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Assíndeto

Postado por Fernanda Luna em 23/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

O que é assíndeto


Assíndeto dispensa o uso de conectivos em uma frase. É utilizado principalmente por autores e artistas que escrevem músicas e poesias, por causa da maior capacidade em expressar sentimentos com essa sintaxe. A palavra assíndeto vem do grego asýndetos, que significa “não unir” ou “desunião”, por isso os conectivos de ligação são dispensáveis.

Torna-se mais fácil a expressão através do assíndeto, porque o leitor fica mais focado na ideia central da frase.

Contrapondo as orações assindéticas estão as orações conhecidas por sindéticas. Ambas fazem parte do período composto, aquele formado por duas orações. O período composto é definido ainda por dois gêneros: coordenação ou subordinação. No primeiro, as orações são independentes e o sentido é completo. Já no segundo, existe sempre uma oração subordinada a primeira, porque a principal é sempre incompleta. 


Definições e exemplos


Enquanto o assíndeto dispensa conexões nas sentenças, as orações sindéticas são dependentes e se conectam justamente pelos elementos de ligação. Para melhor compreensão, seguem alguns exemplos de cada ramificação.

Frases com presença de assíndeto: 

1.    Todas as manhãs eu acordo, corro, nado, tomo açaí, trabalho.
2.    Fomos ao baile, dançamos, bebemos, cantamos, seguimos direto para casa.
3.    O bom da vida é dançar, cantar, sorrir, extravasar. 
4.    Apaguei a luz, deitei-me, pus-me a dormir.
5.    Faz parte do ciclo da vida: apaixonar, namorar, casar, ter filhos.

Frases sindéticas:

1.    Fui até o berço, dei de mamar para o bebê e coloquei ele para dormir.
2.    Amanhã vou ao shopping fazer compras e encontrar uma amiga.
3.    Mais tarde eu preciso descansar e me alimentar bem porque vou pegar estrada à noite.
4.    Como é bom acordar e enxergar o mar pela janela.
5.    Depois de fazer exercício costumo me alongar e tomar um banho gelado.

Exemplos de assíndeto na literatura

“Vim, vi, venci.” (Júlio César)
“Grita o mar, brama o fogo, silva a fera,/Chora Adão, geme o pranto, brada o rogo.” (Francisco de Vasconcelos)
“A tua raça quer partir,/guerrear, sofrer, vencer, voltar.” (Cecília Meireles)
“Luciana, inquieta, subia à janela da cozinha, sondava os arredores, bradava com desespero, até ouvia duas notas estridentes, localizava o fugitivo, saía de casa como (…)” (Graciliano Ramos)
“Fazia riscos, bordados, mandava vir rendas de Grã-Mogol, cosia com amor, aprendia a arte do bilro.” (Cyro dos Anjos)



As orações assindéticas não precisam de conectivos. (Foto: Flickr)

Período composto por coordenação ou subordinação


O período composto é caracterizado por uma sentença com mais de uma oração. Ele pode ser composto por coordenação ou por subordinação, como já citado. Segue abaixo aspectos e definição de ambos.


Período composto por coordenação

Formado por orações independentes, coordenadas entre si, mas com ausência de dependência sintática. As orações coordenadas são divididas em dois tipos: assindéticos e sindéticos

As coordenadas assindéticas são ligadas por pontuação e não por conjunção

Gritei, parti, superei, por exemplo, não é uma oração, mas sim um período composto com três orações. Cada verbo presente nesse período é intransitivo, tem sentido sozinho. Os três juntos resultam em três orações e ambos ligados por vírgula

Já as coordenadas sindéticas possuem conjunção e são classificadas em cinco tipos. São eles:

Aditiva: expressam ideias que somam informações.
Exemplo: Adorava ir ao parque fim de tarde, e comer maçã do amor. 

Adversativas: oposição ao pensamento posto anteriormente. É obrigatório o uso da vírgula antes da conjunção adversativa.
Exemplo: Sempre fez exercícios, no entanto machucou a perna semana passada.

Alternativa: tem o propósito de oferecer opções. 
Exemplo: Você prefere sorvete de creme ou de chocolate?

Conclusiva: ideia de fechamento, conclusão ou justificativa. 
Exemplo: Você não fez toda a tarefa que te designei, portanto não vai sair no fim de semana. 

Explicativa: tem como objetivo a explicação.
Exemplo: Conseguiu o emprego, pois foi muito bem na seleção. 

Período composto por subordinação

Tem função de substantivo no período simples. Pode ser sujeito, objeto direto ou indireto, um predicativo, aposto ou complemento nominal. É aquela que tem função sintática para oração principal. 

Tipos

Oração subordinada substantiva subjetiva: tem função de sujeito. Existem duas orações, a principal que não tem conjunção e a subordinada que é iniciada pela conjunção integrante. Sempre que na oração principal não tiver sujeito, a segunda vai ter função de sujeito para primeira. 
Exemplo: É óbvio que todos participaremos do amigo secreto. 

Objetiva direta: tem função de objeto direto. Ambas as orações têm verbo e conjunção, possui sujeito e não é subjetiva. 
Exemplo: Todos sabemos que seremos os próximos da lista. 

Objetiva indireta: Apresenta função de objeto indireto na oração principal. Tem sujeito na oração principal, o complemento vem na sequência do verbo. 
Exemplo: minha mãe gosta de que eu arrume o quarto sempre. 

Completiva Nominal: complementa o substantivo com preposição. Tem dois verbos e sujeito na oração principal.
Exemplo: Eu tenho certeza de que conseguiremos o dinheiro.

Predicativa: tem função de predicativo para oração principal. Sempre que tiver verbo de ligação próximo a conjunção, a segunda oração tem função de predicativo. 
Exemplo: A certeza é que você lavará a louça.

Apositiva: tem função de aposto para oração principal. É formulada sempre de dois pontos. 
Exemplo: Todos estamos na expectativa: de que faça sol no feriado. 


Figuras de linguagem


As figuras de linguagem são aplicadas nos textos para os tornarem mais expressivos. Com esses atributos é possível descrever melhor os sentimentos, pensamentos e até mesmo fazer comparações.

O assíndeto está classificado entre as figuras de linguagem, dentro das figuras de construção ou sintaxe. Agem diretamente na construção das orações. Além do assíndeto estão também: elipse, zeugma, pleonasmo, polissíndeto, anacoluto, hipérbato, hipálage, anáfora e silepse.

Definições

Elipse: Omite alguma palavra, que é possível ser associada pelo contexto.
Exemplo: No enterro, em quatro: eu, minha mãe, minha avó e meu pai (omissão de estávamos)

Zeugma: É usado quando um termo que já foi aplicado na sentença não se repete.
Exemplo: Ele não me ama mais, nem eu a ele.

Pleonasmo: É redundante, no geral repete o verbo. É utilizado mais na literatura.
Exemplo: Preciso dar acabamento final no nosso quarto. 

Polissíndeto: Repetição dos elementos de ligação, fazendo conexão com o tempo.
Exemplo: Preciso buscar o bolo, e levar para o espaço, e avisar para colocarem as toalhas na mesa.

Anacoluto: É aplicado quando se inicia uma sentença com uma construção sintática e depois segue outra.
Exemplo: Aquele cabelo longo preto, ela não ia permitir que cortassem. 

Hipérbato ou inversão: Mudança de ordem nos termos da frase.
Exemplo: É como gelo, o seu coração.

Hipálage: Quando a conexão da palavra de uma frase é realizada com outra
Exemplo: Minha mãe colocou a fôrma no bolo. Ao contrário de: Minha mãe colocou o bolo na fôrma. 

Anáfora: Emprego de palavras que remetem ao mesmo sentido, citadas várias vezes a cada oração.
Exemplo: Depois que você se foi, tudo em mim é tristeza, angústia, lamento.

Silepse: A concordância é conectada com a ideia subtendida na frase.
Exemplo: Os baianos são alegres e prestativos.

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