Interrompe a sequência lógica da frase
O anacoluto é uma figura de linguagem que é marcada pela mudança de pensamento no meio de uma frase, isto é, essa figura de linguagem quebra a estrutura lógica do que está sendo falado.
Facilmente percebemos o anacoluto na linguagem oral. Por ser dinâmica, a linguagem oral possibilita ao locutor mudar o pensamento e fazer interrupções não programadas no discurso.
Figuras de linguagem
As figuras de linguagem também são chamadas de figuras de estilo ou figuras de retórica. Elas são mecanismos usados pelos autores para provocar alguns efeitos ao ouvinte ou leitor.
As figuras de linguagem podem ser classificadas em: metáfora, comparação, personificação, catacrese, onomatopeia, paradoxo, ironia, antítese, eufemismo, dentre outras.

O anacoluto está ligado à sintaxe da frase. (Foto: Dreamstime)
Quando usamos o anacoluto?
Como foi visto anteriormente, o anacoluto é muito utilizado na linguagem oral. O anacoluto só pode ser apontado como um erro quando for aplicado em uma frase.
Na frase "Eu, também me parece que as fiz, porém vou sempre negar", a palavra "eu" ganha destaque, se distanciando dos outros elementos sintáticos. No restante da frase, através da elipse o termo "eu" fica subtendido.
Da mesma forma, em "o meu cachorro, levo-o sempre àquele veterinário", frase típica do discurso oral, a expressão "o meu cachorro" aparece separado do restante da frase, em que é trocada por um pronome.
Entretanto, alguns escritores já não classificam esses exemplos como anacoluto, apenas um mecanismo para dar destaque.
De acordo com esses escritores, só é caracterizado anacoluto quando a frase é truncada e um pedaço do seu enunciado fica suspenso.
Exemplos de anacoluto
• Eu, acho que não estou passando muito bem.
• Nora, lembro dela toda vez que faço esse pudim.
• A vida, não sei como será sem saúde.
• Adolescentes, como são difíceis de conversar.
• Regina, ouvi dizer que está ocupada.
• Miami, quantas lembranças boas eu guardei.
Exemplos de anacoluto na literatura
• “O relógio da parede eu estou acostumado com ele, mas você precisa mais de relógio do que eu”. (Rubem Braga).
• “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura”. (Manuel Bandeira).
• "A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha". (Camilo Castelo Branco)
• “Eu, porque sou mole, você fica abusando.” (Rubem Braga)
• “E o desgraçado tremiam-lhe as pernas, sufocando-o a tosse.” (Almeida Garret)
Figuras de Sintaxe
O anacoluto não é a única figura de sintaxe da língua portuguesa, além dela existem outras que modificam a estrutura das frases. Conheça a seguir algumas delas:
Elipse
Nessa figura de linguagem o autor suprime palavras da frase. No entanto, esses termos podem ser identificados por meio do contexto.
Exemplo:
• Ficaram satisfeitos com o desenho dos arquitetos.
(O modo de conjugação do verbo propõe que o termo oculto é “eles”.)
Zeugma
Na zeugma o autor esconde o termo da frase para evitar repetição.
Exemplo:
• Ana foi ao teatro, eu (fui) ao cinema.
Hipérbato
No hipérbato a construção sintática fica diferente da ordem habitual, ou seja, ocorre uma mudança na posição do sujeito, verbo, complementos e adjuntos.
Exemplo:
• Nasceu meu sobrinho (na ordem direta: meu sobrinho nasceu)
Silepse
A silepse pode ser classificada de três formas diferentes. Na silepse de gênero ocorre a discordância entre os gêneros; na silepse de número ocorre a discordância em número (singular e o plural); na silepse de pessoa o sujeito se apresenta na terceira pessoa e o verbo na primeira pessoa do plural.
Exemplos:
• Rio de Janeiro é suja. (silepse de gênero)
• Um bando de políticos gritavam enlouquecidos. (silepse de número)
• Todos os jogadores estamos confiantes para o torneio. (silepse de pessoa)
Assíndeto
No assíndeto duas orações são ligadas sem a presença de conectivos.
Exemplo:
• Eu tenho uma lista de matérias para estudar: português, matemática, física, historia geografia, biologia, espanhol e inglês, nunca mais terminarei de estudar.
Polissíndeto
No polissíndeto ocorre a repetição da conjunção coordenativa.
Exemplo:
• “Enquanto os homens exercem seus podres poderes/ índios e padres e bichas, negros e mulheres/E adolescentes fazem o carnaval.” (Música “Podre Poderes” de Caetano veloso)
Anáfora
A anáfora é usada para reforçar algo que já foi apresentado no contexto. Normalmente encontramos essa figura de sintaxe em letras de poemas e músicas. Confira o exemplo em um trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade:
É preciso estudar volapuque,é preciso estar sempre bêbado,é preciso ler Baudelaire,é preciso colher as floresde que rezam velhos autores.
Pleonasmo
O pleonasmo é classificado como literário ou vicioso. Essa figura de linguagem é caracterizada por acrescentar informações desnecessárias ao contexto.
Exemplos:
• “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal” (Fernando Pessoa)
• “Morrerás morte vil na mão de um forte” (Gonçalves Dias)
• “Quando com os olhos eu quis ver de perto” (Alberto de Oliveira)
• “Chovia uma triste chuva de resignação” (Manuel Bandeira)