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A linguagem do simbolismo

Postado por Cleane Lima em 21/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Linguagem subjetiva, mística, transcendental e sensorial


A linguagem do simbolismo se refere as obras que foram produzidas no movimento artístico do simbolismo. 

O simbolismo é um movimento literário que surgiu na França, no ano de 1857 (final do século XIX), com a publicação do livro de poemas de Charles Baudelaire, “As flores do mal”.

A partir daí muitos outros escritores começaram a seguir o estilo de escrita dele, e todas as obras desse período passaram a pertencer a escola literária do simbolismo. Os autores do movimento eram chamados de escritores decadentistas

A linguagem do simbolismo não foi estabelecida apenas com a produção da literatura, mas também com outras produções como o teatro e as artes plásticas

O simbolismo surgiu em oposição ao realismo, ao naturalismo e ao parnasianismo. Isto porque, totalmente diferente dessas escolas literárias, a linguagem do simbolismo continha a forte presença de elementos místicos, transcendentais e voltado para a subjetividade

Isto quer dizer que a linguagem do simbolismo usada nas obras tinha o intuito de fugir da linha lógica de raciocínio, do excessivo uso da razão e da descrição fiel da realidade que eram características marcantes dos outros estilos literários. 

E como a linguagem do simbolismo era forte a presença do que é subjetivo e místico, o movimento nega e despreza movimentos literários como o realismo, o naturalismo e o parnasianismo. 


Charles Baudelaire, precursor do movimento 
simbolista na França. (Foto: Wikipédia)

As características e a linguagem do simbolismo


O simbolismo é um movimento literário que retoma as ideias do Romantismo que foram esquecidos pelo realismo, parnasianismo e naturalismo. 

Assim, o simbolismo tem influências das características romancistas. Como o pessimismo, o constante uso de temáticas como o amor, o sonho, a dor, a morte, a mente humana, a loucura, entre outros. 

Outras características são o antiracionalismo cujo intuito era se afastar da razão e se aproximar aos sentimentos íntimos e as emoções, forte presença de elementos místicos e religiosos, exploração do subconsciente e do consciente, antimaterialista e trazia à tona a espiritualidade humana. 

Elementos místicos e transcendentais

É característico das obras do simbolismo apresentarem elementos místicos e transcendentais envolvendo aspecto do que é oculto e invisível

Isto faz com que a obra seja cada vez mais voltada para a subjetividade que é demonstrada das mais diversas formas, desde a linguagem imprecisa dos autores a presença de delírios e divagações. 

Além disso, a subjetividade presente na linguagem do simbolismo é uma maneira de exposição das sensações e emoções mais íntimas dos próprios autores. 

Vale ressaltar que mesmo sendo parecido com o romantismo, a subjetividade do simbolismo é diferente, pois não segue uma linha de raciocínio, nem mesmo a lógica. 

Perceba a subjetividade em um trecho do poema “Acrobata da dor” de Cruz e Souza

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos e convulsionado
Salta, gavroche, salta, clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

A linguagem

A linguagem do simbolismo é criativa, espírita, subjetiva, sensorial, fluida, imprecisa, transcendental, sensual, libertária, expressiva, misteriosa, musical, expressiva, vaga e onírica

Nas obras possuíam elementos que demonstravam a grande fixação pelas estruturas de poemas, como os sonetos. 

A linguagem do simbolismo tinha o intuito de expor de forma subjetiva as visões dos autores. Ou seja, era uma linguagem subjetiva. Além disso, é uma linguagem com fluidez e vaga, apontando sempre para a sugestão. 

O vocabulário era rico, com a adição de novas palavras, aspecto de musicalidade feito por meio de figuras de linguagem.

A musicalidade é uma das principais características relacionadas a linguagem do simbolismo. E para empregar o ritmo e musicalidade nas obras simbolistas, alguns recursos da linguagem faziam presente. 

Entre esses recursos estão algumas figuras de linguagem como a sinestesia, aliteração, onomatopeia e assonância

A linguagem do simbolismo e a sinestesia


A sinestesia se trata da combinação das sensações associadas aos sistemas sensorial humano: tato, paladar, visão, audição e olfato. Ou seja, é associar a subjetividade das palavras ou expressões de forma sensorial.

Por exemplo: associar determinada fragrância de perfume a uma determinada pessoa. E toda vez que sente aquele cheiro, remete a pessoa. Ou até mesmo uma música que remete a um momento triste ou feliz. 

Figuras de linguagem: aliteração


A aliteração ocorre no recurso de repetição de consoantes ou sílabas com sonoridades parecidas e até mesmo iguais. 

É devido a essa repetição que causa o ritmo musical, um efeito estilístico da música. A aliteração é bastante utilizada na poesia e na prosa poética. 

Exemplo: da música “Qualquer Coisa”, de Caetano Veloso 

Berro pelo aterro, pelo desterro/Berro por seu berro, pelo seu erro
Quero que você ganhe, que você me apanhe/Sou o seu bezerro gritando mamãe.

Onomatopeia


A onomatopeia se trata da reprodução, por meio dos recursos disponíveis da língua, de sons que não são totalmente possíveis de reproduzir. 

Para entender melhor, o barulho que é feito para imitar o miado de gato ou o latir de cachorro. Assim como também para objetos inanimados como o relógio. 

Exemplos: o "zuuuum" de um mosquito e o "tic-tac" do relógio. 

A linguagem do simbolismo e a assonância


A assonância se refere a repetição de vogais para atribuir uma certa melodia nos versos. Por meio da repetição também é possível a rima que também transmite uma harmonia musical.

Perceba a repetição das vogais e a rima presente no trecho do poema “Sinfonia do ocaso”, de Cruz e Sousa. 

Musselinosas como brumas diurnas
descem do ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas,
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.

Simbolismo no Brasil


O Simbolismo no Brasil não foi tão forte como na Europa, mas mesmo assim deixou obras e escritores que fizeram uso desse tipo de linguagem, além de ter mantido boa parte das características do simbolismo europeu. 

O movimento se iniciou no Brasil, em 1893, com a publicação da prosa “Missal” e da poesia “Broquéis”, ambas obras de João da Cruz e Sousa. 

Os principais escritores são Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos e Alphonsus de Guimaraens

Poema “Siderações” de Cruz e Sousa.

Para as Estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo…
Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…
Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de Visões levanta…
E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
Da Eternidade que nos Astros canta…

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