Usada para chamar o receptor da mensagem
A apóstrofe é classificada como uma das figuras de pensamento. Essas figuras são aplicadas em textos para chamar a atenção do leitor.
A apóstrofe é usada nas frases em que se deseja chamar algo ou alguém, esse ser chamado pode ser real ou imaginário.
Sintaticamente falando, a apóstrofe pode ser um vocativo e em grande parte das vezes aplicada no discurso direto.
Na maioria das vezes a apóstrofe aparece destacada por vírgulas ou algum sinal de pontuação que passe destaque.

As figuras de pensamento são recursos para dar mais expressividade ao texto. (Foto: AdobeStock)
A apóstrofe em frases
Muito usada em textos religiosos, discursos políticos e em letras de músicas ou poesias, a apóstrofe é aplicada para aproximar o emissor e o receptor da mensagem. Esse recurso linguístico possibilita que a mensagem seja recebida de forma mais intensa.
Confira a seguir os exemplos de apóstrofe
• Ó Minha Nossa Senhora! Ó Céus! Porque não me avisou?
• Senhor, tende piedade de nós.
• Professora, posso responder?
• Torcida do Vitória! Vamos vencer juntos.
• Direitos! Direitos! É isso que pedimos nessa caminhada.
• Nossa! Como você chegou tão rápido?
• Minha Filha! Que linda você está!
Apóstrofe na Literatura
• “Ó mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal.” (Fernando Pessoa)
• “Olha Marília, as flautas dos pastores,/Que bem que soam, como são cadentes!” (Bocage)
• “Criança! não verás país nenhum como este:/Imita na grandeza a terra em que nasceste!” (Olavo Bilac)
• “Tende piedade de mim, Senhor, de todas as mulheres.” (Vinícius de Moraes)
• “Deus, ó Deus! Onde estás, que não me respondes?” (Castro Alves).
• “Supremo Senhor e Governador do universo, que às sagradas quinas de Portugal, e às armas e chagas de Cristo, sucedam as heréticas listas de Holanda, rebeldes a seu rei e a Deus?...” (Padre Antônio Vieira)
Atenção!
É importante ficar atento para que você não confunda apóstrofe com apóstrofo. Como vimos anteriormente, apóstrofe é uma figura de pensamento usada para dar mais destaque ao texto. Já o apóstrofo é um sinal gráfico (’) usado para suprimir algumas letras e palavras.
Exemplos: copo-d'água, pau-d'óleo, estrela d’alva, caixa d’água...
Apóstrofe e o apóstrofo são exemplos de palavras parônimas. As palavras parônimas podem ter a mesma grafia ou a mesma pronúncia, contudo apresentam sentido diferente.
Exemplos de parônimos
• Absorver (solver) / absolver (inocentar)
• Cavaleiro (homem que anda a cavalo) / cavalheiro (homem educado)
• Cumprimento (saudação) / comprimento (tamanho)
• Dirigente (alguém que dirige) / diligente (aplicado, expedido)
Figuras de pensamento
A apóstrofe é apenas uma das figuras de pensamento da Língua Portuguesa. Essas figuras fazem parte da classificação de figuras de linguagem, usadas para destacar contextos e chamar a atenção do leitor.
Conheça a seguir outras figuras de pensamento:
Personificação ou prosopopeia
Na personificação ou prosopopeia palavras referentes aos seres humanos são usadas para caracterizar seres inanimados.
Exemplo: O gato disse algo que convenceu o cachorro.
Paradoxo ou oxímoro
O paradoxo ou oxímoro os autores usam palavras contrárias para expressar a mesma ideia.
Exemplo:
amor que me acalora e me intimida,Que me põe fraco quanto me põe forte
Ironia
A ironia é usada para produzir o sacarmo, nessa figura de pensamento as palavras são usadas para representar algo diferente do seu real sentido.
Exemplo: Eu acho que a televisão é muito educativa. Sempre que alguém liga o aparelho, eu vou para outra sala e leio um livro.” (Groucho Marx)
Hipérbole
A hipérbole é o uso de palavras exageradas para falar sobre algo ou alguém.
Exemplo: Tinha um mar de gente no show de Anitta.
Gradação ou clímax
É classificada de clímax ou gradação uma história contada em ordem crescente ou decrescente dos fatos.
Exemplo: Em menos de um ano passou de estagiário, a funcionário, a chefe e a tirano.
Eufemismo
No eufemismo usa-se palavras leves para poder contar uma situação difícil ou desagradável.
Exemplo: A pobre mulher passou desta para melhor.
Antítese
A antítese foi uma figura de linguagem muito utilizada no Barroco, ela é marcada por trazer ideias opostas no mesmo contexto.
Exemplo: Meu avô, ex-jogador, gosta muito de me contar suas vitórias e derrotas.
Outras figuras de linguagem: metáfora, comparação, metonímia, catacrese, sinestesia, perífrase, elipse, zeugma, hipérbato, polissíndeto, assíndeto, anacoluto, pleonasmo, silepse, anáfora, aliteração, paronomásia, assonância, onomatopeia.