A simplicidade era uma característica desse movimento
A linguagem do Arcadismo era objetiva. Os artistas desse movimento não utilizavam expressões rebuscadas. Diferente do movimento Barroco que se apropriava das figuras de linguagem, como a metáfora, a antítese e o paradoxo, a linguagem do Arcadismo era literal.
O Arcadismo, também conhecido como Setecentismo ou Neoclassicismo, surgiu no século XVIII. Esse período ficou conhecido como o “Século das Luzes” porque as ideias do Iluminismo, movimento que surgiu com a Revolução Francesa, já tinha se espalhado por boa parte dos países da Europa e influenciado vários movimentos culturais. O Arcadismo foi um deles.
A palavra Arcadismo, deriva de “Arcádia”, região de campos que ficava localizada no Peloponeso, na Grécia Antiga. Os autores dessa época, acreditavam que as belezas naturais os tornavam mais inspirados e os faziam escrever melhor, por isso o Arcadismo tem uma ligação muito forte com a natureza e seus versos buscam exaltar o ambiente. A cultura clássica, latina, os valores romanos, gregos e renascentistas também influenciaram o movimento arcadista.
Nesse período também começava a Revolução Industrial. As grandes massas populacionais migravam do campo e começavam a ocupar os centros urbanos em busca de emprego. Foi nesse contexto que surgiu o Arcadismo. Um movimento literário e artístico que valorizava a racionalidade e a ciência. Ao contrário do Barroco em que a contemplação e as dúvidas tinham valor.
Esses dois movimentos eram quase contrários. Enquanto o Barroco tinha uma linguagem praticamente inacessível, voltada para a nobreza, a linguagem do Arcadismo era comum para a época. Esse movimento cultural também tinha interesse em conquistar a burguesia, uma classe que estava em ascensão e começava a consumir os bens culturais.
O Arcadismo se pautava por três fundamentos: a natureza, razão e a verdade.

O Arcadismo no Brasil
Em “Vila Rica”, poema muito famoso desse autor, Cláudio fala sobre a Inconfidência Mineira:
Enfim serás cantada, Vila Rica,
Teu nome impresso nas memórias fica.
Terás a glória de ter dado o berço
A quem te faz girar pelo universo.
Trecho do poema Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa. (Canto X, v.199-202)
Outros artistas também foram muito importantes para que essa expressão artística tivesse força no Brasil. São eles:
José de Santa Rita Durão – Autor do poema “Caramuru”. Considerado precursor do Indianismo no Brasil.
José Basílio da Gama – Poeta mineiro, autor do poema “O Uruguai”.
Tomás Antônio Gonzaga – Jurista e poeta luso-brasileiro, escreveu as obras “Cartas Chilenas” e “Marília de Dirceu”.
A linguagem do Arcadismo
Fugere Urbem – Que significa “fugir da cidade”. Faz uma recomendação para as pessoas voltarem para a vida campesina, procurar um lugar de paz, longe dos grandes centros, dos excessos, da poluição.
Aurea Mediocritas – “O homem mediano”. Esse homem é o retrato do homem feliz. Ele não está em busca de riquezas ou muito conhecimento. O homem mediano busca equilíbrio.
Carpe Diem – “Aproveite a vida ou aproveite o tempo”. Frase que ficou muito conhecida depois do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Esse termo fala sobre a efemeridade do tempo, de como ele é passageiro e que devemos aproveitá-lo da melhor maneira possível, evitando pensar nos problemas do passado e do futuro.
Locus Amoenus – “Lugar ameno”. Esse termo se relaciona com o fugere urbem. A linguagem do Arcadismo era bucólica e valorizava o pastoralismo, inclusive os autores usavam pseudônimos de pastores para escrever suas poesias. Os árcades acreditavam que o ambiente bucólico era o melhor para viver.
Inutilia Truncat – “Cortar o inútil”. Em contraposição com o período barroco, o Arcadismo sugere tirar os excessos, os refinamentos.
A linguagem do Arcadismo ficou caracterizada pelos versos e sonetos. Esses textos tem uma estrutura bem peculiar.
Sonetos
O soneto é uma das produções da literatura que estão integram a linguagem do Arcadismo. Eles são compostos por uma estrutura fixa de catorze versos, com dois quartetos (conjunto de quatro versões) e dois tercetos (conjunto de três versões).
Verso – Frase ou palavra que forma a linha da poesia. Sua classificação depende do número de versos na estrofe. Eles podem ser:
• Monossílabo: verso composto por uma sílaba poética.
• Dissílabo: verso composto por duas sílabas poéticas.
• Trissílabo: verso composto por três sílabas poéticas.
• Tetrassílabo: verso composto por quatro sílabas poéticas.
• Pentassílabo: verso composto por cinco sílabas poéticas.
• Hexassílabo: verso composto por seis sílabas poéticas.
• Heptassílabo: verso composto por sete sílabas poéticas.
• Octossílabo: verso composto por oito sílabas poéticas.
• Eneassílabo: verso composto por nove sílabas poéticas.
• Decassílabos: verso composto por dez sílabas poéticas.
• Hendecassílabos: verso composto por onze sílabas poéticas.
• Dodecassílabos: verso composto de doze sílabas poéticas.
Quanto à medida, existem classificações:
• Versos isométricos – os que possuem medida igual.
• Versos heterométricos - os que têm versos de diferentes medidas.
Estrofe – Conjunto de versos de uma parte do poema. São classificadas como simples, compostas e livres. São simples quando possuem a mesma medida, são compostas quando os versos possuem medidas diferentes, e são livres quando não há exatidão métrica.
Métrica – Medida do verso que corresponde ao número de sílabas poéticas.
Rima – Concordância dos sons.