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A Linguagem do Realismo

Postado por Amanda Maria Azevedo em 21/08/2019

Definida como objetiva 


A linguagem do realismo é baseada na realidade do cotidiano comum, marcada pela tendência ao cientificismo e a oposição ao romantismo. Os escritores do realismo não utilizavam a subjetividade como forma de expressão em suas obras. 

Considerada universal, culta, impessoal, clara, direta e, obviamente, realista, a linguagem do realismo sofreu influência direta das obras literárias do século XIX, época em que os artistas seguiam a tendência da filosofia, do positivismo e da ciência. 

Os escritores do realismo passaram a descrever pensamentos, sensações, sentimentos, anseios, devaneios e questionamentos dos personagens dos seus personagens, o que marcou bastante a linguagem do realismo. 


Obra "Casa" (1889) de Jožef Petkovšek, considerada exemplo de pintura realista. (Foto: Wikipedia)


A Linguagem do Realismo e Suas Principais Características


O realismo é um dos movimentos artísticos mais estudados no universo artístico. Surgiu com uma proposta diferente das correntes artísticas que já existiam (como o romantismo e o neoclassicismo), criando uma nova forma de entender, produzir e consumir a arte no geral. 

É definido como um movimento artístico e literário. Seu surgimento é datado em meados do século XIX, na França. O realismo se manifestou na arquitetura, escultura, teatro, pintura e, principalmente, na literatura. A Revolução Industrial foi um dos acontecimentos históricos que mais influenciou essa corrente. 

Gustave Flaubert é considerado o grande percussor do realismo. A publicação da sua obra intitulada “Madame Bovary”, em 1857, marca o início oficial do realismo. Depois disso, o realismo conquistou toda a Europa e em pouco tempo já havia se tornado uma tendência mundial. 

As produções portuguesas e brasileiras do realismo ganharam bastante destaque. Em Portugal, o realismo tem início com a polêmica entre os ultrarromânticos e os defensores do realismo, conhecida como a Questão Coimbrã. As disputas começaram no ano de 1885

No Brasil, Machado de Assis (1839-1908) é considerado o grande percussor do realismo e publicação do seu romance intitulado “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, do ano de 1881, marca o início do movimento do país. 

A linguagem do realismo começou a ser desenvolvida tendo a forte oposição ao romantismo como principal característica. As artistas do realismo buscavam retratar temas urbanos, sociais e cotidianos de uma forma mais realista, apontando o lado positivo e o negativo com a mesma ênfase

Além da forte oposição ao romantismo, as obras do realismo também apresentavam forte oposição as doutrinas e posicionamentos da Igreja Católica e ao enriquecimento da burguesia que começava a se formar no final do século XIX.

A linguagem do realismo era apoiada na ciência e nos fatos, os artistas presavam por escrever sobre coisas reais. As obras realistas apresentavam os problemas sociais e as desigualdades sociais que existiam, de uma forma real e sem pudor. 

O realismo também ficou conhecido por ser um movimento artístico que trouxe uma análise mais profunda e detalhada sobre o comportamento e pensamento das pessoas. Os artistas retratavam personagens mais reais com fraquezas, erros, pecados, defeitos, anseios e pensamentos negativos. 

Confira no exemplo abaixo um exemplo de como acontecia essa representação mais humana dos personagens, como pensamentos mais descritivos, positivos e negativos: 

Trecho do Livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis

A Universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-me com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades, — principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso.

Nesse trecho do livro, Machado de Assis retrata de forma mais descritiva os pensamentos do seu personagem sobre a sua vivência com a universidade. Ao ler o trecho podemos entender como o personagem enxergava o processo de estudar em uma universidade e qual era a avaliação dele sobre isso. 


Realismo no Brasil 


Quando o realismo começou no Brasil, o país vivia um momento muito conturbado marcado pela crise na monarquia e a assinatura da Lei Áurea. Além disso, em meados do século XIX o romantismo já estava entrando em declínio nas produções artísticas, o que sinalizada a necessidade da criação de uma nova corrente artística. 

Assim como no mundo todo, o realismo no Brasil fez forte oposição o romantismo e também fortemente influenciado pelas novas teorias cientificas que estavam surgindo, como o evolucionismo, o comunismo e o positivismo. 

As principais caraterísticas do realismo no Brasil são: o uso da veracidade e da contemporaneidade, a crítica a realidade social sofrida do período, o uso da ironia como marca retórica e a descrição dos pensamentos e anseios dos personagens de forma realista. 

Como já vimos, Machado de Assis é considerado o percursor do realismo brasileiro. “Quincas Borba” (1886), “Dom Casmurro” (1899) e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, são algumas das suas principais obras. Raul d'Ávila Pompeia (1863-1895) e Visconde de Taunay (1843-1899) também foram nomes de destaque do realismo no Brasil. 

Realismo em Portugal


O realismo em Portugal começou a partir de 1960. O surgimento do movimento foi marcado pelo embate de ideias entre os artistas do romantismo e do realismo, que criticavam a falta de realidade, o individualismo e o academicismo presente nas produções romancistas. Esse embate foi chamado de “Questão Coimbrã”. 

Em Portugal, o realismo ganhou característica como: a rejeição a monarquia, a oposição ao sentimentalismo, o foco no socialismo, o destaque para questões revolucionárias e o destaque a vida de seres humanos comuns.

Eça de Queiroz (1845-1900) foi uma das figuras mais importantes do realismo em Portugal. Ele foi figura de destaque no cenário de disputa com os autores mais conservadores do romantismo. Suas obras eram vistas como revolucionárias e questionadoras. “O Crime do Padre Amaro” e “O Primo Basílio” são algumas das suas obras mais conhecidas. 

Antero de Quental (1842-1891) também uma importante figura do realismo português. Ele esteve diretamente ligado as ações da “Questão Coimbrã”. Algumas das suas obras mais conhecidas são: “Odes Modernas”, “Sonetos de Antero” e “Bom Senso e Bom Gosto”. 

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