O que é assíndeto
Assíndeto dispensa o uso de conectivos em uma frase. É utilizado principalmente por autores e artistas que escrevem músicas e poesias, por causa da maior capacidade em expressar sentimentos com essa sintaxe. A palavra assíndeto vem do grego asýndetos, que significa “não unir” ou “desunião”, por isso os conectivos de ligação são dispensáveis.
Torna-se mais fácil a expressão através do assíndeto, porque o leitor fica mais focado na ideia central da frase.
Contrapondo as orações assindéticas estão as orações conhecidas por sindéticas. Ambas fazem parte do período composto, aquele formado por duas orações. O período composto é definido ainda por dois gêneros: coordenação ou subordinação. No primeiro, as orações são independentes e o sentido é completo. Já no segundo, existe sempre uma oração subordinada a primeira, porque a principal é sempre incompleta.
Definições e exemplos
Enquanto o assíndeto dispensa conexões nas sentenças, as orações sindéticas são dependentes e se conectam justamente pelos elementos de ligação. Para melhor compreensão, seguem alguns exemplos de cada ramificação.
Frases com presença de assíndeto:
1. Todas as manhãs eu acordo, corro, nado, tomo açaí, trabalho.
2. Fomos ao baile, dançamos, bebemos, cantamos, seguimos direto para casa.
3. O bom da vida é dançar, cantar, sorrir, extravasar.
4. Apaguei a luz, deitei-me, pus-me a dormir.
5. Faz parte do ciclo da vida: apaixonar, namorar, casar, ter filhos.
Frases sindéticas:
1. Fui até o berço, dei de mamar para o bebê e coloquei ele para dormir.
2. Amanhã vou ao shopping fazer compras e encontrar uma amiga.
3. Mais tarde eu preciso descansar e me alimentar bem porque vou pegar estrada à noite.
4. Como é bom acordar e enxergar o mar pela janela.
5. Depois de fazer exercício costumo me alongar e tomar um banho gelado.
Exemplos de assíndeto na literatura
“Vim, vi, venci.” (Júlio César)
“Grita o mar, brama o fogo, silva a fera,/Chora Adão, geme o pranto, brada o rogo.” (Francisco de Vasconcelos)
“A tua raça quer partir,/guerrear, sofrer, vencer, voltar.” (Cecília Meireles)
“Luciana, inquieta, subia à janela da cozinha, sondava os arredores, bradava com desespero, até ouvia duas notas estridentes, localizava o fugitivo, saía de casa como (…)” (Graciliano Ramos)
“Fazia riscos, bordados, mandava vir rendas de Grã-Mogol, cosia com amor, aprendia a arte do bilro.” (Cyro dos Anjos)

As orações assindéticas não precisam de conectivos. (Foto: Flickr)
Período composto por coordenação ou subordinação
O período composto é caracterizado por uma sentença com mais de uma oração. Ele pode ser composto por coordenação ou por subordinação, como já citado. Segue abaixo aspectos e definição de ambos.
Período composto por coordenação
Formado por orações independentes, coordenadas entre si, mas com ausência de dependência sintática. As orações coordenadas são divididas em dois tipos: assindéticos e sindéticos.
As coordenadas assindéticas são ligadas por pontuação e não por conjunção.
Gritei, parti, superei, por exemplo, não é uma oração, mas sim um período composto com três orações. Cada verbo presente nesse período é intransitivo, tem sentido sozinho. Os três juntos resultam em três orações e ambos ligados por vírgula.
Já as coordenadas sindéticas possuem conjunção e são classificadas em cinco tipos. São eles:
Aditiva: expressam ideias que somam informações.
Exemplo: Adorava ir ao parque fim de tarde, e comer maçã do amor.
Adversativas: oposição ao pensamento posto anteriormente. É obrigatório o uso da vírgula antes da conjunção adversativa.
Exemplo: Sempre fez exercícios, no entanto machucou a perna semana passada.
Alternativa: tem o propósito de oferecer opções.
Exemplo: Você prefere sorvete de creme ou de chocolate?
Conclusiva: ideia de fechamento, conclusão ou justificativa.
Exemplo: Você não fez toda a tarefa que te designei, portanto não vai sair no fim de semana.
Explicativa: tem como objetivo a explicação.
Exemplo: Conseguiu o emprego, pois foi muito bem na seleção.
Período composto por subordinação
Tem função de substantivo no período simples. Pode ser sujeito, objeto direto ou indireto, um predicativo, aposto ou complemento nominal. É aquela que tem função sintática para oração principal.
Tipos
Oração subordinada substantiva subjetiva: tem função de sujeito. Existem duas orações, a principal que não tem conjunção e a subordinada que é iniciada pela conjunção integrante. Sempre que na oração principal não tiver sujeito, a segunda vai ter função de sujeito para primeira.
Exemplo: É óbvio que todos participaremos do amigo secreto.
Objetiva direta: tem função de objeto direto. Ambas as orações têm verbo e conjunção, possui sujeito e não é subjetiva.
Exemplo: Todos sabemos que seremos os próximos da lista.
Objetiva indireta: Apresenta função de objeto indireto na oração principal. Tem sujeito na oração principal, o complemento vem na sequência do verbo.
Exemplo: minha mãe gosta de que eu arrume o quarto sempre.
Completiva Nominal: complementa o substantivo com preposição. Tem dois verbos e sujeito na oração principal.
Exemplo: Eu tenho certeza de que conseguiremos o dinheiro.
Predicativa: tem função de predicativo para oração principal. Sempre que tiver verbo de ligação próximo a conjunção, a segunda oração tem função de predicativo.
Exemplo: A certeza é que você lavará a louça.
Apositiva: tem função de aposto para oração principal. É formulada sempre de dois pontos.
Exemplo: Todos estamos na expectativa: de que faça sol no feriado.
Figuras de linguagem
As figuras de linguagem são aplicadas nos textos para os tornarem mais expressivos. Com esses atributos é possível descrever melhor os sentimentos, pensamentos e até mesmo fazer comparações.
O assíndeto está classificado entre as figuras de linguagem, dentro das figuras de construção ou sintaxe. Agem diretamente na construção das orações. Além do assíndeto estão também: elipse, zeugma, pleonasmo, polissíndeto, anacoluto, hipérbato, hipálage, anáfora e silepse.
Definições
Elipse: Omite alguma palavra, que é possível ser associada pelo contexto.
Exemplo: No enterro, em quatro: eu, minha mãe, minha avó e meu pai (omissão de estávamos)
Zeugma: É usado quando um termo que já foi aplicado na sentença não se repete.
Exemplo: Ele não me ama mais, nem eu a ele.
Pleonasmo: É redundante, no geral repete o verbo. É utilizado mais na literatura.
Exemplo: Preciso dar acabamento final no nosso quarto.
Polissíndeto: Repetição dos elementos de ligação, fazendo conexão com o tempo.
Exemplo: Preciso buscar o bolo, e levar para o espaço, e avisar para colocarem as toalhas na mesa.
Anacoluto: É aplicado quando se inicia uma sentença com uma construção sintática e depois segue outra.
Exemplo: Aquele cabelo longo preto, ela não ia permitir que cortassem.
Hipérbato ou inversão: Mudança de ordem nos termos da frase.
Exemplo: É como gelo, o seu coração.
Hipálage: Quando a conexão da palavra de uma frase é realizada com outra
Exemplo: Minha mãe colocou a fôrma no bolo. Ao contrário de: Minha mãe colocou o bolo na fôrma.
Anáfora: Emprego de palavras que remetem ao mesmo sentido, citadas várias vezes a cada oração.
Exemplo: Depois que você se foi, tudo em mim é tristeza, angústia, lamento.
Silepse: A concordância é conectada com a ideia subtendida na frase.
Exemplo: Os baianos são alegres e prestativos.