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A Linguagem do Parnasianismo

Postado por Darcicléia Oliveira em 20/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Modelo de escrita literária baseada na perfeição poética


A Linguagem do Parnasianismo era baseada na objetividade, descrição minuciosa e perfeição estética de sua poesia. Esse tipo de linguagem resgatava o racionalismo, desviando-se da emotividade e do idealismo proposto pelo Romantismo.

A poesia parnasiana utilizava vocabulário refinado, clássico e impessoal na busca do culto à forma. Com o uso de recursos como a metrificação e versificação, o poeta parnasiano expressava suas observações no formato de rimas raras, ricas e perfeitas. 

Parnasianismo


O Parnasianismo foi o movimento literário cujo a manifestação poética era o seu principal foco. Surgiu na França a partir do século XIX, preocupado com o “fazer poético”, buscando sempre a perfeição estética através de um raro vocabulário e estruturas poéticas fixas. 

A estética parnasiana era influenciada pela cultura francesa, onde se tornou conhecida. O nome “Parnasianismo” é derivado de “Parnaso”, monte mitológico situado na Grécia oferecido ao deus Apolo e às nove musas da arte.

No mesmo período em que surgia a linguagem do Parnasianismo, aconteciam o Realismo e o Naturalismo, movimentos literários com propostas pouco parecidas com o estilo parnasiano. Os realistas e naturalistas desenvolviam seus poemas baseados nos problemas sociais e na própria realidade. Os três estilos da época sucedem o Romantismo e antecedem o Simbolismo

Estilo poético parnasiano

Enquanto o Realismo usava teses científicas no formato de ficção para falar sobre o pior da sociedade, a linguagem do Parnasianismo era influenciada pelo positivismo e o cientificismo voltados para a estética da poesia.

Os poetas parnasianos exploravam a observação do mundo de forma objetiva, prestando atenção em cenas e objetos, excluindo qualquer ligação com o sentimentalismo romântico. 

A descrição de objetos e elementos da natureza, a objetividade temática, a formalidade linguística e a métrica rígida eram os recursos mais valorizados no Parnasianismo. O pensamento de como lidar com o mundo era formulado através do lema “Arte pela arte”, no qual o jeito de escrever era mais importante que o assunto.


A linguagem do Parnasianismo prezava a pureza estética. (Foto: AdobeStock)

Os autores parnasianos acreditavam que a arte deveria existir independente de pretextos como o amor, que é usado como estímulo para a produção de poesias. A própria arte se justificava pela sua beleza de ser e existir.

O gosto pelo modelo positivista e objetividade da ciência fez com que a linguagem do Parnasianismo se aproximasse da tendência utilizada pelos poetas franceses Pierre Jules Théophile Gautier e Charles Baudelaire (que depois fez transição para o Simbolismo). Também faziam parte desse time de poetas parnasianos Leconte de Lisle e Théodore de Banville.

A linguagem do Parnasianismo e suas características


A linguagem do Parnasianismo nas obras literárias era dedicada ao preciosismo, no qual cada detalhe do objeto era focalizado de acordo com sua singularidade, por isso as palavras rebuscadas e as rimas ricas.

A impessoalidade e a objetividade das obras eram características contrárias ao exagerado subjetivismo romântico. Nesse caso, assuntos guiados pelo romantismo perderam lugar para conteúdo objetivo, científico e real.

O uso de figuras de linguagem foi reduzido, optando pelo hipérbato e o formato mais utilizado na produção de poesias era o soneto, estrutura textual com duas estrofes de quatro versos e duas estrofes de três versos. 

Ainda eram características da poesia parnasiana:


• Utilização de formas poéticas tradicionais;
• Predileção pelos sonetos, rima rica e versos alexandrinos (com doze sílabas);
• Afeição exagerada pelo vocabulário rebuscado e pela pureza linguística;
• Busca da elaboração perfeita de estruturas sintáticas; 
• Uso de figuras de linguagem como anacoluto e hipérbato, nas quais se invertem a ordem das orações;
• Mitologia greco-romana como inspiração;
• O erotismo e a sensualidade feminina em evidência;
• A arte literária em harmonização com as artes plásticas;
• Retratação do objeto com a técnica do descritivismo.

Poesia parnasiana no Brasil


Os brasileiros Raimundo Correia, Alberto de Oliveira e Olavo Bilac constituíram a trindade parnasiana. Esses foram os autores que mais se dedicaram à poesia com a linguagem do parnasianismo no Brasil. Machado de Assis também dedicou uma pequena parte de seu trabalho ao Parnasianismo.

Escritores como Teófilo Dias, Valentim Magalhães e Artur Azevedo contribuíram para o Parnasianismo com suas obras. Uma em específica, intitulada de “Fanfarras”, de Teófilo Dias, publicada em 1882, foi considerada a precursora do movimento literário parnasiano no Brasil.

Olavo Bilac 

O escritor que mais se destacou no Brasil com a linguagem do Parnasianismo em suas poesias foi o carioca Olavo Bilac

Olavo Bilac foi um jornalista e poeta considerado o representante do Parnasianismo no Brasil. Escrevia poesias de amor e sensualidade cheios de emoção e temas caracterizados pelo estilo histórico-nacionalista, antes de ingressar na direção do Parnasianismo. A letra do Hino da Bandeira pertence à sua autoria.


Olavo Bilac foi grande precursor do Parnasianismo no Brasil. (Foto: Wikipédia)

Seguindo o exemplo francês, o poeta se inspirava nas poesias que buscavam a perfeição estética. Os poemas "Profissão de fé" e "Via láctea - Soneto XIII" tornaram-se alguns dos mais conhecidos do autor. Veja o poema e sua análise:

XIII

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto 
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? "

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas

Olavo Bilac

A descrição e a narração estão presentes na poesia que trata de amor. Apesar do perceptível lirismo, o autor não se aprofunda no sentimentalismo, característica romântica. As rimas artificiais, também rimas preciosas, evidenciam a rígida formalidade.

Alberto de Oliveira 

Antônio Mariano Alberto de Oliveira foi um professor, farmacêutico e poeta que se inclinou para a arte literária desde cedo. Conheceu Olavo Bilac na faculdade de medicina, a qual desistiu depois de um tempo.

Com o parnasianismo francês no auge, através da obra Parnasse Contemporain fez sua transição do romantismo para a forte tendência do objetivismo parnasiano, assim como pelo culto da forma e linguagem autênticas, pelas cenas exteriores e da natureza e rica versificação. A linguagem do Parnasianismo está em muitos dos seus textos, como por exemplo este:

Vaso grego

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que o suspendia
Então, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas, o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

Alberto de Oliveira

O autor tem como base a descrição e a narração de objetos nesse poema, típica característica do estilo parnasiano. Há também a utilização de rimas ricas e vocabulário rebuscado.

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