Apresenta muitas figuras de linguagem
A linguagem do Barroco é caracterizada por ter um tom desafiador e revolucionário. A linguagem dessa escola literária fala sobre os sentimentos do homem e a sua luta com o corpo e alma, razão e fé.
O que é Barroco?
O Barroco ocorreu entre os séculos XVI e XVII. Nesse período o homem passava por um conflito entre a racionalidade e a religião.
Essa escola literária começou na Itália e depois se expandiu por toda Europa, chegando a influenciar as colônias europeias espalhadas pelo mundo. O Barroco é visto como um movimento cultural e artístico.
História
No decorrer do século XVI, na Europa, as fronteiras geográficas do mundo já descoberto estavam crescendo. Durante essa descoberta o homem passou a acreditar que tudo era possível.
A expansão das fronteiras permitiu também uma revolução comercial: o mercantilismo, apoiado na busca por metais e uma balança comercial favorável para juntar riquezas.
Tentando controlar a natureza através da razão, o homem foi a procura de novos conhecimentos científicos, retornando a cultura clássica.
Nesse período vogava na Europa um sistema político onde o poder era concentrado nas mãos do rei - Estado Absolutista -, por sua vez visto como um representante divino.
A Contrarreforma se expandiu com a unificação da Península Ibérica e tinha o objetivo de reaver não só os féis perdidos para a Reforma Protestante, mas também conquistar novos seguidores.
Esses fatores fez com que o homem da época sofresse retaliações políticas e recebesse incentivo para ascender socialmente.
Características
Confira as principais características do Barroco:
Fugacidade
Segundo a percepção barroca, a fugacidade fala que tudo na vida é passageiro e nada vai durar para sempre. As pessoas mudam, o mundo muda, as coisas mudam.
Assim sendo, os autores barrocos entendem que tudo está em constante transformação.
Pessimismo
A visão pessimista barroca acredita que o ciclo da vida levará a morte. A incerteza sobre a vida levou o barroco a ser uma arte pessimista.
Feísmo
No Barroco cenas trágicas, tristes e dolorosas eram admiradas. A maioria das imagens apresentam problemas por causa da grande quantidade de detalhes.
Cultismo
Na linguagem do Barroco os autores usavam o jogo de palavras e a linguagem culta.
Conceptismo
No conceptismo tinha uma dinâmica de raciocínio e de retórica que tinha o objetivo de esclarecer o conflito dos opostos.
A linguagem do Barroco
A linguagem do Barroco apresenta diferentes tipos de figuras de linguagens, cada uma delas possui características diferentes. Algumas figuras eram mais usadas pelos autores desse movimento.
Os autores aplicavam as figuras de linguagem a linguagem do Barroco para prender e chamar a atenção dos leitores. Veja as principais figuras de estilo empregadas à linguagem do Barroco:
Metáfora
A metáfora é aplicada a linguagem do Barroco para fazer uma comparação velada. Veja o exemplo no trecho a seguir, escrito por Gregório de Matos.
“Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada”
Antítese
Por meio dessa figura de linguagem, o autor demonstra a diferença que ele percebe dos acontecimentos. Observe no exemplo redigido por Manuel Botelho de Oliveira:
Vista por fora é pouco apetecidaPorque aos olhos por feia é parecida;Porém, dentro habitadaÉ muito bela, muito desejada,É como a concha tosca e deslustrosa,Que dentro cria a pérola formosa.
Paradoxo
No paradoxo o autor junta as ideias contrárias em apenas um pensamento. É feito o uso de frases contraditórias. Confira o exemplo no trecho de Gregório de Matos:
Ardor em firme Coração nascido;pranto por belos olhos derramado;incêndio em mares de água disfarçado;rio de neve em fogo convertido.
Hipérbole
A hipérbole na linguagem do barroco serve para remeter a ideias exageradas. Veja o exemplo em mais um trecho escrito por Gregório de Matos:
É a vaidade, Fábio, nesta vida,Rosa, que da manhã lisonjeada,Púrpuras mil, com ambição dourada,Airosa rompe, arrasta presumida.
Prosopopeia
Usa como exemplos seres sem vida para estimular a realidade. Veja um exemplo redigido por Padre Antônio Vieira:
No diamante agradou-me o forte, no cedro o incorruptível, na águia o sublime, no Leão o generoso, no Sol o excesso de Luz.
Anacoluto
O anacoluto é empregado a linguagem do Barroco para quebrar a ordem lógica da frase. Veja o exemplo escrito por Beto Teixeira.
As Délficas irmãs chamar não quero.
Barroco no Brasil
O Barroco foi introduzido no Brasil no final do século XVII. Aqui, esse estilo ganhou destaque na pintura, arquitetura, escultura e literatura.
O início do Barroco no Brasil foi marcado pelo poema "prosopopeia", escrito por Bento Teixeira, em 1601. Na escultura e na arquitetura Aleijadinho foi o artista de maior destaque na arte barroca brasileira.
Principais autores do Barroco no Brasil:
Bento Teixeira (1561-1618)
A principal obra desse autor foi o poema "prosopopeia". Esse poema tem 94 estrofes e faz elogios à obra de Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da capitania de Pernambuco.
Gregório de Matos (1633-1696)
Gregório de Matos foi um dos principais autores do barroco brasileiro. Ele ganhou destaque por causa de suas poesias líricas, religiosas, eróticas e satíricas. Gregório era conhecido como boca do inferno.
Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711)
Ele foi o primeiro brasileiro a publicar versos com as características do barroco. Sua obra que mais se destaca é: “Música do Parnaso” (1705).
Frei Vicente de Salvador (1564-1636)
Frei Vicente foi o primeiro prosador do Brasil. Dentre suas obras podemos destacar: “História do Brasil” e “História da Custódia do Brasil”.

O Barroco também teve destaque na arquitetura. (Foto: Wikipédia)
Revisão sobre a linguagem do Barroco
Confira a seguir as principais informações sobre a linguagem do Barroco:
• A linguagem do Barroco é conhecida por ser provocadora;
• A linguagem do Barroco apresenta uma grande quantidade figuras de linguagem;
• A linguagem do Barroco do barroco era culta;
• A linguagem do Barroco apresenta jogo de ideias e de palavras.
Poesia barroca
Veja o poema de Gregório de Matos, um dos principais representantes do Barroco no Brasil:
Poema: A Jesus Cristo Nosso Senhor
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,Da vossa alta clemência me despido;Porque, quanto mais tenho delinquido,Vós tenho a perdoar mais empenhado.Se basta a vos irar tanto pecado,A abrandar-vos sobeja um só gemido:Que a mesma culpa, que vos há ofendido,Vos tem para o perdão lisonjeado.Se uma ovelha perdida e já cobradaGlória tal e prazer tão repentinoVos deu, como afirmais na Sacra História,Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,Perder na vossa ovelha a vossa glória.