.

Apesar da ameaça estar relacionada apenas com os negros de nacionalidade brasileira (e não seguiu em frente), as classes mais altas da sociedade mantiveram a imagem antiescravista da revolta. O medo de que os escravos fossem libertados estava associado com a herança da Revolta dos Malês, que havia acontecido dois anos antes. 

Porém, os escravos não ficaram empolgados com a revolta, por conta da distinção entre escravos nacionais e estrangeiros. A maioria deles tinha origem africana.

Na verdade, dar a alforria aos escravos não fazia parte dos planos dos revolucionários, foi somente uma estratégia por causa da pressão das circunstâncias. Com isso, cabe reiterar que os Sabinos não foram tão enérgicos, porque não pensaram além da ideologia da sociedade escravista.


Coroação de D. Pedro II aos 15 anos de idade, em 18 de julho de 1841. (Foto: Wikipédia)

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