Linguagem subjetiva, mística, transcendental e sensorial
A linguagem do simbolismo se refere as obras que foram produzidas no movimento artístico do simbolismo.
O simbolismo é um movimento literário que surgiu na França, no ano de 1857 (final do século XIX), com a publicação do livro de poemas de Charles Baudelaire, “As flores do mal”.
A partir daí muitos outros escritores começaram a seguir o estilo de escrita dele, e todas as obras desse período passaram a pertencer a escola literária do simbolismo. Os autores do movimento eram chamados de escritores decadentistas.
A linguagem do simbolismo não foi estabelecida apenas com a produção da literatura, mas também com outras produções como o teatro e as artes plásticas.
O simbolismo surgiu em oposição ao realismo, ao naturalismo e ao parnasianismo. Isto porque, totalmente diferente dessas escolas literárias, a linguagem do simbolismo continha a forte presença de elementos místicos, transcendentais e voltado para a subjetividade.
Isto quer dizer que a linguagem do simbolismo usada nas obras tinha o intuito de fugir da linha lógica de raciocínio, do excessivo uso da razão e da descrição fiel da realidade que eram características marcantes dos outros estilos literários.
E como a linguagem do simbolismo era forte a presença do que é subjetivo e místico, o movimento nega e despreza movimentos literários como o realismo, o naturalismo e o parnasianismo.

Charles Baudelaire, precursor do movimento
simbolista na França. (Foto: Wikipédia)
As características e a linguagem do simbolismo
O simbolismo é um movimento literário que retoma as ideias do Romantismo que foram esquecidos pelo realismo, parnasianismo e naturalismo.
Assim, o simbolismo tem influências das características romancistas. Como o pessimismo, o constante uso de temáticas como o amor, o sonho, a dor, a morte, a mente humana, a loucura, entre outros.
Outras características são o antiracionalismo cujo intuito era se afastar da razão e se aproximar aos sentimentos íntimos e as emoções, forte presença de elementos místicos e religiosos, exploração do subconsciente e do consciente, antimaterialista e trazia à tona a espiritualidade humana.
Elementos místicos e transcendentais
É característico das obras do simbolismo apresentarem elementos místicos e transcendentais envolvendo aspecto do que é oculto e invisível.
Isto faz com que a obra seja cada vez mais voltada para a subjetividade que é demonstrada das mais diversas formas, desde a linguagem imprecisa dos autores a presença de delírios e divagações.
Além disso, a subjetividade presente na linguagem do simbolismo é uma maneira de exposição das sensações e emoções mais íntimas dos próprios autores.
Vale ressaltar que mesmo sendo parecido com o romantismo, a subjetividade do simbolismo é diferente, pois não segue uma linha de raciocínio, nem mesmo a lógica.
Perceba a subjetividade em um trecho do poema “Acrobata da dor” de Cruz e Souza
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,Agita os guizos e convulsionadoSalta, gavroche, salta, clown, varadoPelo estertor dessa agonia lenta...
A linguagem
A linguagem do simbolismo é criativa, espírita, subjetiva, sensorial, fluida, imprecisa, transcendental, sensual, libertária, expressiva, misteriosa, musical, expressiva, vaga e onírica.
Nas obras possuíam elementos que demonstravam a grande fixação pelas estruturas de poemas, como os sonetos.
A linguagem do simbolismo tinha o intuito de expor de forma subjetiva as visões dos autores. Ou seja, era uma linguagem subjetiva. Além disso, é uma linguagem com fluidez e vaga, apontando sempre para a sugestão.
O vocabulário era rico, com a adição de novas palavras, aspecto de musicalidade feito por meio de figuras de linguagem.
A musicalidade é uma das principais características relacionadas a linguagem do simbolismo. E para empregar o ritmo e musicalidade nas obras simbolistas, alguns recursos da linguagem faziam presente.
Entre esses recursos estão algumas figuras de linguagem como a sinestesia, aliteração, onomatopeia e assonância.
A linguagem do simbolismo e a sinestesia
A sinestesia se trata da combinação das sensações associadas aos sistemas sensorial humano: tato, paladar, visão, audição e olfato. Ou seja, é associar a subjetividade das palavras ou expressões de forma sensorial.
Por exemplo: associar determinada fragrância de perfume a uma determinada pessoa. E toda vez que sente aquele cheiro, remete a pessoa. Ou até mesmo uma música que remete a um momento triste ou feliz.
Figuras de linguagem: aliteração
A aliteração ocorre no recurso de repetição de consoantes ou sílabas com sonoridades parecidas e até mesmo iguais.
É devido a essa repetição que causa o ritmo musical, um efeito estilístico da música. A aliteração é bastante utilizada na poesia e na prosa poética.
Exemplo: da música “Qualquer Coisa”, de Caetano Veloso
Berro pelo aterro, pelo desterro/Berro por seu berro, pelo seu erroQuero que você ganhe, que você me apanhe/Sou o seu bezerro gritando mamãe.
Onomatopeia
A onomatopeia se trata da reprodução, por meio dos recursos disponíveis da língua, de sons que não são totalmente possíveis de reproduzir.
Para entender melhor, o barulho que é feito para imitar o miado de gato ou o latir de cachorro. Assim como também para objetos inanimados como o relógio.
Exemplos: o "zuuuum" de um mosquito e o "tic-tac" do relógio.
A linguagem do simbolismo e a assonância
A assonância se refere a repetição de vogais para atribuir uma certa melodia nos versos. Por meio da repetição também é possível a rima que também transmite uma harmonia musical.
Perceba a repetição das vogais e a rima presente no trecho do poema “Sinfonia do ocaso”, de Cruz e Sousa.
Musselinosas como brumas diurnasdescem do ocaso as sombras harmoniosas,sombras veladas e musselinosaspara as profundas solidões noturnas.Sacrários virgens, sacrossantas urnas,os céus resplendem de sidéreas rosas,da Lua e das Estrelas majestosasiluminando a escuridão das furnas.
Simbolismo no Brasil
O Simbolismo no Brasil não foi tão forte como na Europa, mas mesmo assim deixou obras e escritores que fizeram uso desse tipo de linguagem, além de ter mantido boa parte das características do simbolismo europeu.
O movimento se iniciou no Brasil, em 1893, com a publicação da prosa “Missal” e da poesia “Broquéis”, ambas obras de João da Cruz e Sousa.
Os principais escritores são Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos e Alphonsus de Guimaraens.
Poema “Siderações” de Cruz e Sousa.
Para as Estrelas de cristais geladosAs ânsias e os desejos vão subindo,Galgando azuis e siderais noivadosDe nuvens brancas a amplidão vestindo…Num cortejo de cânticos aladosOs arcanjos, as cítaras ferindo,Passam, das vestes nos troféus prateados,As asas de ouro finamente abrindo…Dos etéreos turíbulos de neveClaro incenso aromal, límpido e leve,Ondas nevoentas de Visões levanta…E as ânsias e os desejos infinitosVão com os arcanjos formulando ritosDa Eternidade que nos Astros canta…