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Alegoria

Postado por Victor Luiz em 29/07/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Figura de linguagem é utilizada para expressar significados além do literal


Uma alegoria é um dos estilos de figuras de linguagem de uso retórico e que produz uma virtualização do real significado, não se atendo apenas ao sentido literal da obra, mas se aprofundando em outros sentidos.

A palavra vem do latim allegoria, que significa ato de falar sobre outra coisa. Além do texto escrito, é possível encontrar uma alegoria na escultura e na pintura.

Pode-se usar como exemplo de alegoria diversos tipos de textos, como a metáfora, a sátira, o símbolo, a fábula, o apólogo, a prosopopeia, o oximoro, a ironia e o mito. Esses são considerados exemplos genéricos, ou seja, empregados em usos textuais.

No caso dos usos textuais, quase sempre a alegoria é acompanhada de uma lição de moral que deixa explícito a relação entre o sentido literal (função denotativa) e o sentido figurado (função conotativa).


Fábulas utilizam muito de animais em mundo imaginário como alegoria . (Wikimedia Commons)

Fábula e parábola


A fábula é um dos gêneros textuais nos quais a aplicação da alegoria é mais frequente, geralmente acompanhada de uma lição de moral que deixa claro a diferença entre o real e o imaginário.

Na fábula, os personagens geralmente são animais em um mundo criado, que chegam a conversar com os seres humanos. Já na parábola os personagens são baseados no mundo real.

Em ambos existem fins morais e éticos, às vezes educativos, que norteiam a história. Eles trabalham a alegoria com objetivo de passar uma mensagem de maneira simbólica, quase sempre por meio de um enigma.

Confira um exemplo da fábula O gato, o galo e o ratinho:

Um ratinho vivia num buraco com sua mãe, depois de sair sozinho pela primeira vez, contou a ela:
– Mãe, você não imagina os bichos estranhos que encontrei!
Um era bonito e delicado, tinha um pêlo muito macio e um rabo elegante, um rabo que se movia formando ondas.
O outro era um monstro horrível! No alto da cabeça e debaixo do queixo ele tinha pedaços de carne crua, que balançavam quando ele andava. De repente os lados do corpo dele se sacudiram e ele deu um grito apavorante. Fiquei com tanto medo que fugi correndo, bem na hora que ia conversar um pouco com o simpático.
– Ah, meu filho! – respondeu a mãe. – Esse seu monstro era uma ave inofensiva; o outro era um gato feroz, que num segundo teria te devorado.
Moral: Jamais confie nas aparências.

Alegoria e símbolo


Alguns estudiosos diferenciam a alegoria dos símbolos, apesar da semelhança. No símbolo, a compreensão do sentido figurado do texto é instantânea, pois este sentido é apresentado de forma completa.

Já na alegoria, é necessário que se faça uma interpretação global do texto e de sua figura de linguagem, para que seja identificado seu sentido figurado, já que ele é construído no decorrer do texto.



A Alegoria da Caverna


No ambiente filosófico, a alegoria mais conhecia é a Alegoria da Caverna, também conhecida como Parábola da Caverna, Mito da Caverna ou Prisioneiros da Caverna, narrado na obra República, do filósofo grego Platão (Livro VII).

Nela, Platão tem intenção de exemplificar como o ser humano pode se libertar da condição de escuridão, discutindo a Teoria do Conhecimento.

Nesta alegoria, homens vivem presos dentro de uma caverna, acreditando que aquela é a única realidade e temendo as sombras que se projetam dentro da caverna as coisas do lado fora.

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. (O Mito da Caverna)

Alegoria na atualidade


Atualmente, uma das obras mais famosas que se utiliza de figura de linguagem é o livro A Revolução dos Bichos, do autor inglês George Orwell.

Publicado em 1945, A Revolução dos Bichos utiliza de elementos da alegoria para criticar o comunismo, o governo autoritário e a sociedade da União Soviética.

Os personagens principais do livro são os animais de uma fazenda, como cavalos, galinhas e ratos, que passam a ser liderados pelos porcos. Esses criam um governo autoritário entre os animais e expulsam os humanos da fazendo, convencendo a todos que é o melhor a ser feito.

Para entender melhor, confira um trecho do primeiro capítulo do livro A Revolução dos Bichos: 
O Sr. Jones, dono da Granja do Solar, fechou o galinheiro para a noite, mas estava bêbado demais para lembrar-se de fechar também as vigias. Com o facho de luz da sua lanterna balançando de um lado para o outro, atravessou cambaleante o pátio, tirou as botas na porta dos fundos, tomou um último copo de cerveja do barril da copa e foi para a cama, onde sua mulher já ressonava.
Tão logo apagou-se a luz do quarto, houve um silencioso movimento em todos os galpões da granja. Correra, durante o dia, o boato de que o velho Major, um porco que já fora premiado numa exposição, tivera um sonho muito estranho na noite anterior e desejava contá-lo aos outros animais. Haviam combinado encontrar-se no celeiro, assim que Jones se deitasse. O velho Major (chamavam-no assim, muito embora ele houvesse concorrido na exposição com o nome de "Belo de Willingdon") gozava de tão alto conceito na granja que todos estavam dispostos a perder uma hora de sono só para ouvi-lo. (A Revolução dos bichos)

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As figuras de som estão atreladas à sonoridade das palavras. Classificam-se em: aliteração, assonância, onomatopeia e paranomásia.

As figuras de palavras são classificadas em: metáfora, metonímia, comparação, perífrase, sinestesia, sinédoque, alegoria e catacrese.

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