Concentração do poder nas mãos do ditador
O totalitarismo surgiu em um momento marcado pela crise do sistema capitalista em algumas regiões da Europa.
Ele consiste na concentração do poder nas mãos de um único líder ou partido, onde não há espaço para a democracia nem direitos e garantias individuais.
O regime totalitário define um tipo de relação em que o governo tem poder de intervenção na vida dos cidadãos. Ele exclui quem se opõe ao sistema e toma decisões políticas de acordo com as suas vontades, sem opiniões de outros governantes, tampouco do povo.
O ditador e suas leis
No totalitarismo o poder legislativo pode existir, porém está à margem do ditador, ou seja, seus poderes também dependem da aceitação do governante.
O totalitarismo não aceita a existência de múltiplas orientações político- partidárias, pois a existência desse tipo de organização política incitaria uma divisão prejudicial aos interesses da nação. Por essa razão, os ditadores preferem reconhecer um único partido.
O regime totalitário assegura uma série de intervenções que colocam o líder como o responsável direto pelo avanço econômico da nação. As empresas estatais têm forte presença e atuam, sobretudo, na indústria de base e tecnológica. O progresso dessas áreas seriam importantes para a prosperidade dos demais setores da economia.
Há o uso excessivo da força militar para manter o controle e a ordem da população através de perseguições políticas, prisões, torturas físicas e psicológicas, e também a exaltação da figura do líder e a busca por tempos históricos de glória ou de alguns heróis nacionais.
O totalitarismo se preocupava em criar a ideia de que sua política visava retomar um tempo de conquistas e para afirmar isso controlava os meios de comunicação, propagandeando essas ideias.
Os maiores exemplos do totalitarismo foram vivenciados na Europa do pós-guerra, quando a Itália e a Alemanha foram controladas pelos governos fascista e nazista, respectivamente.
Esse mesmo tipo de regime pode ser observado na antiga União Soviética, no período que Joseph Stálin esteve à frente do governo.

Líderes Totalitários: Fascismo, Nazismo e Stalinismo. (Foto: Wikipedia)
Nazismo na Alemanha
O totalitarismo na Alemanha foi associado ao partido nazista, ao estado nazista, e a outros grupos de extrema-direita. Desenvolveu-se durante a República de Weimar após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. A ideologia rejeitava o conceito de luta de classes e defendia a propriedade privada e empresas alemãs.
Apoiava teorias como hierarquia racial e o darwinismo social, na qual os povos germânicos eram descritos como os mais puros da raça ariana e, por isso, eram vistos como a “raça superior”.
Tinham como objetivo superar as divisões sociais para criar uma sociedade homogênea e a unidade nacional com o tradicionalismo. Esse regime totalitário tentou conseguir isso através de uma “comunidade do povo” (Volksgemeinschaft) que iria unir o povo alemão e excluir os considerados “povos estrangeiros” (Fremdvölkische). Reivindicavam também o que entendiam ser territórios historicamente alemães e áreas para a colonização.
O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP) foi fundado em 5 de janeiro de 1919. Adolf Hitler assumiu o controle e rebatizou para Partido Nazista logo no início dos anos 1920.
O Programa Nacional Socialista apelava por uma Alemanha unida e que negaria cidadania aos judeus ou aos seus descendentes, além de apoiar a reforma agrária e nacionalização de algumas indústrias.
Fascismo na Itália
Foi um movimento político totalitário que surgiu durante a década de 1910 na Itália, e que governou o país entre 1922 e 1943.
Foi liderado por Benito Mussolini, chamado pelos seus seguidores de Duce (líder). Mussolini criou a expressão do movimento de Fasci Italiani di Combattimento. O termo fasci é uma menção a um símbolo do Império Romano – um feixe de hastes de madeira com um machado no centro, que inclusive fazia parte da ideologia mitificada do fascismo: um destino imperial e glorioso para a cidade de Roma.
O fortalecimento do Fascismo teve relação direta com o fortalecimento dos socialistas na Itália entre 1919 e 1920. Nesse momento a organização Fasci Italiani di Combattimento se tornou partido político e surgiu o Partido Nacional Fascista.
A ideia desse regime era tomar o poder da Itália e partir da via eleitoral por meio de violência, especialmente contra os socialistas. O objetivo era enfraquecer o socialismo enquanto movimento social e político. A violência estava diretamente ligada ao militarismo e uniformização de seus partidários desde milícias conhecidas como camisas negras.
Stalinismo na União Soviética
O Stalinismo ocorreu entre os anos de 1927 a 1953 na Antiga União Soviética, no governo de Josef Stalin, considerado até hoje como um dos governantes mais cruéis da História.
Milhões de pessoas foram deportadas com suas famílias para campos de trabalho forçado ou eliminadas, enquanto milhões de camponeses foram exterminados por não concordarem com a coletivização das terras.
Esses procedimentos conhecidos como expurgos alcançaram sua maior brutalidade entre 1935 e 1939. A polícia NKVD (Comissariado Popular de Assuntos Internos) foi o instrumento de terror responsável pela repressão. A delação e a suspeita eram estimuladas, razão pela qual surgiram numerosos cúmplices e delatores.
Stálin criou os Planos Quinquenais que tinham os objetivos de industrializar a União Soviética rapidamente e implantar uma economia socialista.
A propriedade privada da terra foi proibida e executou-se a coletivização forçada da agricultura, que se sustentou sobre duas formas de propriedade: o sovkhoze, ou fazenda estatal, e o kolkhoze, fazenda coletiva controlada pelo Estado.
Resultado desse plano foi a rápida industrialização, apesar que a agricultura sofreu um atraso considerável devido a sua subordinação a indústria, e também custou milhares de vidas. Essa industrialização acelerada colocou a União Soviética entre as grandes potências mundiais.
Principais características do Totalitarismo
• Não há tempo determinado para o exercício do mandato político;
• Uso constante das forças armadas: Marinha, Exército, Aeronáutica;
• Concepções ideológicas ditadas pelo governante, de acordo com suas ideologias;
• É expansionista, porque visa conquistar outros territórios, seja através do uso da força, ou por convencimento;
• Uso de propaganda governamental massiva, exaltando o chefe de estado;
• Reage aos opositores causando medo através do uso da força, tortura, prisões;
• Costuma se apresentar como um "Regime Popular Democrático".
• Possui três poderes, mas todos eles dependem das decisões do líder;
• Muitos adotaram o Partido Único.
Totalitarismo e Autoritarismo
Em comum o Totalitarismo e o Autoritarismo são regimes ditatoriais, porém o Autoritarismo tenta "mascarar" esse regime dando abertura para a democracia, pois isso ocorre somente no discurso.
Um exemplo de regime autoritário foi o Regime Militar no Brasil (1964-1985), que à época tinha dois partidos, o Arena (Aliança Renovadora Nacional) que apoiava os ditadores, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que era opositor ao regime. Mesmo assim haviam represálias por parte do governo que não aceitava manifestações vindas de seus opositores.