Principal líder da Inconfidência Mineira
Tiradentes ou Joaquim José da Silva Xavier, como se chamava oficialmente, foi o participante que mais se destacou durante a Inconfidência Mineira, que ocorreu em Minas Gerais, em 1789. Ele foi um revolucionário que, assim como os outros, lutou pela liberdade do estado na época do Brasil Colônia.
Para entender melhor quem foi Tiradentes e a luta cravada por ele na busca pela independência do estado de Minas Gerais é importante saber o que foi o movimento da Inconfidência e os motivos que levaram a este acontecimento. Para isso, o Guia Estudo preparou um pequeno resumo.
Inconfidência Mineira
A Inconfidência Mineira foi um movimento de revolta organizado por uma parcela de mineradores do estado de Minas Gerais, que ocorreu em 1789. Nessa época, o Brasil ainda era uma colônia de Portugal, portanto, uma parte de tudo o que era produzido deveria ser doado para a metrópole.
Como nesse período a extração do ouro no Brasil, principalmente em Minas Gerais, era bem extensa (ciclo do ouro), cerca de 1/5, isto é, 20% de todo o metal extraído pelos mineradores deveria ser pago aos cofres da Coroa Portuguesa. À esse imposto dava-se o nome de quinto. Inclusive, por achar injusto, muitos o denominavam de “quinto dos infernos”.
Depois que o ouro era extraído, era levado para as Casas de Fundição de Intendência, onde passava por um controle de fiscalização. No local, o metal era derretido e transformado em barras com o símbolo do brasão da Coroa para garantir que o ouro era legítimo.
Portanto, o que deixava a população insatisfeita era o fato da produção do ouro ter caído por um momento e mesmo assim os impostos continuarem sendo cobrados. Outro exemplo de cobrança era a denominada derrama.
A derrama (1751) era cobrada por região aurífera. Ela foi instituída para fazer o controle de impostos e punir os possíveis desvios. Caso não fosse paga, as pessoas tinham suas casas invadidas pelo exército e o seus bens confiscados até que o valor devido fosse completado.
Toda essa situação gerou descontentamento e sentimento de revolta aos mineradores, que dependiam disso para sobreviver. Foi nesse contexto que Tiradentes decidiu se reunir com outros mineradores e organizar o movimento.
Como era bom orador e comunicador, ele se destacou diante dos demais e foi o responsável por trazer mais adeptos para a causa revolucionária. O grande objetivo da Inconfidência era livrar o estado de Minas das cobranças abusivas dos portugueses e, com isso, implantar uma nova República.
Durante o movimento, os inconfidentes criaram uma bandeira. Ela tinha o fundo branco e era composta por um triângulo vermelho, com uma inscrição em latim no qual dizia: “Libertas Quae Sera Tamen”, que significa: Liberdade ainda que Tardia.
A intenção era que se tornasse a nova bandeira do país, mas como isso não aconteceu foi adotada como a bandeira do estado de Minas Gerais. A Inconfidência Mineira recebeu esse nome, pois fazia referência ao significado do termo “inconfidência”, usado para designar um tipo de crime político gravíssimo, considerado o mais grave da sociedade de Antigo Regime.
Quem foi Tiradentes?
Durante a Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier ficou conhecido como Tiradentes. O apelido faz referência a uma das funções exercidas por ele, pois além de dentista, também atuava como comerciante, minerador e militar.
Joaquim nasceu em Minas Gerais, no dia 12 de novembro de 1976, em uma região conhecida como Fazenda do Pombal, localizada entre a Vila de São José e a cidade de São João Del Rei.
Filho de Maria Antônia da Encarnação e Domingos da Silva Santos, Tiradentes perdeu seus pais quando ainda criança. Com isso, ele se mudou para a cidade de Ouro Preto, onde foi criado pelo seu padrinho, que era dentista.
Quando cresceu decidiu servir ao exército, onde assumiu o cargo de alferes, uma patente abaixo de tenente. Entre todas as funções exercidas por ele, essa era a que ele mais se destacava. Tiradentes fazia parte da cavalaria de Dragões Reais de Minas, que era representante de uma força militar de Minas Gerais, porém, era subordinada à Coroa Portuguesa.
Trajetória na Inconfidência Mineira
Quando entrou para o movimento, Tiradentes ainda estava na função de alferes. Ele passou a ser perseguido pelo exército e para tentar escapar da pena viajou para se esconder na casa de um amigo no Rio De Janeiro, local onde conquistou ainda mais conspiradores.
Junto a ele fizeram parte do movimento os inconfidentes: Tomas Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, José de Resende Costa Filho e Joaquim Silvério dos Reis. As ideias do Iluminismo serviram de base para o movimento.
Para livrar os inimigos da pena, Tiradentes assumiu a culpa sozinho. Na ocasião, ele e outros conspiradores foram achados e presos. Todos sofreram um punição. Alguns dos inconfidentes foram punidos apenas com um degredo (pena de desterro), mas Joaquim foi o único a sofrer o pior castigo: a condenação à morte.
Sendo assim, foi morto da pior forma possível no dia 21 de abril de 1792. Ele foi enforcado, decapitado e esquartejado. Para que os súditos da Coroa se sentissem repreendidos, a cabeça de Tiradentes foi encravada numa estaca em praça pública na Villa Rica.

Tiradentes esquartejado. (Foto: Wikipédia)
O restante do corpo foi espalhado em uma via que ligava o estado de Minas Gerais ao do Rio de Janeiro. Tiradentes ainda teve parte dos bens confiscados, sua casa invadida e terras queimadas.
Homenagem
Depois que morreu, Tiradentes foi lembrado de diversas formas. Na capital de Minas Gerais - Ouro Preto - por exemplo foi homenageado com a instalação de um monumento em 1867 para que a sua imagem fosse constantemente vista. Das características atribuídas a ele, ficou conhecido na cidade como um ícone de liberdade e independência, um verdadeiro herói da nação.
O dia da morte de Tiradentes, 21 de abril de 1792, foi instituído pela Lei de Nº 4. 897 como feriado nacional. A lei foi sancionada pelo presidente Castello Branco na época da Ditadura Militar no Brasil. Já a imagem dele foi tida como “Patrono da Nação Brasileira”.